Citizen Weekender: verde em sete das onze, e uma única peça com safira
Esta linha faz uma escolha de cor que quase nenhuma outra faz na faixa dela. E esconde, no meio de onze peças, uma que resolve o único problema das outras dez.
Os números vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que abastece o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não um censo do mercado.
O que o Weekender é
A ficha da Citizen descreve uma casa japonesa de 1918 que se tornou uma das maiores fabricantes de relógio do mundo, com movimento próprio e produção verticalizada.
O Weekender é uma linha de uso casual dela, de caixa larga e correia de couro, no território entre o social e o esportivo.
Na nossa base ele aparece com 11 peças prontas para sair, de 17 anunciadas, com preço entre R$ 2.990 e R$ 4.490 e mediana em R$ 3.290.
| Weekender na nossa base | |
|---|---|
| Peças prontas | 11 de 17 |
| Disponibilidade | 65% |
| Movimento | carga por luz nas 11 |
| Vidro | cristal mineral em 10, safira em 1 |
| Caixa | 42 mm em 8 |
| Pulseira | couro em 8, aço em 3 |
Sessenta e cinco por cento de disponibilidade é bom. Quase dois em cada três anúncios da linha têm produto de verdade, o que está acima do padrão do mercado que medimos em relógio indisponível ou sob encomenda.
E a carga por luz nas onze é o que define a rotina da peça. Uma célula atrás do mostrador converte luz em eletricidade e carrega uma bateria recarregável interna, conforme o verbete do sistema. Não precisa de sol direto, e você nunca troca pilha. Isso é a identidade da marca inteira, que vende carga por luz em 76% do catálogo pronto dela, conforme mecânica, luz ou pilha por marca.
O verde é a linha inteira
Aqui está a escolha que separa esta linha da vizinhança.
Entre as 11 peças prontas, sete têm mostrador verde. Três são azuis e uma é preta.
Vale dimensionar isso. Quando contamos a cor de mostrador de tudo o que a gente acompanha, em a cor de mostrador mais comum, o preto lidera com folga e o verde responde por cerca de 10% do mercado.
Uma linha em que o verde é quase dois terços da oferta pronta não está seguindo a demanda, está construindo identidade. É o mesmo tipo de decisão que já vimos no laranja de uma linha de mergulho, em Bulova Oceanographer vale a pena.
Para quem compra, isso tem duas consequências opostas.
A boa é reconhecimento. Numa faixa de preço em que quase todo relógio casual é preto ou azul, uma peça verde não se confunde com as outras, e ela combina melhor com couro do que o preto, que é o que a linha usa em oito das onze.
A ruim é escolha. Se você não gosta de verde, sobram quatro peças prontas, e uma delas é a única preta da linha.

A única com safira
Agora o dado que decide a compra, e ele está numa peça só.
Dez das onze peças prontas usam cristal mineral. Uma traz safira.
Vale abrir a diferença, porque ela é a que mais aparece no uso diário. Safira é óxido de alumínio cristalizado e marca 9 na escala de dureza de Mohs, então quase nada do cotidiano risca o vidro. Cristal mineral é vidro endurecido comum, e ele marca com areia, com a quina de uma mesa e com a chave do carro, sem conserto depois, conforme o verbete da Monochrome.
Numa peça de três mil e duzentos reais usada no fim de semana, com couro e uso casual, esse é o campo que decide quanto tempo ela continua apresentável.
E aqui está a parte boa. A peça com safira custa R$ 3.790, contra uma mediana de linha de R$ 3.290. São quinhentos reais para trocar o vidro que risca pelo que não risca.
Ela ainda entrega um segundo bônus. É também a única de titânio da lista, que é um material cerca de 40% mais leve que o aço para o mesmo volume, segundo o verbete do metal, e hipoalergênico. Numa caixa de 42 mm, esse peso a menos é sentido no mesmo dia.
Ou seja, por quinhentos reais acima da mediana você troca duas linhas da ficha de uma vez. É a melhor conta da linha inteira, e ela está escondida no meio de dez peças parecidas.
O nome muda de loja para loja
Um detalhe de busca que atrapalha justamente quem quer essa peça.
A referência com safira e titânio é vendida por parte do varejo sob outro nome de coleção da própria Citizen, e não como Weekender. Quem filtrar a busca pelo nome da linha simplesmente não vai encontrá-la.
Isso não é caso isolado. Já tínhamos encontrado a mesma tecnologia anunciada com dois nomes diferentes dentro de uma linha, em Citizen Rolan vale a pena, e coleções inteiras vendidas sob rótulo trocado.
A saída é a de sempre, e ela resolve o problema por completo. Compare pelo código de referência, que é o conjunto de letras e números que identifica a versão exata. Ele não muda de vitrine para vitrine, e o nome comercial muda.
Se quiser ver a linha vizinha, que compartilha parte das referências, ela está em Citizen Garrison vale a pena.

Onde ele decepciona
O vidro é o ponto fraco em dez das onze peças prontas, e numa linha de mediana R$ 3.290 isso fica abaixo do que boa parte da faixa entrega.
A ficha para aí. Espessura, resistência à água e o código do calibre não aparecem de forma comparável nos anúncios, que é o padrão medido em o que o anúncio não diz. Em relógio movido a luz, o calibre é o campo que diria quantos meses a carga rende no escuro.
A caixa é grande para o público que a linha atende. Quarenta e dois milímetros em oito das onze peças fica acima da medida central de 40,5 mm que levantamos em qual o tamanho de relógio mais comum, e a Citizen é uma das marcas com menos opção pequena, com só 8,9% do catálogo abaixo de 38 mm.
E a bateria recarregável não é eterna. Ela dura muitos anos, bem mais que uma pilha comum, mas um dia precisa ser substituída em assistência.
Qual comprar
Se o vidro importa, e ele deveria importar em peça de uso repetido, pague os R$ 3.790 da peça com safira. São quinhentos reais acima da mediana e você leva safira e titânio de uma vez.
Se o orçamento manda, o piso de R$ 2.990 entrega carga por luz e a cor da casa, com a contrapartida do cristal mineral.
Se você não gosta de verde, a oferta encolhe para quatro peças prontas, e vale conferir disponibilidade antes de se apegar a uma cor específica.
E se a caixa de 42 mm for grande para o seu pulso, esta linha não tem versão menor. O caminho é olhar onde a marca coloca as peças pequenas, ou trocar de marca, conta que está em quais marcas fazem relógio pequeno.
Perguntas frequentes
O Citizen Weekender vale a pena?
Vale, principalmente na peça com safira, que sai por R$ 3.790 e também é a única de titânio. As outras dez peças prontas usam cristal mineral.
Quanto custa um Citizen Weekender?
De R$ 2.990 a R$ 4.490 entre as peças prontas que a gente acompanha, com mediana em R$ 3.290.
O Citizen Weekender tem safira?
Apenas uma das 11 peças prontas na nossa base. As outras dez usam cristal mineral, que risca com areia e com quina de mesa.
O Weekender precisa de troca de pilha?
Não. As onze peças prontas usam carga por luz, o sistema que a Citizen chama de Eco-Drive, com bateria recarregável interna.
Qual o tamanho do Citizen Weekender?
Quarenta e dois milímetros em oito das onze peças prontas, acima da medida central de 40,5 mm do mercado que acompanhamos.
Por que não encontro a versão de safira na busca?
Porque parte do varejo vende essa referência sob outro nome de coleção da própria Citizen. Procure pelo código de referência em vez do nome da linha.
O que fica
O Weekender faz uma aposta de cor que quase ninguém faz. Sete das onze peças prontas são verdes, numa base em que o verde responde por cerca de um décimo do mercado, e isso dá à linha um reconhecimento que a faixa dela raramente tem.
A rotina também é resolvida. Carga por luz nas onze quer dizer nenhuma troca de pilha, que é a identidade da casa e o motivo mais comum para comprá-la.
O problema está no vidro, e ele tem uma saída barata. Dez das onze usam cristal mineral, mas a décima primeira traz safira e titânio por R$ 3.790, contra mediana de R$ 3.290. Quinhentos reais para trocar duas linhas da ficha.
O obstáculo é achar essa peça. Ela é vendida por parte do varejo sob outro nome de coleção, então procure pelo código de referência e não pelo nome da linha. É a diferença entre comprar a melhor peça da lista e comprar uma das outras dez.
