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Baume et Mercier vale a pena? Dezenove das vinte e seis são quartzo

Gustavo Grossi Atualizado em 7 min de leitura
Baume et Mercier Classima de mostrador azul e pulseira de couro sobre linho claro

Se você busca um relógio social discreto de uma marca suíça histórica, a Baume et Mercier pode valer a pena. No Brasil, porém, a vitrine tem 26 referências entre R$ 11.526 e R$ 19.992, e 19 delas usam quartzo. O movimento (o mecanismo do relógio) próprio da marca, o Baumatic, quase não aparece por aqui. Isso atende quem prioriza acabamento e discrição; para quem quer mais mecânica pelo mesmo dinheiro, há alternativas. A marca também mudou de dono recentemente, o que pode mexer no futuro.

Existe uma casa suíça de quase duzentos anos que fez o próprio movimento, entrou num grupo de luxo e acabou de sair dele. O que ela vende no Brasil não conta nada dessa história.

O que é a Baume et Mercier

Ela remonta a 1830, o que a coloca entre as mais antigas da relojoaria suíça, mais velha que Tissot, Longines e quase todo mundo desta faixa. É uma maison — termo usado para casa ou marca tradicional.

A parte moderna da história é de grupo. A Richemont comprou a marca em 1988 e a manteve ao lado de Cartier, IWC, Piaget e Vacheron Constantin.

E aqui está a novidade que muda o presente: a Richemont acertou a venda da Baume et Mercier para o grupo italiano Damiani, de joalheria familiar.

Trocar de dono não muda o relógio que está na vitrine hoje. Muda o que vem depois, e é bom saber disso antes de comprar pensando em revenda.

O catálogo dela se organiza em poucas linhas:

A linha O que ela é
Classima o social, e a entrada
Clifton o mais completo, com o calibre próprio (calibre é o modelo do mecanismo)
Hampton o de caixa retangular
Riviera o esportivo de bracelete integrado

O calibre próprio que ela fez

Aqui está o feito técnico da casa, e ele é grande de verdade. Movimento é o mecanismo que faz o relógio funcionar; calibre é o modelo desse mecanismo.

Em 2018 a marca apresentou o Baumatic, o primeiro movimento de fabricação própria dela, e ele estreou na linha Clifton.

A análise da Monochrome sobre o Clifton Baumatic mostra a proposta: cinco dias de reserva de marcha, resistência magnética e versões com certificação de cronômetro. Reserva de marcha é o tempo que o relógio continua funcionando fora do pulso.

Cinco dias é o mesmo território do Oris Calibre 400, e é o dobro do que o Powermatic 80 da concorrência entrega.

Guarde esse número, porque a próxima seção vai mexer com ele.

O que chega ao Brasil

Antes dos números, o básico: quartzo usa bateria; automático é um tipo de relógio mecânico que se carrega com o movimento do pulso. E referência é o código ou a variante específica de um modelo.

Agora o achado deste post, e ele repete um padrão que já vimos. Nesta amostra local, o recorte de movimento é este:

Refs
Quartzo 19
Automático 6

Dezenove de vinte e seis. A prateleira brasileira da Baume et Mercier é, na prática, uma prateleira de quartzo que começa em R$ 11.526.

E a linha que chega é quase toda Classima, que é a de entrada. O Clifton com o Baumatic, que é o argumento técnico da casa, praticamente não aparece.

Para preço, o desenho fica assim:

Peça Preço
Piso, Classima R$ 11.526
Classima azul R$ 11.526
Classima quartzo azul R$ 11.526
Teto R$ 19.992

A mediana fica em R$ 15.198 — mediana é o valor que fica no meio da amostra. Em outras palavras, a vitrine real sai mais cara do que o menor preço sugere.

Esse é o mesmo desenho de TAG Heuer vale a pena, onde 19 das 20 referências brasileiras também são de quartzo. Duas marcas de nome forte, dois catálogos de entrada com preço de topo.

Dezenove das vinte e seis referências brasileiras são de quartzo.
Dezenove das vinte e seis referências brasileiras são de quartzo.

O que o mesmo dinheiro compra

Aqui está a comparação que a loja não vai fazer. Bisel é o aro em volta do mostrador; quando a gente diz “bisel interno”, é um anel dentro do vidro que cumpre essa função.

Com R$ 11.526, que é o piso da Baume et Mercier aqui, você compra:

Alternativa O que ela entrega
Longines HydroConquest automático de marca forte, R$ 10.098
Zodiac Super Sea Wolf automático e bisel interno, R$ 11.220
Mido Multifort automático, e sobra troco
Tissot Le Locle COSC cronômetro certificado, e sobra muito
Hamilton Jazzmaster automático, R$ 6.120

Quatro dessas custam menos e entregam movimento mecânico. Uma delas é cronômetro certificado por quase metade. Em geral, isso sugere melhor “mecânica por real”.

As fichas estão em Longines HydroConquest, Zodiac vale a pena, Mido Multifort e Tissot Le Locle.

Isso não decide a compra sozinho. Nome de maison de quase duzentos anos vale dinheiro para muita gente, e é um motivo legítimo. Só precisa entrar na conta com todas as letras.

O Classima, que é o que realmente chega

Vale abrir a linha que responde por quase todo o catálogo brasileiro, porque é ela que você vai encontrar na loja.

O Classima é o social da casa, e a proposta dele é de subtração. Mostrador limpo, índices finos, caixa polida de proporção clássica e nada mais.

É o oposto do que quase toda marca faz nessa faixa de preço. A partir de dez mil reais, a tentação é acrescentar coisa: bisel trabalhado, contador, textura, janela grande.

O Classima não acrescenta nada, e é por isso que ele funciona com terno. Ele some sob o punho e reaparece só quando você levanta o braço.

O contexto de movimento também vale entender antes de decidir o degrau, e a Monochrome tem um panorama sobre mecânico contra quartzo que explica o que cada um entrega. A ironia da linha é que o quartzo, que decepciona o entusiasta, é tecnicamente o mais coerente com a proposta: fino, preciso e costuma passar anos sem revisão.

O Classima não acrescenta nada, e é por isso que ele funciona com terno.
O Classima não acrescenta nada, e é por isso que ele funciona com terno.

Onde ela perde

Vale ser específico, porque nessa faixa o erro é caro.

  • O calibre próprio não vem. O Baumatic de cinco dias é o argumento da casa e ele praticamente não aparece no catálogo daqui.
  • O piso é de quartzo. Onze mil e quinhentos reais numa marca dessa idade e com bateria dentro exige gostar muito do nome.
  • Ela acabou de trocar de dono. Mudança de grupo mexe com rede de assistência e com posicionamento, e ninguém sabe ainda como.
  • O nome é fraco no Brasil. Fora do público de joalheria, Baume et Mercier não tem o reconhecimento de TAG Heuer nem de Longines.
  • A revenda é estreita. Marca pouco conhecida aqui tem saída lenta, como discute relógio é investimento.

Onde ela ganha

E o outro lado, que é real.

  • O acabamento é de maison. Caixa polida, mostrador bem resolvido e proporção correta são o padrão da casa, e isso se vê de perto.
  • O Classima é discreto de verdade. Ele é o relógio de camisa mais sóbrio desta faixa, sem nada gritando.
  • Quartzo é prático. Preciso, fino e costuma passar anos sem revisão; a régua está em quantos segundos um relógio pode errar.
  • A história é verdadeira. Mil oitocentos e trinta não é invenção de marketing, e poucas marcas desta lista chegam perto.
  • O tamanho é contido. A linha vive na faixa de relógio de vestir, o que é cada vez mais raro.

Qual comprar

  • Compre o Classima se você quer discrição de maison. É o mais sóbrio da faixa e o mais fácil de usar com terno.
  • Compre se o nome e a idade da casa te movem. Esse é o motivo legítimo e ele não precisa de defesa técnica.
  • Confira o movimento na ficha antes de fechar. Dezenove das 26 referências daqui são de quartzo.
  • Não compre esperando o Baumatic. O calibre de cinco dias praticamente não chega ao Brasil.
  • Não compre se mecânica por real é o que te move. Nessa conta a marca perde para Longines, Mido e Hamilton com folga.

Perguntas frequentes

A Baume et Mercier é uma marca boa?

É uma casa suíça que remonta a 1830, com acabamento de maison e história real. O que falta no Brasil é o movimento próprio dela.

A Baume et Mercier é automática?

Poucas. Das 26 referências brasileiras, apenas 6 são automáticas e 19 são de quartzo.

Quanto custa uma Baume et Mercier no Brasil?

De R$ 11.526 a R$ 19.992, em 26 referências, com mediana em R$ 15.198.

O que é o movimento Baumatic?

É o primeiro calibre de fabricação própria da marca, lançado em 2018, com cinco dias de reserva de marcha e resistência magnética.

A Baume et Mercier ainda é da Richemont?

A Richemont acertou a venda da marca para o grupo italiano Damiani. Ela ficou no grupo suíço de 1988 até essa mudança.

Baume et Mercier ou Longines?

A Longines entrega movimento automático por menos e tem nome muito mais forte no Brasil. A Baume et Mercier entrega acabamento de maison e discrição.

Em resumo

A Baume et Mercier é uma das casas mais antigas da relojoaria suíça, fez o próprio movimento de cinco dias e acabou de mudar de dono depois de 36 anos.

Nada disso está na vitrine brasileira. O que chega são 26 referências, quase todas Classima, e 19 delas de quartzo, a partir de R$ 11.526.

É o mesmo retrato da TAG Heuer: linha de entrada lá fora, preço de topo aqui, e o produto que sustenta o nome ficando na Europa.

Comprar pelo acabamento e pela discrição é motivo honesto, e ela entrega os dois. Comprar pelo Baumatic é comprar uma manchete que não atravessou o oceano.

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