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Quatro de cada dez relógios que dá para comprar hoje são da mesma marca

Gustavo Grossi 5 min de leitura
Vitrine de relojoaria com uma prateleira cheia ao lado de duas quase vazias

O que uma marca representa numa busca e o que ela representa numa prateleira são dois números diferentes. Em duas casas conhecidas a diferença é de mais de dez para um.

Já medimos que só 39% do que se anuncia no Brasil está disponível de fato, levantamento em só 40% do relógio anunciado está disponível.

Este post responde a pergunta seguinte: esse desconto atinge todo mundo por igual? Não atinge, e a diferença é grande o bastante para mudar por onde você começa a procurar.

Duas fatias, não uma

Toda marca tem duas participações no mercado brasileiro, e quase ninguém separa as duas.

A fatia de catálogo é quanto ela representa de tudo o que está anunciado. É o que você vê numa busca.

A fatia de prateleira é quanto ela representa do que está pronto para sair. É o que você pode de fato comprar hoje.

Em 18.598 anúncios, dos quais 7.185 estão disponíveis, elas ficam assim:

Marca No catálogo Na prateleira Taxa
Orient 28,6% 41,3% 56%
Seiko 16,7% 17,5% 40%
Bulova 10,0% 9,4% 36%
Citizen 9,8% 7,7% 30%
Tissot 7,8% 6,4% 32%
Casio 5,0% 10,2% 79%
Hamilton 4,9% 0,4% 3%
Longines 3,9% 0,3% 3%

A coluna do meio é a que importa para quem vai comprar, e ela não se parece com a primeira.

Quem cresce da busca para a prateleira

Duas marcas ganham espaço quando se filtra por disponibilidade, e ganham muito.

A Orient sai de 28,6% para 41,3%. Na prática: quatro de cada dez relógios que você consegue comprar hoje no Brasil são Orient. Ela tem 2.970 peças prontas, mais que Seiko, Bulova, Citizen e Tissot somadas.

A causa é a taxa de disponibilidade dela, 56%, contra 39% do mercado. É catálogo grande com giro de estoque real. A ficha da marca mostra uma casa japonesa que fabrica o próprio movimento e vende em volume alto na faixa de entrada, e o panorama dela está em a Orient vale a pena.

A Casio dobra, de 5,0% para 10,2%, com a maior taxa de todas: 79%. Quase tudo o que ela anuncia existe na caixa. É o comportamento esperado de linha de produção alta e preço baixo, ficha em Casio vale a pena.

Juntas, Orient e Casio são mais da metade da prateleira brasileira, com 51,5%, enquanto no catálogo somam 33,6%.

A Orient sai de 28,6% do catálogo para 41,3% da prateleira.
A Orient sai de 28,6% do catálogo para 41,3% da prateleira.

Quem quase desaparece

Do outro lado a queda é mais dramática que o crescimento.

A Hamilton é 4,9% do catálogo e 0,4% da prateleira. São 917 anúncios e 31 peças disponíveis.

A Longines é 3,9% do catálogo e 0,3% da prateleira. São 734 anúncios e 21 peças disponíveis.

Ou seja: as duas ocupam quase 9% de tudo o que você vê numa busca e menos de 1% do que dá para comprar. A cada dez resultados de Hamilton, nove não existem para envio hoje.

Isso não é defeito de marca, é modelo de distribuição: peça suíça de volume médio costuma vir por encomenda, com prazo. O que muda é a sua expectativa ao clicar.

Vale dizer que não é questão de porte: a ficha da Hamilton descreve uma casa com mais de um século de história e catálogo largo. Ela está aqui, só não está na caixa.

Citizen e Tissot também encolhem, de forma mais suave, de 9,8% para 7,7% e de 7,8% para 6,4%.

Onde a leitura falha

Vale listar, porque disponibilidade é o campo mais volátil do levantamento.

É uma foto de hoje. Uma reposição muda a linha de uma marca inteira numa semana.

Indisponível não é inexistente. A peça pode chegar por encomenda, e o prazo é a pergunta a fazer.

Prateleira cheia não é elogio. Alta disponibilidade também significa menor procura, lógica medida em o tamanho mais vendido é o mais difícil.

Fatia não é qualidade. Nada aqui diz que Orient é melhor que Longines. Diz que uma está na caixa e a outra está no catálogo, e o teste rápido de ficha é o vidro, explicado no verbete da Monochrome.

Marca pequena tem amostra pequena. Com 21 peças disponíveis, qualquer movimento mexe muito no percentual da Longines.

Preço não entra nesta conta. A tabela de quanto cada marca cobra está em qual marca de relógio é mais barata.

Hamilton e Longines ocupam 9% da busca e menos de 1% da prateleira.
Hamilton e Longines ocupam 9% da busca e menos de 1% da prateleira.

O que isso muda na busca

Filtre por disponibilidade antes de escolher marca. É o filtro que mais muda o resultado, e quase nenhuma loja o coloca em destaque.

Se você quer comprar hoje, comece por Orient e Casio. Juntas são metade da prateleira do país.

Se o alvo é Hamilton ou Longines, planeje prazo. São 31 e 21 peças no país inteiro, então a chance de a referência exata estar pronta é pequena.

Peça a data por escrito. Sob encomenda sem prazo definido é o pior cenário de compra.

Não conclua qualidade a partir de estoque. As duas coisas não se tocam, e o teste rápido de ficha continua sendo o vidro, em safira ou mineral.

Se a marca aparece muito na busca e some no filtro, você encontrou uma marca de encomenda, e não de vitrine.

Perguntas frequentes

Qual marca de relógio tem mais peça pronta no Brasil?

A Orient, com 2.970 peças disponíveis, ou 41,3% de tudo o que está pronto para sair. É mais que Seiko, Bulova, Citizen e Tissot somadas.

Qual marca tem a melhor taxa de disponibilidade?

A Casio, com 79% dos anúncios dela em peça pronta, contra 39% do mercado. A Orient vem em seguida, com 56%.

Por que é difícil achar Hamilton disponível?

Porque ela é 4,9% do catálogo e apenas 0,4% da prateleira. São 917 anúncios e 31 peças prontas, então a maior parte do que aparece na busca é encomenda.

Longines tem estoque no Brasil?

Pouco. São 734 anúncios e 21 peças disponíveis, uma taxa de 3%, a mesma da Hamilton.

Estoque alto quer dizer que a marca é ruim?

Não. Quer dizer que a oferta supera a procura naquele momento. Qualidade se mede na ficha, não na prateleira.

Quantos relógios estão disponíveis no Brasil?

Cerca de 7.185 anúncios em 18.598 varridos, ou 39% do total.

O que fica

Existe uma diferença entre o mercado que aparece na busca e o mercado que existe na caixa, e ela muda de marca para marca.

A Orient sai de 28,6% do catálogo para 41,3% da prateleira, o que significa que quatro de cada dez relógios compráveis hoje no Brasil são dela. A Casio dobra, de 5,0% para 10,2%, com a maior taxa medida, 79%.

E duas casas conhecidas quase somem. A Hamilton cai para 0,4% e a Longines para 0,3%, com taxa de 3% nas duas. Elas ocupam quase 9% do que você vê e menos de 1% do que você pode levar.

Nada disso ordena marcas por qualidade. Ordena por espera. Se a compra é para esta semana, o mapa da prateleira vale mais que o mapa do catálogo, e os dois raramente coincidem.

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