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Preto e azul são metade do mercado, e o verde já passou o branco

Gustavo Grossi 6 min de leitura
Três relógios de mostrador preto, azul e verde lado a lado sobre pedra clara

A cor do mostrador parece a decisão mais pessoal da compra. O mercado inteiro diz que ela é a mais previsível, e ela muda conforme o preço sobe.

Você acha que está escolhendo por gosto.

Está, mas dentro de um cardápio que alguém montou muito antes, e o cardápio tem números.

O retrato de 17.915 anúncios

Varremos 18.794 anúncios de relógio no varejo brasileiro, e 17.915 declaram a cor do mostrador. O retrato:

Cor Anúncios Fatia
Preto 5.434 30,3%
Azul 4.051 22,6%
Prata 1.675 9,3%
Verde 1.629 9,1%
Branco 1.210 6,8%
Cinza 863 4,8%
Dourado 706 3,9%
Marrom 308 1,7%
Madrepérola 258 1,4%
Vermelho 258 1,4%

Preto e azul somam 53%. Mais da metade do mercado brasileiro cabe em duas cores, e a terceira colocada tem menos de um terço do que a segunda tem.

Isso muda como encarar a busca. Se você quer preto ou azul, o mercado inteiro está aberto. Se você quer qualquer outra coisa, você está disputando os 47% restantes, e a escolha real fica bem menor do que a vitrine sugere.

O azul cresce com o preço

Aqui está o padrão que ninguém publica, e ele é limpo.

Cortamos as mesmas cores por faixa de preço:

Faixa Anúncios Preto Azul
Até R$ 1.500 3.991 37% 16%
R$ 1.500 a R$ 3.000 3.064 29% 24%
R$ 3.000 a R$ 6.000 5.922 26% 26%
R$ 6.000 a R$ 12.000 3.035 31% 24%
Acima de R$ 12.000 1.903 31% 23%

Leia a coluna do azul de cima para baixo: 16%, 24%, 26%, 24%, 23%.

Ela sobe, encosta no preto e depois recua. Entre R$ 3.000 e R$ 6.000 as duas cores empatam, e é a única faixa do mercado em que isso acontece.

Duas leituras saem daí:

O azul é caro de fazer bem. Mostrador azul com acabamento raiado, que muda com a luz, custa mais que um preto fosco. Por isso ele quase não aparece na faixa de entrada, onde é 16%.

O preto volta a liderar em cima. Acima de R$ 6.000 ele retoma os 31%, porque ali entram o mergulhador sério e o relógio de vestir formal, e os dois são tradicionalmente pretos.

A faixa de R$ 3.000 a R$ 6.000 é justamente onde mora o esportivo de aço, que é onde o azul virou padrão de categoria. O caso mais conhecido está em Tissot PRX Ice Blue.

Dezesseis por cento na entrada, 26% no meio, 23% no topo. O azul sobe e recua.
Dezesseis por cento na entrada, 26% no meio, 23% no topo. O azul sobe e recua.

O verde passou o branco

Vale registrar, porque contraria a intuição de quem não acompanha.

Verde tem 1.629 anúncios e branco tem 1.210. O verde é a quarta cor do mercado brasileiro, e o branco é a quinta.

Isso teria sido impensável há dez anos. Mostrador branco é o clássico do relógio de vestir, e verde era cor de edição limitada.

O que mudou foi a categoria esportiva. O verde entrou pelo mergulhador e pelo relógio de campo e ficou, com 9,1% do mercado inteiro.

E a distribuição por marca mostra onde ele pegou:

Marca Verde
Citizen 13%
Seiko 12%
Orient 9%
Longines 9%
Hamilton 8%
Tissot 7%
Casio 7%
Bulova 6%

As japonesas lideram, e faz sentido: elas dominam o mergulhador de entrada, categoria detalhada em relógio japonês vale a pena.

O que cada marca faz

A cor também separa as casas, e uma delas é um caso à parte:

Marca Preto Azul Verde
Casio 54% 10% 7%
Hamilton 42% 21% 8%
Longines 32% 20% 9%
Seiko 30% 23% 12%
Orient 28% 22% 9%
Tissot 27% 23% 7%
Bulova 25% 23% 6%
Citizen 25% 32% 13%

Duas marcas fogem do padrão em direções opostas.

A Casio é 54% preta. Mais da metade do catálogo numa cor só, e é coerente: resina preta é o material da casa, panorama em Casio vale a pena.

A Citizen é a única em que o azul lidera, com 32% contra 25% de preto. É a marca que mais apostou na cor.

O resto do mercado fica notavelmente parecido: preto entre 25% e 32%, azul entre 20% e 23%.

A escolha de cor é mais uniforme entre marcas do que qualquer outra linha da ficha. É o oposto do vidro, que separa as casas de forma brutal, de 100% de safira na Tissot a 7% na Casio, conta em safira ou mineral.

Onde a cor engana

Vale listar, porque ela é a decisão que mais gera arrependimento.

Foto de catálogo mente sobre azul. É a cor que mais muda com a luz, e a foto é feita em estúdio.

Preto fosco e preto raiado são dois relógios. A ficha diz só “preto”, e a diferença de acabamento aparece mais no pulso que a cor em si.

Verde envelhece como moda. Ele entrou forte e pode datar, ao contrário de preto e prata.

Branco marca sujeira em mostrador de textura, e é o que menos perdoa acabamento barato.

Cor rara custa na revenda. Fora de preto, azul e prata, a saída é mais lenta, lógica em relógio é investimento.

E há um limite honesto neste levantamento: a ficha registra a cor, não o acabamento nem o antirreflexo, que são o que muda a leitura sob sol.

O vocabulário de mostrador está no panorama de estilos da Monochrome e o conceito de relógio de vestir no verbete da mesma casa.

O verde já é a quarta cor do mercado, à frente do branco.
O verde já é a quarta cor do mercado, à frente do branco.

Como escolher

Se é o seu único relógio, preto ou azul. São 53% do mercado por um motivo: combinam com tudo e não datam.

Se você quer o azul bem feito, olhe entre R$ 3.000 e R$ 6.000. É a faixa em que ele empata com o preto e em que os mostradores raiados aparecem.

Se você quer verde, olhe japonês. Citizen e Seiko lideram, com 13% e 12%, e o panorama delas está no guia da Monochrome sobre os polos da relojoaria.

Se o relógio é de vestir, branco e prata continuam sendo o certo, mesmo sendo minoria hoje.

Se você quer sair do óbvio sem pagar caro em revenda, cinza é a saída discreta: 4,8% do mercado e nenhuma das armadilhas do verde.

Perguntas frequentes

Qual a cor de mostrador mais comum?

Preto, com 5.434 de 17.915 anúncios, ou 30,3%. Em segundo vem azul, com 22,6%. Juntas as duas somam 53% do mercado brasileiro.

Mostrador azul é mais caro?

Ele é mais raro na entrada e comum no meio. Até R$ 1.500 aparece em 16% dos anúncios, e entre R$ 3.000 e R$ 6.000 chega a 26%, empatando com o preto.

Verde é moda passageira?

Já é a quarta cor do mercado, com 1.629 anúncios, à frente do branco. Entrou pela categoria esportiva e ficou, embora ainda seja a cor com maior risco de datar.

Qual marca faz mais mostrador azul?

Citizen, e com folga: 32% do catálogo dela é azul, contra 25% de preto. É a única das grandes em que o azul lidera.

Qual cor tem a melhor revenda?

Preto, azul e prata, que são as três maiores fatias do mercado. Cores fora dessas três têm saída mais lenta no usado.

Por que a Casio tem tanto mostrador preto?

Porque 54% do catálogo dela é preto, coerente com o material da casa, que é resina. É a marca mais concentrada numa cor só.

O que fica

A cor parece a parte mais pessoal da compra e é a mais previsível do mercado.

Preto e azul somam 53% dos 17.915 anúncios que declaram a cor. A terceira colocada, prata, tem 9,3%.

O azul tem um comportamento próprio: 16% na entrada, 26% entre R$ 3.000 e R$ 6.000, e 23% no topo. Ele sobe, empata com o preto no meio do mercado, e recua onde entram o mergulhador sério e o relógio formal.

E há uma virada que quase ninguém notou. O verde já passou o branco, com 1.629 anúncios contra 1.210. Ele entrou pela categoria esportiva, lidera nas japonesas, e hoje é a quarta cor do país.

Se o relógio é o único, as duas primeiras colunas da tabela existem por um bom motivo. Se ele é o segundo ou o terceiro, os 47% restantes é que ficam interessantes.

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