Relógio japonês vale a pena? São 24% do catálogo e 97% do solar
A Alemanha vende mecânica e cobra caro por isso. O Japão faz o oposto quase ponto por ponto, e o catálogo brasileiro deixa a diferença medida em número redondo.
Escrevemos há dois dias que a relojoaria alemã é 3,9% do catálogo brasileiro e concentra 38% de toda a corda manual do país.
O Japão é o espelho dessa frase, e o espelho é quase perfeito.
Marcas de relógios japoneses
Vale começar pela lista, porque é o que a maior parte de quem chega aqui está procurando.
São quatro marcas japonesas que aparecem com volume no varejo brasileiro, e elas ocupam faixas de preço bem diferentes entre si. Os números abaixo vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que abastece o radar, e contam peças prontas para sair.
| Marca | Peças prontas | Mediana |
|---|---|---|
| Orient | 3.415 | R$ 1.399 |
| Seiko | 1.532 | R$ 4.499 |
| Casio | 911 | R$ 699 |
| Citizen | 629 | R$ 4.000 |
Somadas, são 6.487 peças prontas de 9.265, ou 70% de tudo o que a gente vê disponível hoje. Sete em cada dez relógios prontos para sair no varejo que acompanhamos são japoneses.
Vale explicar o que cada uma faz, porque o nome sozinho não diz.
A Orient é a de maior volume e a mais barata na mediana. Ela fabrica o próprio movimento mecânico, o que é raro nessa faixa, e é onde mora a maior parte do automático acessível do mercado.
A Seiko é a mais cara das quatro na mediana e a de catálogo mais largo, indo de peça de entrada a relógio de dezenas de milhares de reais.
A Casio é a mais barata de todas, com mediana abaixo de setecentos reais, e é quase toda digital e de quartzo.
A Citizen fica próxima da Seiko em preço e é a casa da carga por luz, tecnologia que ela chama de Eco-Drive.
Existem outras marcas japonesas no mundo, algumas bastante prestigiadas, mas elas praticamente não chegam ao varejo brasileiro que a gente acompanha. Quem procura uma delas aqui vai depender de importação.
Quem é japonês no Brasil
A seção anterior contou peças prontas nas vinte lojas do nosso radar. Esta aqui muda de fonte de propósito, e a mudança importa.
Os números a seguir vêm do catálogo completo de uma importadora multimarcas que a gente acompanha, com 2.357 referências. É uma amostra bem menor e com outro perfil, mais pesada em suíço, e por isso serve para comparar país com país sem o peso de volume do varejo popular.
Dentro desse catálogo são 569 referências japonesas, de R$ 1.530 a R$ 19.890, com mediana em R$ 4.284.
| Marca | Referências | Faixa | Mediana |
|---|---|---|---|
| Citizen | 341 | R$ 2.244 a R$ 19.890 | R$ 4.284 |
| Seiko | 176 | R$ 2.652 a R$ 15.606 | R$ 4.590 |
| Orient | 50 | R$ 2.448 a R$ 12.444 | R$ 3.468 |
| Casio | 2 | R$ 1.530 a R$ 10.098 | R$ 5.814 |
Quinhentas e sessenta e nove de 2.357. O Japão é 24% desse catálogo, ou quase um relógio em cada quatro. No varejo mais amplo que medimos na seção anterior essa fatia é bem maior, de 70%, e a diferença entre os dois números é justamente o peso do volume popular.
Compare com o outro polo que já medimos. A Alemanha tem 92 referências e mediana de R$ 11.118, conta que está em relógio alemão vale a pena.
| Japonesas | Alemãs | |
|---|---|---|
| Referências | 569 | 92 |
| Fatia do catálogo | 24% | 3,9% |
| Mediana | R$ 4.284 | R$ 11.118 |
A mediana japonesa é 61% mais baixa. Não é desconto, é outro modelo de negócio, e as duas seções seguintes mostram exatamente onde ele aparece.
O guia da Monochrome sobre os polos da relojoaria chama essas quatro casas de as grandes do Japão e explica a diferença numa palavra: verticalização.
A Seiko fabrica dentro de casa desde o escape até a espiral. A Citizen mantém a divisão Miyota, que vende movimento para o mundo inteiro, inclusive para concorrente dela, panorama em Miyota, o movimento japonês e na ficha do grupo Citizen.
É essa integração que explica o preço. Quem fabrica o próprio movimento não paga margem de fornecedor, e as duas casas ainda vendem calibre para fora, o que dilui o custo de desenvolvimento em volume que nenhuma marca suíça de entrada alcança.
Noventa e sete por cento do solar
Aqui está o número que define a categoria.
Levantamos as referências movidas a luz do catálogo inteiro. São 268. Delas, 260 são japonesas.
| Marca | Referências solares |
|---|---|
| Citizen | 231 |
| Seiko | 28 |
| Tissot | 8 |
| Casio | 1 |
Noventa e sete por cento de todo o solar à venda no Brasil é japonês, e uma marca só, a Citizen, responde por 86% do total.
Do lado alemão, o número é zero. Nenhuma das 92 referências é movida a luz.
O funcionamento está em Citizen Eco-Drive vale a pena, e o resumo prático é curto: o mostrador é uma célula solar, luz de ambiente carrega a bateria, e o relógio nunca precisa de troca de pilha.
Isso resolve o defeito mais chato do quartzo comum, que é a pilha morrer na gaveta. E resolve sem o defeito da mecânica, que é errar segundos por dia, régua que está em quantos segundos um relógio pode errar.

Nenhuma corda manual
O outro lado do espelho é ainda mais limpo.
Nenhuma das 569 referências japonesas dá corda à mão. Zero.
O catálogo brasileiro tem 56 relógios de corda manual, e eles se distribuem assim:
| Marca | Corda manual |
|---|---|
| Hamilton | 24 |
| Laco | 10 |
| Nomos | 10 |
| Maen | 5 |
| Baltic | 3 |
| Tissot | 2 |
| Outras | 2 |
Alemãs, suíças e uma francesa. Japonesa, nenhuma.
E isso não é acaso de sortimento, é filosofia de produto. Corda manual pede que o dono participe do funcionamento todo dia. A escola japonesa desta faixa vende exatamente o contrário: o relógio que você não precisa lembrar que existe.
Some as duas seções e o retrato fecha:
| Japonesas | Alemãs | |
|---|---|---|
| Solar | 260 | 0 |
| Corda manual | 0 | 21 |
Duas indústrias olhando para o mesmo objeto e chegando em respostas opostas.
Onde o preço aparece
Vale mostrar onde a mediana mais baixa se materializa, porque não é em toda parte.
Vinte e oito das 33 referências abaixo de R$ 3.000 são japonesas. O levantamento inteiro dessa faixa está em relógio até R$ 3.000, e o resumo é que quase não existe relógio de marca ali. O que existe é quase todo do Japão.
E a água não acompanha o preço para baixo:
| Água declarada | Referências japonesas |
|---|---|
| 100 metros | 220 |
| 200 metros | 190 |
| 50 metros | 55 |
| 1.000 metros | 5 |
| 300 metros | 2 |
| 30 metros | 7 |
Cento e noventa e seis fazem 200 metros ou mais. Numa mediana de quatro mil e duzentos reais, isso é o dobro do que boa parte do suíço de vestir entrega por três vezes o preço, régua que está em 30, 50, 100 e 200 metros.
O panorama de mergulhador está no texto técnico da Monochrome.

Onde a categoria perde
Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.
O acabamento de perto. Chanfro polido, transição de elo e fecho ficam abaixo do suíço de preço equivalente. A categoria entrega ficha, não refino.
A revenda é fraca. Volume alto e catálogo enorme deixam o mercado de usado lento, lógica que está em relógio é investimento.
A altura. A mediana japonesa é 12,5 mm, contra 11,6 mm do catálogo inteiro, conta detalhada em a espessura do relógio. Relógio japonês de mergulho é alto.
A ficha da loja é irregular. Noventa das 569 não declaram água nenhuma.
Não existe corda manual. Para quem quer o ritual, a categoria inteira não tem resposta.
Qual comprar
Compre Citizen se você quer solar. São 231 referências movidas a luz, e a marca é dona da tecnologia, tratada em Citizen Eco-Drive vale a pena.
Compre Seiko se reconhecimento importa. É o nome japonês que a mesa identifica, e a linha de entrada está em Seiko 5 Sports vale a pena.
Compre Orient se o motivo é mecânica barata. Ela fabrica o próprio movimento e tem a menor mediana das quatro, panorama em Orient vale a pena.
Compre um Promaster se água é uso real. É onde a categoria entrega 200 metros por menos de três mil, caso em Citizen Promaster Diver vale a pena.
Não compre se você quer refino de acabamento ou corda manual. Nos dois casos a resposta está do outro lado do mapa, em relógio alemão vale a pena.
Perguntas frequentes
Relógio japonês é bom?
É, e o argumento é ficha por real gasto. São 569 referências no Brasil com mediana de R$ 4.284, e 196 delas fazem 200 metros de água ou mais.
Quais são as marcas de relógio japonesas?
As quatro grandes são Citizen, Seiko, Orient e Casio. No catálogo brasileiro a Citizen tem 341 referências, a Seiko 176, a Orient 50 e a Casio 2.
Quanto custa um relógio japonês no Brasil?
De R$ 1.530 a R$ 19.890, com mediana em R$ 4.284. Vinte e oito das 33 referências abaixo de três mil reais são japonesas.
Relógio japonês é melhor que suíço?
São propostas diferentes. O japonês entrega mais ficha por real, sobretudo água e tecnologia solar. O suíço entrega acabamento, reconhecimento de marca e revenda melhor.
Por que quase todo relógio solar é japonês?
Porque a tecnologia nasceu lá e continua concentrada. Das 268 referências solares do catálogo brasileiro, 260 são japonesas, e 231 são só da Citizen.
Existe relógio japonês de corda manual?
No catálogo brasileiro, nenhum. As 56 referências de corda manual à venda aqui são alemãs, suíças e uma francesa.
O que fica
O Japão ocupa um quarto do catálogo brasileiro e ocupa por um motivo claro.
São 569 referências com mediana de R$ 4.284, contra 92 alemãs com mediana de R$ 11.118, ou 61% a menos. E não é desconto.
Duzentas e sessenta das 268 referências solares do país são japonesas, ou 97%. Do lado alemão, zero. E o inverso também vale: nenhuma das 569 japonesas dá corda à mão, enquanto 21 das 56 cordas manuais do país são alemãs.
São duas indústrias olhando para o mesmo objeto e respondendo o oposto. Uma vende o relógio que pede a sua mão todo dia. A outra vende o que você nunca precisa lembrar que existe.
E há um número que decide muita compra: 196 das 569 fazem 200 metros ou mais, numa mediana de quatro mil e duzentos. Se o critério for ficha por real gasto, não existe discussão.
