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Quanto custa a mais o automático? Um terço, dentro da mesma linha

Gustavo Grossi 6 min de leitura
Dois relógios iguais abertos lado a lado, um com rotor à vista e outro com módulo de quartzo

A pergunta é velha e nunca teve número: quanto se paga a mais por um automático? A resposta exige comparar dentro da mesma linha, e quando se faz isso ela aparece limpa.

Por que a conta fácil erra

Comparar todos os automáticos do mercado com todos os quartzos não responde a pergunta. Automático aparece mais nas linhas caras, quartzo cobre a entrada, e o resultado mede quais relógios costumam vir de cada motor, não o preço do motor.

É a mesma armadilha que já mediu errado a cor do mostrador, desmontada em a cor do mostrador muda o preço.

O teste honesto é outro: pegar coleções que existem nas duas versões e comparar dentro delas. Foi o que fizemos, em 14 linhas do varejo brasileiro com peças disponíveis nas duas.

O prêmio dentro da linha

Linha Automático Quartzo Prêmio
TAG Heuer Formula 1 R$ 45.710 R$ 18.455 +148%
Tissot PRX R$ 8.520 R$ 4.550 +87%
Tissot Seastar R$ 9.400 R$ 5.420 +73%
Orient Sport R$ 1.498 R$ 898 +67%
Tissot Classic Dream R$ 5.910 R$ 3.740 +58%
Bulova Frank Sinatra R$ 7.490 R$ 5.240 +43%
Bulova Surveyor R$ 4.599 R$ 3.390 +36%
Timex Marlin R$ 2.549 R$ 1.999 +28%
Bulova Sutton R$ 4.870 R$ 3.990 +22%
Bulova Classic R$ 4.990 R$ 4.290 +16%
Bulova Marine Star R$ 5.990 R$ 5.790 +3%
Casio Vintage R$ 389 R$ 410 -5%
Citizen Promaster R$ 4.790 R$ 5.990 -20%
Seiko Prospex R$ 5.990 R$ 8.399 -29%

A mediana é +32%, e o automático sai mais caro em 11 das 14 linhas.

Um terço a mais é a régua que faltava nessa conversa. Se você está olhando um relógio de R$ 3.000 em quartzo, a versão automática da mesma linha tende a pedir perto de R$ 4.000.

E repare na dispersão: de -29% a +148%. O prêmio existe, mas não é uma taxa fixa, e em algumas linhas ele é grande o bastante para mudar a decisão sozinho.

Dentro da mesma coleção, o automático custa 32% a mais na mediana.
Dentro da mesma coleção, o automático custa 32% a mais na mediana.

As duas linhas onde ele inverte

Prospex e Promaster merecem explicação, porque nelas o quartzo custa mais.

Não é anomalia de preço, é o nome da coleção cobrindo produtos diferentes.

Na Seiko Prospex, os quartzos disponíveis mais caros são da série SUR, as linhas Marine Sports e Land Series, que chegam a R$ 11.999. Já os automáticos mais baratos da mesma coleção começam em R$ 3.689, com o Land Tortoise.

Ou seja, dentro de um rótulo só convivem um mergulhador de entrada mecânico e um relógio de aço bem mais caro de quartzo. A comparação técnica continua válida, e o detalhe da linha está em Seiko Prospex vale a pena.

O mesmo vale para a Citizen Promaster, onde a linha reúne desde o mergulhador de entrada até peças solares e de instrumentos.

A lição prática é útil: coleção não é referência. Quando a diferença aparecer invertida, é sinal de que o nome está juntando coisas demais.

Em Prospex e Promaster o quartzo custa mais, porque o nome junta produtos diferentes.
Em Prospex e Promaster o quartzo custa mais, porque o nome junta produtos diferentes.

O que você compra com os 32%

Vale ser honesto, porque o prêmio não compra a coisa que a maioria imagina.

Não compra precisão. Quartzo mede melhor que qualquer mecânica, com margem larga, conforme o comparativo da Monochrome, e a régua está em quantos segundos um relógio pode errar.

Compra o mecanismo. O verbete sobre relógio mecânico descreve o peso oscilante que dá corda com o movimento do pulso. É a peça que você vê pelo fundo de vidro e que não precisa de pilha.

Compra autonomia diferente, não maior. Reserva típica de dois dias contra anos de uma pilha, conceito no verbete da Monochrome sobre reserva e a régua em reserva de marcha de 40 ou 80 horas.

Cobra manutenção. Mecânico vai a revisão, quartzo quase não vai, e o custo está em revisão de relógio quanto custa.

E existe um terceiro caminho que resolve parte disso. O movido a luz não tem pilha para trocar nem revisão de mecânica, e são 2.557 anúncios no país, em relógio solar vale a pena.

Onde a conta falha

Coleção não é referência. É o melhor controle disponível, e ainda junta produtos diferentes, como Prospex e Promaster mostram.

Amostra pequena em algumas linhas. Classic Dream tem 8 automáticos e Frank Sinatra, 8 quartzos.

É preço de anúncio. Desconto e negociação não aparecem.

Só peça disponível entrou. Preço de peça que não existe não é preço, régua em só 40% do relógio anunciado está disponível.

O campo do movimento falha às vezes. São 2.203 anúncios que não declaram, conta em o que o anúncio não diz.

Marca cara distorce. O +148% da Formula 1 vem de uma linha em que os automáticos são cronógrafos e os quartzos não.

Como decidir

Se o motivo é precisão, escolha quartzo e economize 32%. Ele mede melhor, e o prêmio não compra exatidão.

Se o motivo é o mecanismo, o prêmio é justo. Um terço a mais pela peça que gira sozinha é o preço de mercado, não abuso.

Compare sempre dentro da mesma linha. Fora dela você compara produtos, não motores.

Na Tissot PRX, faça a conta duas vezes. São 87% de diferença, a maior entre as linhas de volume.

Se a diferença aparecer invertida, desconfie do rótulo. Foi o que aconteceu em Prospex e Promaster.

Considere o solar como terceira via. Sem pilha e sem revisão de mecânica.

Não pague prêmio de automático em linha com pouca oferta. Se existem poucas peças prontas, o preço não está sendo disputado.

Perguntas frequentes

Quanto custa a mais um relógio automático?

Dentro da mesma coleção, 32% a mais na mediana. O prêmio vai de -29% a +148% dependendo da linha, e o automático é mais caro em 11 das 14 linhas medidas.

Automático é melhor que quartzo?

Não em precisão: o quartzo mede melhor com folga. O automático entrega mecanismo visível e ausência de pilha, e cobra por isso.

Em qual linha o automático é mais caro que o quartzo?

Na TAG Heuer Formula 1, com 148% de diferença, e na Tissot PRX, com 87%. Nas duas o automático parte de uma versão diferente da linha.

Existe linha em que o quartzo custa mais?

Existem duas: Seiko Prospex, com o automático 29% mais barato, e Citizen Promaster, com 20%. Nos dois casos o nome da coleção cobre produtos muito diferentes.

Vale pagar mais por um automático?

Vale se você quer o mecanismo e aceita a revisão. Não vale se o objetivo é marcar hora com exatidão, porque aí o quartzo entrega mais por menos.

Qual a alternativa ao automático sem pilha?

O relógio movido a luz. São 2.557 anúncios no Brasil, com precisão de quartzo e sem troca de pilha rotineira.

O que fica

A pergunta tinha resposta de boteco e agora tem número. Dentro da mesma coleção, o automático custa 32% a mais na mediana, e é mais caro em 11 das 14 linhas com as duas versões à venda.

O intervalo é largo, de -29% a +148%, então a régua serve para calibrar expectativa e não para prever preço. Na Tissot PRX o salto é de 87%, e na Bulova Marine Star é de 3%.

As duas inversões ensinam mais que a média. Em Prospex e Promaster o quartzo custa mais porque o nome da coleção junta produtos que não são comparáveis entre si, do mergulhador de entrada mecânico ao relógio de aço caro de quartzo.

E o prêmio não compra a coisa que a maioria acha que compra. Ele não compra precisão, que o quartzo entrega melhor e mais barato. Compra o rotor, o fundo de vidro e a ausência de pilha, e cobra revisão em troca.

Um terço a mais é um preço honesto por isso. Só é bom saber que é isso que está sendo comprado.

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