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Primeiro relógio automático: por onde ele começa de verdade no Brasil

Gustavo Grossi 6 min de leitura
Relógio automático de aço visto pelo fundo de vidro, com o rotor à mostra

Quase todo entusiasta começa querendo um automático e trava na mesma pergunta: por quanto se entra. Levantamos o piso de cada marca no que está de fato à venda.

O tamanho da oferta

O mercado brasileiro tem 3.594 relógios automáticos com peça pronta para sair. Não é catálogo: é o que existe na caixa.

É uma oferta grande, e ela é concentrada de um jeito que muda a busca:

Marca Automáticos prontos
Orient 1.573
Seiko 1.015
Bulova 262
Tissot 172
Mido 110
Citizen 102
TAG Heuer 75
Timex 67
Spinnaker 63

A Orient sozinha responde por 44% de tudo, e com a Seiko passa de 70%. Quem procura o primeiro automático está, na prática, escolhendo entre duas casas japonesas, situação que se repete no mercado inteiro, medida em marca no catálogo e na prateleira.

O piso de cada marca

Agora o número que a pergunta pede:

Marca Piso Mediana
Orient R$ 860 R$ 1.860
Citizen R$ 1.450 R$ 3.990
Timex R$ 1.698 R$ 2.999
Seiko R$ 1.799 R$ 4.499
Bulova R$ 2.249 R$ 5.490
Spinnaker R$ 2.790 R$ 4.590
Tissot R$ 3.000 R$ 8.520
Mido R$ 3.599 R$ 10.900
TAG Heuer R$ 15.749 R$ 47.110

O automático mais barato do Brasil com peça pronta custa R$ 860, e é um Orient de caixa retangular.

A entrada japonesa fica entre R$ 860 e R$ 1.799. A suíça começa em R$ 3.000 com a Tissot, ou seja, mais de três vezes acima.

A armadilha do piso mais barato

Aqui vale um aviso que vale dinheiro, e ele tem duas partes.

Piso não descreve a marca. Olhe a coluna da direita: a Seiko entra em R$ 1.799 e tem mediana de R$ 4.499, duas vezes e meia acima. A Orient entra em R$ 860 e mediana em R$ 1.860.

O piso é uma peça de exceção do catálogo. O que você provavelmente vai comprar é a mediana, e a distância entre as duas é o que costuma surpreender, ponto detalhado em qual marca de relógio é mais barata.

E uma marca ficou de fora desta tabela de propósito. A Casio aparece no levantamento com automáticos a partir de R$ 180, e o número é falso: as peças listadas assim são os digitais de resina da casa, com o campo de movimento preenchido errado pela loja.

É o tipo de erro de cadastro que o levantamento inteiro sofre, medido em o que o anúncio não diz. Aqui ele importa porque um automático de R$ 180 não existe, e acreditar nele estraga a pesquisa.

A entrada japonesa fica entre R$ 860 e R$ 1.799. A suíça começa em R$ 3.000.
A entrada japonesa fica entre R$ 860 e R$ 1.799. A suíça começa em R$ 3.000.

O que muda depois da compra

O automático cobra coisas que o quartzo não cobra, e é melhor saber antes.

Ele atrasa mais. Mecânica não mede tão bem quanto quartzo, e a diferença é larga, conforme o comparativo da Monochrome. A régua do que é aceitável está em quantos segundos um relógio pode errar.

Ele para se ficar parado. O verbete sobre relógio mecânico descreve o peso oscilante que dá corda com o movimento do pulso: sem pulso, sem corda. A reserva típica é de dois dias, conceito no verbete da Monochrome sobre reserva e a régua em reserva de marcha de 40 ou 80 horas.

Ele vai a revisão. Quartzo quase nunca vai, e o custo está em revisão de relógio quanto custa.

Ele custa mais que o irmão de quartzo. Dentro da mesma linha, 32% a mais na mediana, medido em quanto custa a mais um automático.

Nada disso é argumento contra. É o preço de ter o mecanismo, e quem quer o mecanismo acha justo.

Onde a conta falha

O campo do movimento erra. São 2.203 anúncios que não declaram e alguns que declaram errado, como o caso da Casio mostra.

É preço de anúncio. Desconto e negociação não aparecem.

Só entrou o que está disponível. Preço de peça inexistente não é preço, régua em só 40% do relógio anunciado está disponível.

Piso é uma peça, não uma linha. Ele pode sumir amanhã.

A ficha não traz calibre. Então não dá para comparar o motor de duas peças sem perguntar.

Marca pequena tem amostra pequena. Spinnaker tem 63 peças e Timex, 67.

A Spinnaker, aliás, é um caso à parte entre as pequenas: ela não vende uma única peça de quartzo por aqui, e o retrato dela está em Spinnaker vale a pena.

A Orient responde por 1.573 dos 3.594 automáticos prontos do país.
A Orient responde por 1.573 dos 3.594 automáticos prontos do país.

Por onde começar

Comece na Orient se o orçamento manda. É o piso real do país, R$ 860, e a maior oferta pronta, com 1.573 peças.

Vá de Seiko se você quer o nome que a mesa reconhece. A entrada é R$ 1.799 e a linha é larga.

Olhe a Citizen se quer japonês fora do óbvio. Entra em R$ 1.450.

Prepare R$ 3.000 para a primeira suíça. É onde a Tissot começa, e não existe atalho abaixo disso com peça pronta.

Não compre automático por precisão. Ele mede pior que um quartzo de R$ 300.

Não confie em automático abaixo de R$ 800. Quase sempre é erro de cadastro.

Conte a revisão no orçamento. É a diferença de custo que só aparece no terceiro ano.

Perguntas frequentes

Quanto custa o relógio automático mais barato do Brasil?

R$ 860, um Orient de caixa retangular, entre as peças com estoque pronto. A entrada japonesa vai até R$ 1.799 na Seiko.

Qual o melhor primeiro relógio automático?

Para a maioria, um Orient ou um Seiko de entrada: juntos eles têm mais de 70% da oferta pronta do país, com piso em R$ 860 e R$ 1.799.

Quantos relógios automáticos existem à venda no Brasil?

São 3.594 com peça disponível de fato. A Orient responde por 1.573 deles.

Automático de R$ 180 existe?

Não. Esses anúncios são relógios digitais de quartzo com o campo de movimento preenchido errado pela loja.

Quanto custa a primeira suíça automática?

R$ 3.000 na Tissot, que é o piso suíço com peça pronta. A Mido começa em R$ 3.599 e a TAG Heuer em R$ 15.749.

Automático precisa de manutenção?

Precisa, e é a diferença de custo em relação ao quartzo. A revisão aparece depois de alguns anos e não é barata.

O que fica

O primeiro automático tem endereço, e ele é mais barato do que a conversa sugere.

O piso real do Brasil é R$ 860, num Orient, e a entrada japonesa toda cabe entre esse número e os R$ 1.799 da Seiko. A primeira suíça só aparece em R$ 3.000.

A oferta é grande e muito concentrada: são 3.594 peças prontas, e Orient e Seiko respondem por mais de 70% delas.

Duas ressalvas fecham a conta. Piso não é marca: a Seiko entra em R$ 1.799 e sua mediana é R$ 4.499. E automático de R$ 180 não existe, é digital com o campo preenchido errado.

O que você compra com o prêmio de um terço sobre o quartzo é o mecanismo, não a precisão. Se é isso que você quer, ele começa em oitocentos e sessenta reais.

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