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Relógio japonês vale a pena? São 24% do catálogo e 97% do solar

Gustavo Grossi 8 min de leitura
Citizen Promaster verde e Seiko de aço lado a lado sobre pedra clara

A Alemanha vende mecânica e cobra caro por isso. O Japão faz o oposto quase ponto por ponto, e o catálogo brasileiro deixa a diferença medida em número redondo.

Escrevemos há dois dias que a relojoaria alemã é 3,9% do catálogo brasileiro e concentra 38% de toda a corda manual do país.

O Japão é o espelho dessa frase, e o espelho é quase perfeito.

Marcas de relógios japoneses

Vale começar pela lista, porque é o que a maior parte de quem chega aqui está procurando.

São quatro marcas japonesas que aparecem com volume no varejo brasileiro, e elas ocupam faixas de preço bem diferentes entre si. Os números abaixo vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que abastece o radar, e contam peças prontas para sair.

Marca Peças prontas Mediana
Orient 3.415 R$ 1.399
Seiko 1.532 R$ 4.499
Casio 911 R$ 699
Citizen 629 R$ 4.000

Somadas, são 6.487 peças prontas de 9.265, ou 70% de tudo o que a gente vê disponível hoje. Sete em cada dez relógios prontos para sair no varejo que acompanhamos são japoneses.

Vale explicar o que cada uma faz, porque o nome sozinho não diz.

A Orient é a de maior volume e a mais barata na mediana. Ela fabrica o próprio movimento mecânico, o que é raro nessa faixa, e é onde mora a maior parte do automático acessível do mercado.

A Seiko é a mais cara das quatro na mediana e a de catálogo mais largo, indo de peça de entrada a relógio de dezenas de milhares de reais.

A Casio é a mais barata de todas, com mediana abaixo de setecentos reais, e é quase toda digital e de quartzo.

A Citizen fica próxima da Seiko em preço e é a casa da carga por luz, tecnologia que ela chama de Eco-Drive.

Existem outras marcas japonesas no mundo, algumas bastante prestigiadas, mas elas praticamente não chegam ao varejo brasileiro que a gente acompanha. Quem procura uma delas aqui vai depender de importação.

Quem é japonês no Brasil

A seção anterior contou peças prontas nas vinte lojas do nosso radar. Esta aqui muda de fonte de propósito, e a mudança importa.

Os números a seguir vêm do catálogo completo de uma importadora multimarcas que a gente acompanha, com 2.357 referências. É uma amostra bem menor e com outro perfil, mais pesada em suíço, e por isso serve para comparar país com país sem o peso de volume do varejo popular.

Dentro desse catálogo são 569 referências japonesas, de R$ 1.530 a R$ 19.890, com mediana em R$ 4.284.

Marca Referências Faixa Mediana
Citizen 341 R$ 2.244 a R$ 19.890 R$ 4.284
Seiko 176 R$ 2.652 a R$ 15.606 R$ 4.590
Orient 50 R$ 2.448 a R$ 12.444 R$ 3.468
Casio 2 R$ 1.530 a R$ 10.098 R$ 5.814

Quinhentas e sessenta e nove de 2.357. O Japão é 24% desse catálogo, ou quase um relógio em cada quatro. No varejo mais amplo que medimos na seção anterior essa fatia é bem maior, de 70%, e a diferença entre os dois números é justamente o peso do volume popular.

Compare com o outro polo que já medimos. A Alemanha tem 92 referências e mediana de R$ 11.118, conta que está em relógio alemão vale a pena.

Japonesas Alemãs
Referências 569 92
Fatia do catálogo 24% 3,9%
Mediana R$ 4.284 R$ 11.118

A mediana japonesa é 61% mais baixa. Não é desconto, é outro modelo de negócio, e as duas seções seguintes mostram exatamente onde ele aparece.

O guia da Monochrome sobre os polos da relojoaria chama essas quatro casas de as grandes do Japão e explica a diferença numa palavra: verticalização.

A Seiko fabrica dentro de casa desde o escape até a espiral. A Citizen mantém a divisão Miyota, que vende movimento para o mundo inteiro, inclusive para concorrente dela, panorama em Miyota, o movimento japonês e na ficha do grupo Citizen.

É essa integração que explica o preço. Quem fabrica o próprio movimento não paga margem de fornecedor, e as duas casas ainda vendem calibre para fora, o que dilui o custo de desenvolvimento em volume que nenhuma marca suíça de entrada alcança.

Noventa e sete por cento do solar

Aqui está o número que define a categoria.

Levantamos as referências movidas a luz do catálogo inteiro. São 268. Delas, 260 são japonesas.

Marca Referências solares
Citizen 231
Seiko 28
Tissot 8
Casio 1

Noventa e sete por cento de todo o solar à venda no Brasil é japonês, e uma marca só, a Citizen, responde por 86% do total.

Do lado alemão, o número é zero. Nenhuma das 92 referências é movida a luz.

O funcionamento está em Citizen Eco-Drive vale a pena, e o resumo prático é curto: o mostrador é uma célula solar, luz de ambiente carrega a bateria, e o relógio nunca precisa de troca de pilha.

Isso resolve o defeito mais chato do quartzo comum, que é a pilha morrer na gaveta. E resolve sem o defeito da mecânica, que é errar segundos por dia, régua que está em quantos segundos um relógio pode errar.

Duzentas e sessenta das 268 referências solares do país são japonesas.
Duzentas e sessenta das 268 referências solares do país são japonesas.

Nenhuma corda manual

O outro lado do espelho é ainda mais limpo.

Nenhuma das 569 referências japonesas dá corda à mão. Zero.

O catálogo brasileiro tem 56 relógios de corda manual, e eles se distribuem assim:

Marca Corda manual
Hamilton 24
Laco 10
Nomos 10
Maen 5
Baltic 3
Tissot 2
Outras 2

Alemãs, suíças e uma francesa. Japonesa, nenhuma.

E isso não é acaso de sortimento, é filosofia de produto. Corda manual pede que o dono participe do funcionamento todo dia. A escola japonesa desta faixa vende exatamente o contrário: o relógio que você não precisa lembrar que existe.

Some as duas seções e o retrato fecha:

Japonesas Alemãs
Solar 260 0
Corda manual 0 21

Duas indústrias olhando para o mesmo objeto e chegando em respostas opostas.

Onde o preço aparece

Vale mostrar onde a mediana mais baixa se materializa, porque não é em toda parte.

Vinte e oito das 33 referências abaixo de R$ 3.000 são japonesas. O levantamento inteiro dessa faixa está em relógio até R$ 3.000, e o resumo é que quase não existe relógio de marca ali. O que existe é quase todo do Japão.

E a água não acompanha o preço para baixo:

Água declarada Referências japonesas
100 metros 220
200 metros 190
50 metros 55
1.000 metros 5
300 metros 2
30 metros 7

Cento e noventa e seis fazem 200 metros ou mais. Numa mediana de quatro mil e duzentos reais, isso é o dobro do que boa parte do suíço de vestir entrega por três vezes o preço, régua que está em 30, 50, 100 e 200 metros.

O panorama de mergulhador está no texto técnico da Monochrome.

Cento e noventa e seis das 569 fazem 200 metros ou mais.
Cento e noventa e seis das 569 fazem 200 metros ou mais.

Onde a categoria perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

O acabamento de perto. Chanfro polido, transição de elo e fecho ficam abaixo do suíço de preço equivalente. A categoria entrega ficha, não refino.

A revenda é fraca. Volume alto e catálogo enorme deixam o mercado de usado lento, lógica que está em relógio é investimento.

A altura. A mediana japonesa é 12,5 mm, contra 11,6 mm do catálogo inteiro, conta detalhada em a espessura do relógio. Relógio japonês de mergulho é alto.

A ficha da loja é irregular. Noventa das 569 não declaram água nenhuma.

Não existe corda manual. Para quem quer o ritual, a categoria inteira não tem resposta.

Qual comprar

Compre Citizen se você quer solar. São 231 referências movidas a luz, e a marca é dona da tecnologia, tratada em Citizen Eco-Drive vale a pena.

Compre Seiko se reconhecimento importa. É o nome japonês que a mesa identifica, e a linha de entrada está em Seiko 5 Sports vale a pena.

Compre Orient se o motivo é mecânica barata. Ela fabrica o próprio movimento e tem a menor mediana das quatro, panorama em Orient vale a pena.

Compre um Promaster se água é uso real. É onde a categoria entrega 200 metros por menos de três mil, caso em Citizen Promaster Diver vale a pena.

Não compre se você quer refino de acabamento ou corda manual. Nos dois casos a resposta está do outro lado do mapa, em relógio alemão vale a pena.

Perguntas frequentes

Relógio japonês é bom?

É, e o argumento é ficha por real gasto. São 569 referências no Brasil com mediana de R$ 4.284, e 196 delas fazem 200 metros de água ou mais.

Quais são as marcas de relógio japonesas?

As quatro grandes são Citizen, Seiko, Orient e Casio. No catálogo brasileiro a Citizen tem 341 referências, a Seiko 176, a Orient 50 e a Casio 2.

Quanto custa um relógio japonês no Brasil?

De R$ 1.530 a R$ 19.890, com mediana em R$ 4.284. Vinte e oito das 33 referências abaixo de três mil reais são japonesas.

Relógio japonês é melhor que suíço?

São propostas diferentes. O japonês entrega mais ficha por real, sobretudo água e tecnologia solar. O suíço entrega acabamento, reconhecimento de marca e revenda melhor.

Por que quase todo relógio solar é japonês?

Porque a tecnologia nasceu lá e continua concentrada. Das 268 referências solares do catálogo brasileiro, 260 são japonesas, e 231 são só da Citizen.

Existe relógio japonês de corda manual?

No catálogo brasileiro, nenhum. As 56 referências de corda manual à venda aqui são alemãs, suíças e uma francesa.

O que fica

O Japão ocupa um quarto do catálogo brasileiro e ocupa por um motivo claro.

São 569 referências com mediana de R$ 4.284, contra 92 alemãs com mediana de R$ 11.118, ou 61% a menos. E não é desconto.

Duzentas e sessenta das 268 referências solares do país são japonesas, ou 97%. Do lado alemão, zero. E o inverso também vale: nenhuma das 569 japonesas dá corda à mão, enquanto 21 das 56 cordas manuais do país são alemãs.

São duas indústrias olhando para o mesmo objeto e respondendo o oposto. Uma vende o relógio que pede a sua mão todo dia. A outra vende o que você nunca precisa lembrar que existe.

E há um número que decide muita compra: 196 das 569 fazem 200 metros ou mais, numa mediana de quatro mil e duzentos. Se o critério for ficha por real gasto, não existe discussão.

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