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Bulova Futuro: mediana de quase cinco mil reais, e cristal mineral em vinte e duas das vinte e seis

Gustavo Grossi 8 min de leitura
Bulova Futuro de mostrador azul e bracelete integrado de dois tons sobre superfície clara

Existe uma linha da Bulova que custa acima da mediana da marca e entrega menos ficha que ela. Não é opinião de gosto, é uma linha só da tabela, e ela aparece quando você compara a coleção com a própria casa.

Os números vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que abastece o radar. É o retrato do que a gente enxerga hoje, e não do mercado inteiro.

O que o Futuro é

A ficha da Bulova descreve uma casa americana de 1875 que construiu a identidade técnica moderna dela sobre eletrônica. Foi ela que lançou o Accutron, com diapasão no lugar do balanço, e depois o Precisionist, com quartzo de frequência muito acima do padrão da indústria.

O Futuro é outra coisa. Ele é a linha de desenho da casa, de caixa fina, perfil reto e bracelete integrado, que é aquele em que os elos saem direto da caixa sem alças aparentes.

Na nossa base a coleção aparece com 26 peças prontas para sair, de 49 anunciadas, com preço entre R$ 2.249 e R$ 6.790 e mediana em R$ 4.990.

Essa mediana é o número que organiza o resto do texto. Quase cinco mil reais coloca o Futuro acima da mediana da própria Bulova no Brasil, que fica perto de cinco mil segundo o levantamento de qual marca de relógio é mais barata, e bem acima do piso da marca.

Futuro na nossa base
Peças prontas 26 de 49
Mediana R$ 4.990
Safira 2 peças
Cristal mineral 22 peças
Caixa 42 mm em 17 delas
Pulseira aço em 25

O vidro destoa da própria marca

Vinte e duas das 26 peças prontas usam cristal mineral. Só duas trazem safira.

Vale parar aqui e explicar o que essa linha da ficha significa de verdade, porque ela é abstrata no anúncio e muito concreta no pulso.

Safira, no vocabulário de relojoaria, é óxido de alumínio cristalizado em laboratório. Ela marca 9 na escala de dureza de Mohs, onde o diamante é 10, e a consequência prática disso é que quase nada que você encontra no dia a dia consegue riscar o vidro.

Cristal mineral é vidro comum endurecido por tratamento térmico ou químico. Ele resiste a impacto razoavelmente bem, mas risca com areia de praia, com a quina de uma mesa, com a fivela de um cinto e com a chave do carro, conforme o verbete da Monochrome. E risco em vidro não tem conserto barato. Ou você troca o cristal, ou ele fica.

Agora o dado que dá contexto a isso. Entre tudo o que a gente acompanha na faixa de R$ 4.000 a R$ 6.000, que é onde a mediana do Futuro cai, a safira aparece em 55% dos anúncios. E dentro da própria Bulova, considerando todas as coleções prontas, a safira aparece em 60%.

Uma ressalva honesta sobre essa comparação. Colocar uma coleção lado a lado com uma faixa inteira de preço não isola nenhuma variável, porque cada coleção tem a sua mistura de tamanho, material e público. O que o número diz é mais simples que isso: é onde o Futuro está em relação a quem disputa o mesmo dinheiro.

E ele está atrás. Numa faixa em que mais da metade entrega safira, e numa marca que entrega safira em seis de cada dez peças, esta linha específica entrega em duas de vinte e seis.

Vinte e duas das vinte e seis peças prontas usam cristal mineral.
Vinte e duas das vinte e seis peças prontas usam cristal mineral.

Por que uma linha de desenho abre mão disso

Essa pergunta tem uma resposta técnica que raramente aparece no anúncio, e ela ajuda a decidir se o defeito é aceitável para você.

O Futuro é uma linha de caixa muito fina. Boa parte das peças prontas usa vidro plano ou levemente abaulado num perfil baixo, e é aí que a economia entra.

Safira é dura, mas é quebradiça. Cortar e polir uma lâmina de safira fina custa caro, e quanto mais fina a peça, mais difícil fica manter resistência a impacto sem engrossar o conjunto. Cristal mineral é mais fácil de trabalhar em espessuras pequenas e absorve melhor uma pancada seca.

Então existe um argumento real de engenharia por trás da escolha, e não apenas corte de custo. O problema é que esse argumento nunca chega ao comprador. O anúncio informa o material quando informa, sem explicar a troca, e quem paga cinco mil reais tende a supor que está levando o vidro melhor.

Vale dizer também o que isso não significa. Cristal mineral não é vidro ruim nem sinal de peça mal feita. Ele é a escolha padrão de boa parte do mercado abaixo de dois mil reais, e funciona bem em relógio que não encosta em areia.

A questão é de proporção entre o que se paga e o que se leva, e é por isso que esta linha em particular merece atenção.

Futuro ou Modern

A comparação mais útil aqui não é com outra marca. É com a coleção vizinha dentro da própria Bulova, porque as duas disputam o mesmo comprador e a mesma faixa.

Futuro Modern
Peças prontas 26 17
Mediana R$ 4.990 R$ 4.499
Safira 2 2
Cristal mineral 22 15
Caixa 42 mm em 17 41 mm em 9

O que salta é a semelhança. As duas linhas têm mediana próxima de quatro mil e quinhentos a cinco mil reais, e as duas entregam cristal mineral na esmagadora maioria das peças prontas.

Isso muda a leitura do problema. Não é que o Futuro seja uma exceção infeliz dentro da casa. É que as coleções de desenho fino da Bulova, as que vendem estilo e perfil baixo, são justamente as que ficam com o vidro mais simples.

Quem quer a marca com safira precisa procurar em outro lugar do catálogo. As linhas de mergulho da casa, por exemplo, trazem safira e movimento automático sem exceção, como levantamos em Bulova Oceanographer vale a pena.

Ou seja, a safira existe na Bulova e é abundante. Ela só não mora nas linhas de desenho.

O bracelete sai direto da caixa, sem alças aparentes, e é esse desenho que a linha vende.
O bracelete sai direto da caixa, sem alças aparentes, e é esse desenho que a linha vende.

Onde ele decepciona

Além do vidro, a disponibilidade é média. São 26 peças prontas de 49 anunciadas, ou 53%, então praticamente metade do que aparece numa busca ainda não sai hoje.

A ficha para cedo. Espessura, calibre e resistência à água não aparecem de forma comparável nos anúncios que acompanhamos, que é o padrão medido em o que o anúncio não diz. Num relógio de bracelete integrado a espessura seria justamente o número mais relevante, porque é o que decide se ele entra sob o punho da camisa.

A cor concentra. Dezessete das 26 peças prontas têm mostrador preto, o que deixa pouca escolha para quem quer outra coisa.

E o movimento se divide sem avisar. Dezesseis peças prontas são de quartzo e oito são automáticas, e a diferença de preço entre as duas versões dentro de uma mesma linha costuma girar em torno de 32%, como medimos em quanto custa a mais um automático.

Qual comprar

Se o desenho é o que te trouxe aqui, e o bracelete integrado é o ponto, o Futuro entrega isso a partir de R$ 2.249 entre as peças prontas. É um preço competitivo para esse estilo de caixa, que costuma sair bem mais caro.

Se o relógio vai ser usado todo dia por anos, procure especificamente as duas peças com safira ou considere outra linha da casa. Cristal mineral em peça de uso diário chega marcado ao segundo ano, e isso derruba tanto o visual quanto a revenda.

Se a prioridade é mecânica, as oito peças automáticas resolvem, com a ressalva de que o vidro continua sendo o mesmo problema.

E se o critério é levar a melhor ficha possível por perto de cinco mil reais, vale abrir a comparação para fora da marca antes de decidir, porque nessa faixa mais da metade do mercado que acompanhamos entrega safira.

Perguntas frequentes

O Bulova Futuro vale a pena?

Vale pelo desenho e pelo bracelete integrado, que são raros nessa faixa. Não vale se a prioridade for ficha técnica, porque 22 das 26 peças prontas na nossa base usam cristal mineral em vez de safira.

Quanto custa um Bulova Futuro?

De R$ 2.249 a R$ 6.790 entre as peças prontas que a gente acompanha, com mediana em R$ 4.990.

O Bulova Futuro tem safira?

Duas das 26 peças prontas têm. As outras 22 usam cristal mineral, que risca com areia e com a quina de uma mesa.

O Bulova Futuro é automático?

Depende da peça. Entre as prontas na nossa base, dezesseis são de quartzo e oito são automáticas, então o campo precisa ser confirmado anúncio a anúncio.

Qual o tamanho do Bulova Futuro?

Quarenta e dois milímetros em dezessete das 26 peças prontas, um pouco acima da medida central de 40,5 mm do mercado que acompanhamos.

Qual linha da Bulova tem safira?

As de mergulho. As coleções de desenho fino, como Futuro e Modern, ficam quase todas com cristal mineral, enquanto a marca inteira entrega safira em 60% do que a gente acompanha.

O que fica

O Futuro é uma linha de desenho, e nisso ele cumpre. Caixa fina e bracelete integrado por R$ 2.249 no piso é coisa difícil de achar, e são 26 peças prontas na nossa base para escolher.

O preço disso aparece numa linha só da ficha. Vinte e duas das vinte e seis usam cristal mineral, e a mediana da coleção é R$ 4.990.

O contraste é o que dá a dimensão do problema. A própria Bulova entrega safira em 60% do que acompanhamos, e a faixa de quatro a seis mil reais entrega em 55%. Esta linha entrega em duas de vinte e seis.

Existe uma razão técnica para isso, ligada à dificuldade de fazer safira fina, e ela é legítima. Só que ela nunca aparece no anúncio, e quem paga cinco mil reais costuma supor o contrário. Por isso vale conferir o campo antes, e não depois.

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