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Casio vale a pena? É a marca mais disponível do Brasil, e a mais barata

Gustavo Grossi 7 min de leitura
Casio Vintage Collection de mostrador verde e bracelete de aço sobre pedra clara

Ela é a marca que mais aparece pronta para enviar no Brasil inteiro, e a mediana dela cabe no troco de qualquer concorrente. Nenhuma das duas coisas é acidente.

Existe uma marca que aparece em toda lista de “primeiro relógio” e em quase nenhuma conversa de entusiasta.

Os números do varejo brasileiro explicam as duas coisas de uma vez.

O relógio Casio é bom

Vale responder direto, porque é a pergunta que traz a maior parte de quem chega aqui.

Para o que ela se propõe, é boa, e em um campo ela é a melhor do país.

Casio O mercado
Disponibilidade 80% 39%
Mediana R$ 704 R$ 2.599
Piso R$ 146
Safira 7% 58%

Duas linhas explicam a marca inteira. Ela é a mais barata do Brasil, com mediana de R$ 704 contra R$ 2.599 do mercado, régua em qual marca de relógio é mais barata. E é a que mais tem peça pronta, com 80% dos anúncios em estoque contra 39% do mercado, medido em marca no catálogo e na prateleira.

O que ela não é boa é de vidro. Só 7% dos anúncios da marca usam safira, contra 58% do mercado, e é a linha da ficha que mais aparece no uso diário.

Ou seja: é boa para quem quer função por pouco dinheiro e agora, e é a escolha errada para quem quer um objeto que envelheça bem.

Quem é a Casio

A ficha da empresa mostra uma origem que não é de relojoaria.

A Casio nasceu em 1946, em Mitaka, Tóquio, como a oficina de Tadao Kashio, e virou Casio Computer Co. em 1957. Ela fazia calculadora, e a primeira delas de mesa vendeu um milhão de unidades em dez meses.

O relógio veio depois, e já veio diferente:

Casiotron, novembro de 1974. Digital, com um calendário que se ajustava sozinho aos meses de tamanhos diferentes. Naquela época isso era engenharia de ponta, não conveniência.

G-Shock, 1983. O engenheiro Kikuo Ibe propôs em 1981 um relógio com uma meta de três dezenas: dez anos de bateria, dez bar de água e sobreviver a uma queda de dez metros. O DW-5000C saiu em 1983.

Repare no que essas duas datas dizem. A Casio nunca tentou entrar na relojoaria tradicional. Ela entrou por eletrônica e por resistência, e é por isso que os números dela no Brasil são tão diferentes do resto.

O panorama das casas japonesas está em relógio japonês vale a pena.

A marca mais disponível do país

Aqui está o dado que separa a Casio de tudo.

Varremos 18.794 anúncios de relógio no varejo brasileiro e a Casio tem 1.052 deles. Destes, 842 estão com peça disponível.

Marca Disponíveis Total Taxa
Casio 842 1.052 80%
Orient 3.083 5.413 57%
Seiko 1.329 3.194 42%
Tissot 443 1.395 32%
Hamilton 30 904 3%
Longines 24 734 3%

Oitenta por cento é a maior taxa do mercado brasileiro, contra uma média geral de 40%, levantamento completo em só 40% do relógio anunciado está disponível.

E o motivo é econômico. Estoque de Casio é barato de manter. Trinta peças na gaveta custam vinte e dois mil reais, contra setecentos mil em Longines. Isso permite à loja ter de verdade o que anuncia.

Para quem compra, a consequência é direta: é a marca em que o relógio chega rápido, e é onde desconto de estoque realmente acontece.

Oitenta por cento de disponibilidade, contra 3% de Hamilton e Longines.
Oitenta por cento de disponibilidade, contra 3% de Hamilton e Longines.

Quanto custa, de verdade

Entre as 842 peças disponíveis, o preço vai de R$ 146 a R$ 8.299, com mediana em R$ 704.

Setecentos e quatro reais. Metade da marca custa menos que isso, num mercado cuja mediana geral fica em vários milhares.

O piso é o F-91W, o digital de resina que virou objeto de cultura pop, a R$ 146.

E o teto surpreende quem só conhece a marca pelo piso. A linha Oceanus chega a R$ 8.299, e existem G-Shock de metal, os MT-G, perto de nove mil e seiscentos. A Casio cobre quase seis vezes de faixa dentro da mesma marca.

As coleções disponíveis hoje:

Coleção Peças em estoque
Vintage 115
G-Steel 46
Duro 45
G-Squad 33
Standard 27
Mudmaster 17

E o movimento mostra por que ela não conversa com o entusiasta tradicional:

Movimento Peças
Quartzo 399
Digital 174
Solar 99
Automático 74

Cento e setenta e quatro digitais. Nenhuma outra marca do retrato tem isso, e é a categoria que a Casio praticamente inventou em 1974.

E 74 automáticos, que quase ninguém sabe que existem. É a linha Duro, o mergulhador mecânico de entrada da casa, e ela responde por 45 das peças disponíveis.

O que ela troca pelo preço

Vale ser específico, porque a conta tem contrapartida clara.

O vidro. De 862 anúncios que declaram o material, só 57 usam safira, ou 7%. São 765 de cristal mineral e 40 de acrílico. Na média do mercado a safira está em 58%, e a régua completa está em safira ou mineral e no verbete da Monochrome.

O tamanho. As caixas mais comuns em estoque são 44,4 mm, 45,4 mm e 45 mm. É grande para pulso médio brasileiro, medida em como medir o pulso.

A pulseira. Quatrocentas e setenta e nove das 842 são de borracha, contra 285 de aço. Borracha resolve suor e água, e envelhece pior que metal.

O mostrador. Preto em 431 das 842. É metade da marca numa cor só.

O acabamento. Resina moldada não tem chanfro polido nem transição de elo. A peça entrega função, e não refino.

Onde ela ganha

Disponibilidade. É o argumento número um, e ele é medido: 80%.

Preço. Mediana de R$ 704 num mercado que raramente desce de dois mil.

Resistência real. O G-Shock foi projetado para queda de dez metros, e cumpre.

Pilha longa. A meta original era dez anos, e boa parte da linha chega perto.

Solar sem drama. São 99 peças movidas a luz, tecnologia detalhada em Citizen Eco-Drive vale a pena.

Precisão. Quase toda a linha é de quartzo, e quartzo mede melhor que mecânica com margem larga, conforme o comparativo da Monochrome. Num relógio de ferramenta isso é a escolha certa, e não a econômica.

Cento e setenta e quatro digitais, e 74 automáticos que quase ninguém conhece.
Cento e setenta e quatro digitais, e 74 automáticos que quase ninguém conhece.

Qual comprar

Compre o F-91W a R$ 146 se você quer o mínimo que funciona. É o digital mais vendido da história e não finge ser outra coisa.

Compre um Vintage se o desenho retangular metálico é o motivo. São 115 peças em estoque, a maior coleção disponível.

Compre um Duro se você quer mergulhador automático barato. São 45 disponíveis e é a linha mecânica da casa.

Compre um G-Shock se o uso é pancada de verdade. É onde a marca cumpre a promessa de projeto.

Não compre se você quer safira. Ela aparece em 7% dos anúncios da marca.

Não compre se o pulso é fino. As caixas mais comuns passam de 44 mm, e a marca só tem 21 peças em 38 mm entre as disponíveis.

Não compre esperando revenda. É a marca de maior volume do país, e volume alto deixa o mercado de usado lento, lógica em relógio é investimento.

Perguntas frequentes

O relógio Casio é bom?

Para o que ele se propõe, sim. É a marca com maior disponibilidade do varejo brasileiro, com 80% dos anúncios em estoque, e mediana de R$ 704. O que ela não entrega é vidro de safira nem acabamento refinado.

Quanto custa um Casio no Brasil?

De R$ 146 a R$ 8.299 entre as peças disponíveis, com mediana em R$ 704. O piso é o F-91W e o teto está na linha Oceanus.

Casio faz relógio automático?

Faz. São 74 automáticos entre os anúncios disponíveis, quase todos da linha Duro, que é o mergulhador mecânico de entrada da marca.

Casio tem vidro de safira?

Raramente. De 862 anúncios que declaram o material, 57 usam safira, 765 usam cristal mineral e 40 usam acrílico.

Qual a diferença entre G-Shock e Casio comum?

G-Shock é a linha de resistência a choque, criada em 1983 com meta de suportar queda de dez metros. O resto da marca é relógio comum, sem essa construção.

Por que a Casio sempre tem estoque?

Porque estoque barato é fácil de manter e gira rápido. Trinta Casio na gaveta custam vinte e dois mil reais, e trinta Longines custam setecentos mil.

O que fica

A Casio resolve duas coisas que o resto do mercado brasileiro resolve mal.

Ela tem o que anuncia. São 842 peças disponíveis de 1.052 anúncios, ou 80%, contra uma média de mercado de 40% e contra 3% de Hamilton e Longines.

E ela é barata de verdade. A mediana das disponíveis é R$ 704, com piso em R$ 146 no F-91W.

O preço tem contrapartida e ela está na ficha: safira em 7%, caixas que passam de 44 mm e borracha em 479 das 842. Quem compra Casio está comprando função e pronta-entrega, não refino.

E há uma linha que quase ninguém conhece: 74 automáticos, quase todos Duro, que é mergulhador mecânico pelo preço de um quartzo de marca.

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