Hamilton Khaki Field ou Tissot PRX: qual comprar?
Os dois guardam 80 horas de energia. Um você carrega toda manhã, o outro se carrega sozinho, e é essa diferença que decide a compra.
São os dois relógios mais recomendados quando alguém pergunta por um suíço mecânico de primeira viagem. E são quase opostos.
O Hamilton Khaki Field Mechanical sai por R$ 5.610. O Tissot PRX Powermatic 80 sai por R$ 6.936. Pouco mais de mil e trezentos reais separam os dois, e quase tudo o mais os separa.
Este texto compara os dois pela ficha real de cada um e termina dizendo para quem cada um serve.
A ficha, lado a lado
| Hamilton Khaki Field Mechanical | Tissot PRX Powermatic 80 | |
|---|---|---|
| Referência | H69439931 | T137.407 |
| Preço no Brasil | R$ 5.610 | R$ 6.936 |
| Caixa | 38 mm, aço escovado | 40 mm, aço polido e escovado |
| Espessura | 9,5 mm | 10,93 mm |
| Entre alças | 47 mm | pulseira integrada |
| Movimento | H-50, corda manual | Powermatic 80.111, automático |
| Reserva de marcha | 80 horas | 80 horas |
| Espiral | Nivachron | Nivachron |
| Cristal | safira abaulada | safira com antirreflexo |
| Resistência à água | 50 metros | 100 metros |
| Pulseira | nato de tecido verde-oliva | aço, integrada |
Os números de caixa e movimento saem da página oficial do H69439931 e da ficha do PRX 40 mm no site da Tissot.
Os dois têm 80 horas. De jeitos diferentes
Esse é o número que mais confunde quem compara os dois. Ambos guardam 80 horas de energia, mais de três dias parados sem atrasar nada.
A diferença está em como essa energia entra.
O Hamilton é de corda manual. Não tem rotor. Você gira a coroa toda manhã, umas trinta voltas, e ele anda. Se você esquecer, ele para e você acerta a hora de novo.
O Tissot é automático. O peso oscilante lá dentro se move com o seu braço e dá corda sozinho. Você põe no pulso e esquece que existe.

Não existe um melhor. Existe o que combina com você.
Quem gosta do ritual diário prefere a corda manual. É o único momento do dia em que você literalmente dá energia para uma máquina.
Quem quer pegar e sair prefere o automático. Em fim de semana parado, o PRX continua na hora e o Hamilton não.
O que tem dentro de cada um
Os dois motores vêm da ETA, a fabricante de movimentos do próprio grupo Swatch, dona das duas marcas. Nenhum dos dois é manufatura própria, e isso não é demérito nessa faixa de preço.
O H-50 do Hamilton nasce do ETA 2801-2, um calibre de corda manual conhecido e simples de manter. A Fratello conta essa origem na cobertura das versões novas do Khaki Field Mechanical de 38 mm.
O Powermatic 80.111 do Tissot é a leitura que a ETA fez do 2824, com o escape redesenhado para render as 80 horas.
Aqui entra um ponto que quase nenhuma comparação menciona. A Worn & Wound observa, na análise do PRX Powermatic 80, que regular esse calibre pode dar trabalho ao relojoeiro de bairro.
O escape do Powermatic não se ajusta como um 2824 comum. Se você compra pensando em revisar perto de casa daqui a cinco anos, vale perguntar antes se a oficina mexe nele.
O H-50, por ser um 2801 clássico, qualquer relojoeiro abre.
38 ou 40 milímetros
O Khaki Field tem 38 mm. O PRX tem 40 mm. Dois milímetros parecem nada no papel e mudam tudo no pulso.

Só que o diâmetro mente. O que decide se um relógio cabe em você é a distância entre as alças, e é aí que os dois se separam de verdade.
O Hamilton tem 47 mm entre alças, com nato fino por baixo. Ele veste menor que os 38 mm sugerem.
O PRX tem pulseira integrada. Ela sai da caixa sem intervalo, o que faz o conjunto parecer maior e mais largo do que os 40 mm prometem.
Na prática: pulso abaixo de 17 cm, o Hamilton assenta melhor. De 17 para cima, os dois funcionam e o PRX ganha presença.
Cada linha tem mais de um tamanho, e a escolha muda bastante o resultado. Detalhamos os três tamanhos do Khaki Field e os três do PRX em textos separados.
A Monochrome fez o exercício de comparar o PRX de 35 mm contra o de 40 mm lado a lado, e conta de onde veio esse tamanho: homens e mulheres pediram um PRX intermediário, e a Tissot fez.
Chamar o 35 mm de versão feminina não bate nem com a origem do pedido nem com a própria marca, que não separa os tamanhos por gênero.
A pulseira muda o relógio inteiro
O Hamilton vem numa nato de tecido. Barata de trocar, lavável, e ela carrega o relógio para o lado esportivo com força.
Você pode pôr num couro e ele fica mais sério. É aí que a versatilidade dele aparece: por uns cem reais de pulseira, você tem dois relógios.
O PRX vem com pulseira de aço integrada. Ela sai pelo sistema de troca rápida, mas nenhuma outra pulseira encaixa naquele desenho sem deixar um vão feio na junção.
Você compra o PRX aceitando a pulseira dele. Isso é uma vantagem e uma prisão ao mesmo tempo.
A pulseira integrada é metade do motivo de o PRX ser bonito, e é o que faz ele lembrar os esportivos de luxo dos anos 70. Também é o que impede você de transformá-lo em outra coisa.
Resistência à água: 50 contra 100 metros
O Hamilton marca 50 metros. O Tissot, 100 metros.
Na vida real, os dois aguentam chuva e lavar as mãos. Nenhum dos dois é para mergulhar.
Com 100 metros, o PRX aguenta piscina e mar sem drama. Com 50, o Hamilton pede mais cuidado.
Evite pular na água com ele e não tome banho quente de relógio, porque vapor entra onde água líquida não entra.
Um detalhe que quase ninguém conta: a coroa do Khaki Field é de encaixe, não rosqueada. Se ela ficar puxada para fora, a vedação some.
Para quem é cada um

Compre o Hamilton Khaki Field Mechanical se você quer o mostrador mais legível que existe, gosta da ideia de dar corda todo dia, tem pulso fino, ou quer um relógio que não pede cuidado nenhum e envelhece bem apanhando.
Compre o Tissot PRX Powermatic 80 se você quer um relógio só para tudo, prefere não pensar em corda, gosta do desenho setentista de pulseira integrada, ou quer algo que passe em reunião e em churrasco sem trocar de peça.
Qual dá mais relógio pelo dinheiro
Pela ficha pura, o PRX. Por R$ 1.326 a mais você leva automático, o dobro de resistência à água e uma pulseira de aço integrada que sozinha vale boa parte dessa diferença.
O que não entra nessa conta é a espiral. Os dois usam Nivachron, uma liga à base de titânio que não se magnetiza como o aço comum.
Celular, notebook e fecho de bolsa magnetizam relógio e fazem ele adiantar vários minutos por dia. Com Nivachron, isso praticamente não acontece. Nesse ponto os dois empatam, e muita comparação por aí ainda erra isso.
Pelo caráter, o Hamilton. Ele é a coisa mais próxima de um relógio militar de verdade que se compra novo hoje.
E o mostrador de 24 horas no anel interno não é enfeite. É herança do padrão que o exército americano especificava, quando o relógio precisava ser lido em horário militar sem margem para erro.
Quanto custa no Brasil
Os dois preços deste texto são de balcão brasileiro. É de propósito, porque comparar tabela americana com preço de balcão daqui embaralha a conta.
Fora do varejo autorizado a história muda. Procurando PRX em marketplace você acha de R$ 1.389 a R$ 5.499, e essa faixa só parece absurda até você ver que ela mistura três coisas.
A primeira é o movimento. O PRX tem versão a quartzo e versão automática, e a de quartzo custa bem menos levando o mesmo desenho, a mesma caixa e a mesma pulseira.
A segunda é o canal. Anúncio de marketplace não vem com a garantia nem com a nota que a revenda autorizada dá, e parte do desconto é exatamente isso.
A terceira é o pior caso. Anúncio de PRX abaixo de dois mil reais quase nunca é um PRX. Os sete pontos de conferência estão em como saber se o PRX é original.
Antes de fechar, confira três coisas no anúncio: se diz Powermatic 80, se a referência começa com T137.407 e se a loja é revenda autorizada. Sem isso, você não sabe o que está comprando.
O terceiro caminho, que custa bem menos
Existe uma opção que quase ninguém coloca nessa comparação, e ela muda a conta para quem tem orçamento apertado.
O PRX a quartzo, referência T137.410, sai por R$ 4.386. São R$ 2.550 a menos que o automático deste comparativo.
Ele é o mesmo relógio por fora: mesma caixa tonneau de 40 mm, mesma pulseira integrada, mesmo mostrador quadriculado, mesma safira, mesmos 100 metros de água.
E ganha em duas coisas. É mais fino, com 10,40 mm contra 10,93 mm, e é muito mais preciso, porque erra alguns segundos por mês em vez de alguns segundos por dia.
O que ele não tem é a máquina. Fundo de aço fechado no lugar do vidro, e pilha no lugar da mola.
Para quem quer o desenho do PRX e não quer a mecânica, esse é o melhor negócio da lista inteira. Detalhamos a decisão em PRX quartzo ou automático.
Como os dois envelhecem
Um ano de uso separa os dois mais do que a ficha separa.
O Hamilton melhora apanhando. A caixa escovada esconde risco, o vidro abaulado disfarça marca e a nato encardida fica com cara de usada, o que combina com o relógio. Ele foi desenhado para isso.
O PRX cobra atenção. Os elos centrais polidos da pulseira riscam com facilidade e mostram cada marca sob luz direta. Não é defeito, é o preço do acabamento espelhado.
Isso não deve decidir a compra, e deve entrar na expectativa. Quem compra o PRX esperando que ele fique novo por um ano se decepciona. Quem compra sabendo, não.
O relato completo de um ano de PRX está em o que muda depois de doze meses.
Cuidado com a salada de versões do Khaki Field
Essa é a maior fonte de confusão na hora de comprar, e vale entender antes de apertar o botão.
Khaki Field Mechanical é o de corda manual, com o calibre H-50. É o deste comparativo.
Khaki Field Automatic é outro relógio. Leva o calibre H-10, automático, e sobe a resistência à água. Mesmo visual, comportamento diferente e preço diferente.
Fora esses dois, a linha ainda tem edições em titânio, em bronze e a versão ligada ao filme Interstellar, que o mercado chama de Murph.
Se você viu um preço bom em algum lugar, olhe a referência antes. Muita gente compra o automático achando que levou o mecânico, e o contrário também acontece.
Perguntas frequentes
O Hamilton Khaki Field é superestimado?
Ele é o relógio mais recomendado da faixa, e recomendação demais sempre gera reação. O que a crítica costuma acertar é o acabamento simples da caixa. O que ela erra é cobrar refinamento de uma peça que foi desenhada para ser espartana.
O que é de plástico no Tissot PRX?
Peças internas do movimento Powermatic, como parte da roda de escape e alguns componentes do calendário. Isso não aparece por fora e não muda a durabilidade no uso normal. A caixa, a pulseira e o fundo são de aço.
O PRX de 35 mm é feminino?
Não. A Tissot não separa os tamanhos por gênero, e o intermediário nasceu de pedido de homens e de mulheres. O rótulo de feminino é moda dos anos 2000, e não vem da história do modelo.
Dá para trocar a pulseira do PRX?
Sai pelo sistema de troca rápida, e a Tissot vende couro e borracha próprios. Pulseira de terceiro raramente fecha bem na junção com a caixa, porque o desenho integrado exige um encaixe específico.
Quantas voltas de corda o Khaki Field precisa?
Cerca de trinta voltas na coroa carregam a mola cheia. Pare quando sentir resistência firme, não force além disso. Uma vez por dia, no mesmo horário, mantém a precisão mais estável.
Dá para usar o Khaki Field com terno?
Dá, e ele é um dos poucos relógios de campo que passa. Com 9,5 mm de altura, ele entra por baixo do punho da camisa sem esbarrar. Troque a nato por um couro liso e o relógio muda de registro.
O PRX passa em ambiente formal?
Passa, e melhor do que a foto sugere. Pulseira integrada de aço lê como esportivo de luxo, não como relógio de fim de semana. Os 10,93 mm de altura são o limite, e num punho justo ele engancha.
Qual dos dois é melhor de revender?
O PRX tem procura maior no mercado de usados, principalmente as cores mais disputadas. Nenhum dos dois é investimento, e os dois perdem valor de tabela na primeira revenda.
O que decide de verdade
Depois de tudo isso, a escolha quase nunca é técnica. É sobre qual dos dois você vai querer olhar daqui a cinco anos.
E é exatamente aí que a maioria erra. Compra pela ficha, recebe, e descobre que aquele não era o relógio dela.
A ficha se lê em dez minutos. O gosto leva mais tempo, a não ser que alguém pergunte as coisas certas.
Se a dúvida que sobrou é sobre o Hamilton, respondemos a acusação mais comum em o Khaki Field é superestimado?. Se é sobre o Tissot, a briga do momento está em o que é de plástico no PRX.
