Preto e azul são metade do mercado, e o verde já passou o branco
A cor do mostrador parece a decisão mais pessoal da compra. O mercado inteiro diz que ela é a mais previsível, e ela muda conforme o preço sobe.
Você acha que está escolhendo por gosto.
Está, mas dentro de um cardápio que alguém montou muito antes, e o cardápio tem números.
O retrato de 17.915 anúncios
Varremos 18.794 anúncios de relógio no varejo brasileiro, e 17.915 declaram a cor do mostrador. O retrato:
| Cor | Anúncios | Fatia |
|---|---|---|
| Preto | 5.434 | 30,3% |
| Azul | 4.051 | 22,6% |
| Prata | 1.675 | 9,3% |
| Verde | 1.629 | 9,1% |
| Branco | 1.210 | 6,8% |
| Cinza | 863 | 4,8% |
| Dourado | 706 | 3,9% |
| Marrom | 308 | 1,7% |
| Madrepérola | 258 | 1,4% |
| Vermelho | 258 | 1,4% |
Preto e azul somam 53%. Mais da metade do mercado brasileiro cabe em duas cores, e a terceira colocada tem menos de um terço do que a segunda tem.
Isso muda como encarar a busca. Se você quer preto ou azul, o mercado inteiro está aberto. Se você quer qualquer outra coisa, você está disputando os 47% restantes, e a escolha real fica bem menor do que a vitrine sugere.
O azul cresce com o preço
Aqui está o padrão que ninguém publica, e ele é limpo.
Cortamos as mesmas cores por faixa de preço:
| Faixa | Anúncios | Preto | Azul |
|---|---|---|---|
| Até R$ 1.500 | 3.991 | 37% | 16% |
| R$ 1.500 a R$ 3.000 | 3.064 | 29% | 24% |
| R$ 3.000 a R$ 6.000 | 5.922 | 26% | 26% |
| R$ 6.000 a R$ 12.000 | 3.035 | 31% | 24% |
| Acima de R$ 12.000 | 1.903 | 31% | 23% |
Leia a coluna do azul de cima para baixo: 16%, 24%, 26%, 24%, 23%.
Ela sobe, encosta no preto e depois recua. Entre R$ 3.000 e R$ 6.000 as duas cores empatam, e é a única faixa do mercado em que isso acontece.
Duas leituras saem daí:
O azul é caro de fazer bem. Mostrador azul com acabamento raiado, que muda com a luz, custa mais que um preto fosco. Por isso ele quase não aparece na faixa de entrada, onde é 16%.
O preto volta a liderar em cima. Acima de R$ 6.000 ele retoma os 31%, porque ali entram o mergulhador sério e o relógio de vestir formal, e os dois são tradicionalmente pretos.
A faixa de R$ 3.000 a R$ 6.000 é justamente onde mora o esportivo de aço, que é onde o azul virou padrão de categoria. O caso mais conhecido está em Tissot PRX Ice Blue.

O verde passou o branco
Vale registrar, porque contraria a intuição de quem não acompanha.
Verde tem 1.629 anúncios e branco tem 1.210. O verde é a quarta cor do mercado brasileiro, e o branco é a quinta.
Isso teria sido impensável há dez anos. Mostrador branco é o clássico do relógio de vestir, e verde era cor de edição limitada.
O que mudou foi a categoria esportiva. O verde entrou pelo mergulhador e pelo relógio de campo e ficou, com 9,1% do mercado inteiro.
E a distribuição por marca mostra onde ele pegou:
| Marca | Verde |
|---|---|
| Citizen | 13% |
| Seiko | 12% |
| Orient | 9% |
| Longines | 9% |
| Hamilton | 8% |
| Tissot | 7% |
| Casio | 7% |
| Bulova | 6% |
As japonesas lideram, e faz sentido: elas dominam o mergulhador de entrada, categoria detalhada em relógio japonês vale a pena.
O que cada marca faz
A cor também separa as casas, e uma delas é um caso à parte:
| Marca | Preto | Azul | Verde |
|---|---|---|---|
| Casio | 54% | 10% | 7% |
| Hamilton | 42% | 21% | 8% |
| Longines | 32% | 20% | 9% |
| Seiko | 30% | 23% | 12% |
| Orient | 28% | 22% | 9% |
| Tissot | 27% | 23% | 7% |
| Bulova | 25% | 23% | 6% |
| Citizen | 25% | 32% | 13% |
Duas marcas fogem do padrão em direções opostas.
A Casio é 54% preta. Mais da metade do catálogo numa cor só, e é coerente: resina preta é o material da casa, panorama em Casio vale a pena.
A Citizen é a única em que o azul lidera, com 32% contra 25% de preto. É a marca que mais apostou na cor.
O resto do mercado fica notavelmente parecido: preto entre 25% e 32%, azul entre 20% e 23%.
A escolha de cor é mais uniforme entre marcas do que qualquer outra linha da ficha. É o oposto do vidro, que separa as casas de forma brutal, de 100% de safira na Tissot a 7% na Casio, conta em safira ou mineral.
Onde a cor engana
Vale listar, porque ela é a decisão que mais gera arrependimento.
Foto de catálogo mente sobre azul. É a cor que mais muda com a luz, e a foto é feita em estúdio.
Preto fosco e preto raiado são dois relógios. A ficha diz só “preto”, e a diferença de acabamento aparece mais no pulso que a cor em si.
Verde envelhece como moda. Ele entrou forte e pode datar, ao contrário de preto e prata.
Branco marca sujeira em mostrador de textura, e é o que menos perdoa acabamento barato.
Cor rara custa na revenda. Fora de preto, azul e prata, a saída é mais lenta, lógica em relógio é investimento.
E há um limite honesto neste levantamento: a ficha registra a cor, não o acabamento nem o antirreflexo, que são o que muda a leitura sob sol.
O vocabulário de mostrador está no panorama de estilos da Monochrome e o conceito de relógio de vestir no verbete da mesma casa.

Como escolher
Se é o seu único relógio, preto ou azul. São 53% do mercado por um motivo: combinam com tudo e não datam.
Se você quer o azul bem feito, olhe entre R$ 3.000 e R$ 6.000. É a faixa em que ele empata com o preto e em que os mostradores raiados aparecem.
Se você quer verde, olhe japonês. Citizen e Seiko lideram, com 13% e 12%, e o panorama delas está no guia da Monochrome sobre os polos da relojoaria.
Se o relógio é de vestir, branco e prata continuam sendo o certo, mesmo sendo minoria hoje.
Se você quer sair do óbvio sem pagar caro em revenda, cinza é a saída discreta: 4,8% do mercado e nenhuma das armadilhas do verde.
Perguntas frequentes
Qual a cor de mostrador mais comum?
Preto, com 5.434 de 17.915 anúncios, ou 30,3%. Em segundo vem azul, com 22,6%. Juntas as duas somam 53% do mercado brasileiro.
Mostrador azul é mais caro?
Ele é mais raro na entrada e comum no meio. Até R$ 1.500 aparece em 16% dos anúncios, e entre R$ 3.000 e R$ 6.000 chega a 26%, empatando com o preto.
Verde é moda passageira?
Já é a quarta cor do mercado, com 1.629 anúncios, à frente do branco. Entrou pela categoria esportiva e ficou, embora ainda seja a cor com maior risco de datar.
Qual marca faz mais mostrador azul?
Citizen, e com folga: 32% do catálogo dela é azul, contra 25% de preto. É a única das grandes em que o azul lidera.
Qual cor tem a melhor revenda?
Preto, azul e prata, que são as três maiores fatias do mercado. Cores fora dessas três têm saída mais lenta no usado.
Por que a Casio tem tanto mostrador preto?
Porque 54% do catálogo dela é preto, coerente com o material da casa, que é resina. É a marca mais concentrada numa cor só.
O que fica
A cor parece a parte mais pessoal da compra e é a mais previsível do mercado.
Preto e azul somam 53% dos 17.915 anúncios que declaram a cor. A terceira colocada, prata, tem 9,3%.
O azul tem um comportamento próprio: 16% na entrada, 26% entre R$ 3.000 e R$ 6.000, e 23% no topo. Ele sobe, empata com o preto no meio do mercado, e recua onde entram o mergulhador sério e o relógio formal.
E há uma virada que quase ninguém notou. O verde já passou o branco, com 1.629 anúncios contra 1.210. Ele entrou pela categoria esportiva, lidera nas japonesas, e hoje é a quarta cor do país.
Se o relógio é o único, as duas primeiras colunas da tabela existem por um bom motivo. Se ele é o segundo ou o terceiro, os 47% restantes é que ficam interessantes.
