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Spinnaker vale a pena? Ela tem 10 dos 12 meca-quartzo do Brasil

Gustavo Grossi 8 min de leitura
Spinnaker Bradner de mostrador azul e correia camel sobre pedra molhada

Existe um tipo de movimento que quase não chegou ao Brasil: são doze anúncios no varejo inteiro. Dez deles são da mesma marca, e ela custa menos de cinco mil reais.

Uma marca de menos de quinze anos, sem herança para vender, entra num mercado que vive de herança.

Ela resolveu isso decidindo bem duas linhas da ficha técnica.

Quem é a Spinnaker

A marca é britânica e é nova: foi fundada em 2013, dentro do grupo Dartmouth Brands, com operação ligada a Hong Kong.

Ela não tem passado militar nem uma encomenda de 1939 para contar, ao contrário da Stowa ou da Doxa. O que ela faz é o oposto: cita a era de ouro do mergulho autônomo, dos anos 50 aos 70, no desenho, e compete por ficha e por preço.

Isso a coloca numa categoria específica, a das microempresas de mergulho, e o que define um mergulhador está no texto técnico da Monochrome.

No Brasil ela é recente no retrato: são 149 anúncios, com 97 peças disponíveis, ou 65%, bem acima da média de mercado, que é 40%, conta em só 40% do relógio anunciado está disponível.

Safira em 92%

Aqui está a primeira decisão que a marca acertou.

Das 97 peças disponíveis, 89 declaram vidro de safira. São 92%.

Compare com o que a faixa de preço dela costuma entregar. Entre R$ 3.000 e R$ 6.000, o mercado brasileiro usa safira em 59% dos anúncios, levantamento em safira ou mineral.

Spinnaker A faixa de R$ 3.000 a R$ 6.000
Safira 92% 59%
Cristal mineral 8% 41%

O verbete da Monochrome explica por que isso importa: safira marca 9 na escala de Mohs, e só o diamante risca ela. Num relógio de ferramenta que bate em porta e mesa, é a diferença entre um cristal limpo e um cristal marcado no primeiro ano.

E o resto da ficha acompanha. Noventa das 97 disponíveis são automáticas, com caixas concentradas em 42 e 43 mm.

Vale a leitura de proporção. Quarenta e dois milímetros é grande para pulso médio brasileiro, e a marca tem 19 peças em 40 mm para quem precisa descer, método de medida em como medir o pulso.

O meca-quartzo, que quase não existe aqui

Este é o achado da marca, e ele é quase de exclusividade.

Varremos os 18.794 anúncios do varejo brasileiro procurando movimento meca-quartzo. Existem doze.

Marca Anúncios com meca-quartzo
Spinnaker 10
Timex 2

Dez dos doze meca-quartzo do país são Spinnaker. É 83% de um movimento inteiro concentrado numa marca só.

E vale explicar o que é, porque quase ninguém encontra o termo:

Meca-quartzo é um híbrido. A explicação da Gnomon descreve os dois módulos que convivem dentro da caixa: a hora é quartzo e o cronógrafo é mecânico.

Isso resolve o defeito que mais incomoda no cronógrafo de quartzo comum. Nele, a agulha do cronógrafo é movida por um motor de passo, então ela anda aos saltos e volta ao zero devagar, catracando.

No meca-quartzo a agulha varre de forma contínua e volta ao zero num estalo instantâneo, porque quem faz esse trabalho é uma peça mecânica de verdade, com embreagem e roda de coluna.

Ou seja: você leva a precisão do quartzo, que mede melhor que qualquer mecânica, conforme o comparativo da Monochrome, com o gesto de um cronógrafo mecânico.

Existe uma contrapartida honesta, e a própria fonte a registra: depois da troca de pilha, zerar as agulhas do cronógrafo não é trivial, porque não há a sequência de botões dos quartzos puros. É serviço de relojoeiro.

Dez dos doze meca-quartzo do varejo brasileiro são desta marca.
Dez dos doze meca-quartzo do varejo brasileiro são desta marca.

As linhas e os preços

Entre as 97 disponíveis, o preço vai de R$ 2.390 a R$ 6.990, com mediana em R$ 4.590.

Coleção Peças em estoque
Fleuss 24
Croft 17
Bradner 16
Hull 10
Dumas 9
Hass 8

A ficha do grupo:

Spinnaker disponível
Movimento automático em 90 de 97
Vidro safira em 89 de 97
Caixa 42 mm em 35, 43 mm em 33
Pulseira aço em 52, borracha em 23
Mostrador azul em 23, preto em 17, verde em 12

Repare no mostrador: azul é a cor mais comum da marca, o que é incomum. No mercado brasileiro inteiro o preto lidera com folga.

Noventa e dois por cento usam safira, contra 59% da faixa de preço dela.
Noventa e dois por cento usam safira, contra 59% da faixa de preço dela.

Onde ela perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

Não tem história. É de 2013, e numa categoria em que metade do argumento de venda é herança, isso pesa na revenda, lógica em relógio é investimento.

Ninguém reconhece o nome. Não é identificada numa mesa brasileira.

A assistência é de microempresa. Sem rede local, com o custo em revisão de relógio quanto custa.

A ficha não publica calibre. Nenhum dos anúncios diz qual movimento está dentro, o que num automático de quatro mil e quinhentos incomoda.

Zerar o meca-quartzo dá trabalho depois da troca de pilha.

A linha é curta. São 97 peças em estoque no país inteiro, então a cor e o tamanho que você quer podem simplesmente não existir hoje, situação detalhada em só 40% do relógio anunciado está disponível.

A marca que não vende quartzo

Tem um dado sobre a Spinnaker que só aparece quando você compara o catálogo dela com o das outras, e ele é mais raro do que a safira.

Medimos o movimento de 9.379 peças prontas na nossa varredura de vinte lojas, marca por marca. A Spinnaker apareceu com 94% de mecânica e nenhuma peça de quartzo pronta.

Marca Mecânica Pilha
Omega 100% 0%
Spinnaker 94% 0%
Mido 92% 8%
Hamilton 87% 13%
Seiko 79% 10%
Tissot 37% 61%

Vale entender o que isso significa, porque não é só uma curiosidade de tabela.

Quase toda marca acessível usa o quartzo como colchão. Ele custa pouco, mede a hora melhor e permite montar uma linha de entrada barata que sustenta o resto do catálogo. É o que Tissot, Bulova e Timex fazem, cada uma à sua maneira.

A Spinnaker não tem esse colchão. Ela entra no mercado com relógio a mola do piso ao teto, o que significa custo de fabricação mais alto em cada peça e nenhuma porta de entrada barata para puxar o comprador.

Para quem compra, isso muda a leitura da marca. O preço dela não é caro para uma microbrand: é o preço de quem só vende mecânica, sem diluir com uma linha de pilha. E explica por que ela precisou acertar o vidro, que é a outra decisão que a sustenta.

A tabela completa por marca está em mecânica, luz ou pilha por marca.

Qual comprar

Compre um Fleuss a partir de R$ 2.390 se você quer entrar na marca. É a coleção com mais peças em estoque.

Compre um meca-quartzo se cronógrafo é o motivo. São dez no país inteiro e a volta ao zero é instantânea.

Compre 40 mm se o pulso é médio. São 19 peças nessa medida, e o resto da marca fica em 42 e 43.

Compre azul se você quer a cor que a marca faz melhor. São 23 das 97.

Não compre esperando revenda. Marca nova de nicho tem saída lenta, e sem nome de catálogo o usado precifica pela ficha, e não pela etiqueta.

Não compre sem conferir a água. A ficha da loja não publica o dado, e numa marca que vende mergulho esse é o campo que decide o uso, régua em 30, 50, 100 e 200 metros.

O relógio Spinnaker é bom

Vale responder direto, porque é a pergunta que traz a maior parte de quem chega aqui.

Pela ficha técnica, é bom, e acima do que a faixa de preço dele costuma entregar. As três linhas que sustentam essa resposta:

Spinnaker A faixa dele
Safira 92% 59%
Automático 90 de 97 não é padrão
Preço de entrada R$ 2.390

Um automático com safira a partir de R$ 2.390 é uma proposta coerente, e a marca ainda concentra dez dos doze meca-quartzo do país.

O que ele não é bom é de nome. A casa é de 2013, ninguém identifica o mostrador numa mesa brasileira, e não existe rede de assistência local. Numa categoria em que metade do argumento de venda é herança, isso custa reconhecimento e custa revenda.

Ou seja: é bom para quem compra o que está dentro da caixa, e é a escolha errada para quem compra o que a mesa reconhece.

Perguntas frequentes

O relógio Spinnaker é bom?

Pela ficha, sim: 92% das peças disponíveis usam safira e 90 de 97 são automáticas, numa faixa que começa em R$ 2.390. O que falta é reconhecimento de marca e assistência local.

Quanto custa um Spinnaker no Brasil?

De R$ 2.390 a R$ 6.990 entre as peças disponíveis, com mediana em R$ 4.590.

O que é meca-quartzo?

É um movimento híbrido: a hora é marcada por quartzo e o cronógrafo é mecânico. A agulha varre de forma contínua e volta ao zero num estalo, em vez de catracar.

Quantos relógios meca-quartzo existem no Brasil?

Doze, entre 18.794 anúncios varridos. Dez são Spinnaker e dois são Timex.

A Spinnaker é uma marca antiga?

Não. Foi fundada em 2013, no Reino Unido, dentro do grupo Dartmouth Brands. O desenho cita a era do mergulho autônomo, mas a casa é nova.

Spinnaker tem vidro de safira?

Tem, em 89 das 97 peças disponíveis, ou 92%. É bem acima dos 59% que a faixa de preço dela costuma entregar.

O que fica

A Spinnaker é uma marca sem passado que compete pela ficha, e a ficha responde.

Noventa e dois por cento das peças disponíveis usam safira, contra 59% da faixa de preço em que ela vende. E 90 das 97 são automáticas, a partir de R$ 2.390.

O achado, porém, é outro. Dez dos doze anúncios de meca-quartzo do varejo brasileiro são dela. É um movimento híbrido que quase não chegou aqui: hora de quartzo, cronógrafo mecânico, com a agulha varrendo contínua e voltando ao zero num estalo.

O que ela não tem é nome. Numa categoria em que metade do preço é herança, ser de 2013 custa reconhecimento e custa revenda.

Se o critério for o que está dentro da caixa pelo que você paga, ela é das propostas mais coerentes da faixa. Se for o que a mesa reconhece, ela é a escolha errada.

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