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Nomos Club vale a pena? Corda manual, 8,2 mm e 100 metros de água

Gustavo Grossi 6 min de leitura
Nomos Club Campus de mostrador claro e correia de couro sobre linho claro

Relógio fino quase nunca entra na água, e relógio de água quase nunca é fino. Existem 65 referências no catálogo brasileiro que quebram essa regra, e dez delas são a mesma linha.

Existe uma troca que quase todo comprador de relógio faz sem perceber.

Ou o relógio é baixo o bastante para sumir sob o punho da camisa, ou ele aguenta piscina. Raramente as duas.

Quem é a Nomos

A ficha da marca conta uma história mais curta do que a estética sugere.

A Nomos foi fundada em janeiro de 1990, em Glashütte, por Roland Schwertner, que era profissional de informática e fotógrafo, e não relojoeiro. A primeira coleção foi desenhada por Susanne Günther, com influência declarada do purismo da Bauhaus.

Ou seja: o desenho que parece de 1930 é de uma casa dos anos 90.

Glashütte é a capital relojoeira alemã, e o guia da Monochrome sobre os polos da relojoaria cita a Nomos nominalmente ao descrever a escola alemã: mostrador sem excesso, índice fino e texto mínimo.

O contexto da categoria está em relógio alemão vale a pena, e o dado que importa aqui é este: das 92 referências alemãs do catálogo, 88 são mecânicas, e a Nomos é a única das quatro casas que fabrica o próprio calibre.

O calibre Alpha

Aqui está o que separa a marca das vizinhas de preço.

Até 2005 a Nomos usava movimento suíço, o Peseux 7001 da ETA. Desde abril daquele ano, todos os calibres são feitos em casa.

O da linha Club é o Alpha, e a ficha dele é curta e honesta:

Calibre Alpha
Tipo corda manual
Reserva de marcha 43 horas
Fabricação própria, desde 2005

Corda manual quer dizer que não há rotor: você dá corda todo dia, ou o relógio para.

É a tecnologia mais deliberadamente antiquada que se vende hoje, e ela é rara. O catálogo brasileiro inteiro tem 56 referências de corda manual, e 10 delas são Nomos, levantamento em automático ou corda manual.

Quarenta e três horas de reserva é pouco em números absolutos, e é irrelevante num relógio de corda: você vai dar corda amanhã de manhã de qualquer jeito. A régua de reserva está em reserva de marcha: 40 ou 80 horas.

O ganho da ausência de rotor é físico, e é o assunto da próxima seção.

Sem rotor, o movimento fica mais baixo. É o que permite os 8,2 mm.
Sem rotor, o movimento fica mais baixo. É o que permite os 8,2 mm.

Fino e com água, ao mesmo tempo

Este é o achado da linha.

As dez referências brasileiras do Club têm 8,2 ou 8,5 mm de espessura. E as dez declaram 100 metros de água.

Ler as duas medidas juntas é o ponto. Levantamos o catálogo inteiro procurando peças que fiquem abaixo de 9 mm e ao mesmo tempo declarem 100 metros ou mais:

São 65 referências, de 2.357. Ou 2,8% do mercado.

A troca costuma ser inevitável porque água pede fundo aparafusado, coroa rosqueada e junta grossa, e cada uma dessas três coisas soma altura.

Quem quer os 5 mm de um relógio de vestir aceita 30 metros. As duas réguas estão em 30, 50, 100 e 200 metros e em a espessura do relógio.

O Club escapa por causa do Alpha. Sem rotor, o movimento é mais baixo, e a altura que sobra paga a vedação.

E o contraste dentro da própria marca fecha o argumento. As outras duas referências Nomos do catálogo são Tangente 33, com 6,6 mm e 30 metros. Mais fino, e um terço da água.

Ou seja, dentro da mesma casa e por praticamente o mesmo dinheiro, existem duas respostas opostas para a mesma pergunta. O Tangente escolheu altura e o Club escolheu vedação.

Nomos Club Nomos Tangente
Espessura 8,2 a 8,5 mm 6,6 mm
Água 100 metros 30 metros
Preço R$ 16.116 a R$ 17.034 R$ 15.504 a R$ 19.380

As dez referências

São 10 referências, de R$ 16.116 a R$ 17.034, com mediana em R$ 16.932. A faixa inteira cabe em 1,06 vez.

Isso torna a compra simples: você escolhe cor, não patamar.

E há um detalhe de sortimento que vale saber. As dez são da variante Campus, que é a porta de entrada da linha. As versões maiores e o Club automático não estão à venda aqui.

Os mostradores vão de creme coral e branco a azul, laranja, verde elétrico, vermelho e preto. É uma linha que trata cor como argumento, o que é incomum numa casa Bauhaus.

O conceito de relógio de vestir está no verbete da Monochrome, e o panorama da marca em Nomos vale a pena.

Onde ela perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

Corda manual cansa. Quem nunca teve um subestima o ritual diário, e é a reclamação mais comum de quem devolve.

Dezesseis mil reais é caro para três agulhas sem complicação, mesmo com calibre próprio.

Não existe rede no Brasil. É a fraqueza estrutural de toda a prateleira alemã, com o custo em revisão de relógio quanto custa.

A garantia não tem prazo declarado. As dez dizem apenas “garantia do fabricante”, sem número, ao contrário dos 2 anos que a concorrência suíça publica, régua em garantia de relógio por marca.

Ninguém reconhece. O nome não é identificado numa mesa brasileira.

Só a variante Campus está aqui. Quem quer o Club maior ou o automático não encontra.

As dez custam entre R$ 16.116 e R$ 17.034. Você escolhe cor, não patamar.
As dez custam entre R$ 16.116 e R$ 17.034. Você escolhe cor, não patamar.

Qual comprar

Compre o branco a R$ 16.116 se você quer o Bauhaus clássico pelo menor preço da linha.

Compre o creme coral a R$ 16.116 se quer cor sem sair do discreto. Custa o mesmo do branco.

Compre o verde elétrico ou o vermelho a R$ 17.034 se a cor é o motivo. São as duas mais fortes da linha.

Não compre se corda manual não te atrai. É a característica central e não tem versão automática à venda aqui.

Não compre esperando assistência local. Não existe, e para um calibre próprio isso pesa mais do que para um Sellita.

Perguntas frequentes

O Nomos Club é bom?

É um mecânico de corda manual com calibre próprio, 8,2 mm de espessura e 100 metros de água, combinação que só 2,8% do catálogo brasileiro tem. O que pesa contra é o preço e a falta de assistência local.

Quanto custa um Nomos Club no Brasil?

De R$ 16.116 a R$ 17.034, em 10 referências. A faixa inteira cabe em 1,06 vez, então a escolha é de cor.

O Nomos Club é automático?

Não. As dez referências brasileiras usam o calibre Alpha, que é de corda manual, com 43 horas de reserva de marcha.

O que é o calibre Alpha da Nomos?

É o movimento de corda manual que a marca fabrica desde 2005, quando deixou de usar o Peseux 7001 suíço. Tem 43 horas de reserva.

Quantos metros o Nomos Club aguenta?

Cem metros nas dez referências. Isso cobre banho e piscina de rotina, e é incomum num relógio de 8,2 mm.

Qual a diferença entre o Nomos Club e o Tangente?

O Tangente é mais fino, com 6,6 mm, e faz 30 metros. O Club é um pouco mais alto e faz 100 metros. As duas linhas custam praticamente o mesmo aqui.

O que fica

O Club resolve uma troca que quase todo relógio obriga a fazer.

As dez referências brasileiras têm 8,2 ou 8,5 mm e declaram 100 metros de água. Essa combinação existe em apenas 65 das 2.357 referências do catálogo, ou 2,8%.

O que compra essa exceção é o calibre Alpha, de corda manual e fabricação própria desde 2005. Sem rotor, o movimento fica mais baixo, e a altura que sobra paga a vedação.

O contraste dentro da casa prova o ponto: o Tangente é mais fino, com 6,6 mm, e faz 30 metros, um terço da água por praticamente o mesmo preço.

O custo dessa engenharia é o ritual. Você dá corda todo dia, ou ele para às 43 horas. Para uma parte dos compradores isso é o defeito. Para a outra, é exatamente o motivo da compra.

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