Citizen Garrison: relógio de campo que não usa pilha, e um detalhe de material
Relógio de campo nasceu para ser lido rápido e aguentar desaforo. Esta linha acrescenta a isso uma coisa que o gênero quase nunca tem, e depois tropeça num detalhe que vale conferir antes de fechar.
Os números vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, que abastece o radar. É o que a gente consegue ver hoje, e não o país inteiro.
O que é um relógio de campo
Vale começar pelo gênero, porque ele explica cada escolha da linha.
Relógio de campo é o descendente direto do relógio militar de infantaria. O projeto inteiro gira em torno de uma coisa: ler a hora rápido, em qualquer luz, sem pensar. Daí vêm o mostrador escuro com números claros e grandes, os ponteiros largos, a ausência de complicação que atrapalhe a leitura e a correia que aguenta suor.
Não é um mergulhador, então não tem aro giratório nem promessa de profundidade. E não é um social, então não tenta ser discreto sob a manga. É a categoria mais funcional que existe, e é por isso que ela envelhece bem: o desenho de 1940 ainda faz sentido hoje.
Na nossa base, o Garrison aparece com 12 peças prontas para sair, de 17 anunciadas. É uma linha curta, mas com 71% de disponibilidade, bem acima do que a maior parte do que acompanhamos entrega.
Onze das doze não usam pilha
Aqui está o que a linha tem de incomum para o gênero.
Onze das doze peças prontas se movem a luz. Nenhuma corda, e pilha só numa delas.
O mecanismo merece explicação, porque costuma ser mal descrito. Não existe painel solar visível no mostrador. O que existe é uma célula fotovoltaica montada logo abaixo dele, que aproveita a luz que atravessa, e essa energia carrega uma bateria recarregável interna. O relógio continua sendo um quartzo comum em tudo o mais, com a precisão que isso traz: ele mede melhor que qualquer mecânica, com folga, conforme o comparativo da Monochrome.
O nome comercial disso na Citizen é Eco-Drive, e o histórico da tecnologia registra que ela chegou à América Latina em 1995.
Num relógio de campo o efeito é maior do que parece. A proposta do gênero é aguentar uso e ser esquecido, e um relógio que nunca precisa abrir para trocar pilha mantém a vedação que saiu de fábrica. Cada abertura de caixa é uma chance de a vedação piorar, então eliminar a troca é eliminar o risco.
Luz de ambiente já basta para manter a carga, ainda que carregue bem mais devagar que o sol. O panorama da categoria inteira está em relógio solar vale a pena.

O titânio que aparece no nome
Parte das peças da linha traz Super Titanium no nome, e vale saber o que isso muda no pulso, porque a diferença é sentida no primeiro dia.
Titânio pesa cerca de 40% menos que o aço inoxidável com o mesmo volume. Num relógio de campo de 42 mm, que é a medida mais comum da linha aqui, essa diferença é a que separa uma peça que você esquece no pulso de uma que você percebe o dia inteiro.
Ele também não provoca a reação de pele que o níquel do aço às vezes provoca, e resiste melhor à corrosão por suor, o que conversa direto com a proposta do gênero.
A contrapartida honesta é que titânio puro risca com mais facilidade que aço, e por isso o tratamento de superfície importa. O nome comercial existe justamente para indicar esse endurecimento.
O vidro divide a linha
Agora o detalhe que precisa ser conferido peça a peça, porque não é uniforme.
| Vidro do Garrison | Peças |
|---|---|
| Cristal mineral | 6 |
| Safira | 5 |
| Não declara | 1 |
Metade da linha com um material e metade com o outro. Duas peças do mesmo nome, com desenho parecido e preço próximo, podem trazer vidros diferentes.
A diferença é a que mais aparece no uso. Safira marca 9 na escala de Mohs e praticamente nada do cotidiano risca ela, enquanto cristal mineral marca com areia, com quina de mesa e com a chave do carro, e esse risco não sai mais, conforme o verbete da Monochrome.
Num relógio de campo, que por definição vai levar pancada, essa é a linha da ficha que decide quanto tempo a peça continua bonita. E como o campo do vidro nem sempre aparece no anúncio, conforme medimos em o que o anúncio não diz, a pergunta precede a compra.
Onde ele decepciona
A caixa é grande para o gênero. Sete das doze peças têm 42 mm e outras chegam a 44 mm, acima da medida central de 40,5 mm que medimos em qual o tamanho de relógio mais comum. Relógio de campo clássico costuma ser menor que isso.
A ficha para no vidro, como em quase todo o mercado brasileiro: água, espessura e calibre não aparecem de forma comparável.
A oferta é curta, com doze peças prontas, então cor e pulseira ficam limitadas.
E a bateria recarregável, ainda que dure muitos anos, não é eterna: um dia perde capacidade e a caixa precisa ser aberta por um relojoeiro. A promessa correta é abrir muito menos, e não nunca.

Qual comprar
Se o relógio vai levar uso de verdade, comece pelas cinco peças com safira. É a escolha que mais preserva a peça, e num gênero feito para apanhar ela se paga.
Se peso te incomoda, procure as versões de titânio. Quarenta por cento a menos numa caixa de 42 mm muda a experiência mais do que qualquer outro detalhe da linha.
Se o orçamento é o critério, o piso está em R$ 2.790, e a mediana da linha em R$ 3.540.
E se você quer o relógio de campo clássico, menor e mecânico, esta linha não é isso: ela é a leitura moderna do gênero, com carga por luz e caixa maior.
Perguntas frequentes
O Citizen Garrison vale a pena?
Vale como relógio de campo moderno que não pede troca de pilha, a partir de R$ 2.790. O cuidado é com o vidro, porque metade da linha usa cristal mineral.
Quanto custa um Citizen Garrison?
De R$ 2.790 a R$ 4.990 entre as peças prontas na nossa base, com mediana em R$ 3.540.
O Garrison precisa de pilha?
Onze das doze peças prontas não precisam: elas carregam por luz, através de uma célula montada sob o mostrador.
O Garrison tem safira?
Cinco das doze peças prontas têm. Outras seis usam cristal mineral, então o campo precisa ser confirmado antes de fechar.
O que é o Super Titanium?
É o titânio tratado que a Citizen usa em parte da linha. Ele pesa cerca de 40% menos que aço no mesmo volume e resiste melhor à corrosão por suor.
Qual o tamanho do Citizen Garrison?
Quarenta e dois milímetros em sete das doze peças prontas, com algumas chegando a 44 mm.
O que fica
O Garrison pega um gênero antigo, o relógio de campo, e resolve o problema que mais incomoda em relógio de uso pesado: a manutenção. Onze das doze peças prontas se movem a luz, o que elimina a troca de pilha e as aberturas de caixa que vêm com ela.
Parte da linha ainda acrescenta titânio, que tira cerca de 40% do peso numa caixa de 42 mm. Num relógio feito para ser esquecido no pulso, isso é exatamente o argumento certo.
O que exige atenção é o vidro. Seis peças com cristal mineral e cinco com safira dentro do mesmo nome, e num relógio que vai apanhar essa é a diferença que decide quanto tempo ele continua apresentável.
Feita essa conferência, é das respostas mais coerentes que existem na faixa de três mil reais para quem quer um relógio funcional e sem manutenção de rotina.
