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O tamanho de relógio que todo mundo quer é o que menos tem em estoque

Gustavo Grossi 6 min de leitura
Bandeja de relojoeiro com vários espaços vazios no meio e relógios apenas nas pontas

Se você já procurou um relógio de 40 mm e sentiu que tudo o que interessa está esgotado, não foi impressão. Medimos, e a faixa mais desejada é justamente a mais vazia.

Cruzamos dois campos que quase nunca aparecem juntos: o diâmetro da caixa e a disponibilidade real da peça.

São 16.002 anúncios que declaram a medida no varejo brasileiro, e o resultado tem um formato que ninguém espera.

A faixa que todo mundo quer

O desenho do mercado por tamanho já medimos antes, em qual o tamanho de relógio mais comum. O resumo é que a mediana do país é 40,5 mm e a concentração é brutal:

Faixa Anúncios Fatia do mercado
Até 36 mm 2.282 14%
37 a 38 mm 1.704 11%
39 a 42 mm 8.172 51%
43 a 45 mm 2.977 19%
46 mm ou mais 867 5%

Metade do mercado brasileiro cabe em quatro milímetros. É a faixa que as marcas produzem mais, que as lojas compram mais e que a maioria das pessoas procura.

Seria razoável esperar que ela fosse também a mais fácil de achar. É o contrário.

E a que menos tem em estoque

Agora a segunda coluna, e ela é o post.

Para cada faixa, olhamos quantos anúncios têm peça disponível de fato, e não sob encomenda. A média do mercado inteiro é 38%, medida em só 40% do relógio anunciado está disponível.

Faixa Anúncios Disponíveis Taxa
Até 36 mm 2.282 1.111 49%
37 a 38 mm 1.704 713 42%
39 a 42 mm 8.172 2.830 35%
43 a 45 mm 2.977 1.168 39%
46 mm ou mais 867 416 48%

Leia a coluna da direita de cima para baixo: 49, 42, 35, 39, 48.

A curva desce até o meio e sobe de novo. A faixa de 39 a 42 mm, que concentra metade do mercado, é a que tem a pior disponibilidade de todas.

E a diferença não é pequena. Uma caixa de até 36 mm tem 49% de chance de estar pronta para envio, contra 35% na faixa central. São catorze pontos percentuais, ou quase quarenta por cento a mais de chance.

A disponibilidade desce até o meio e sobe nas pontas: 49, 42, 35, 39, 48.
A disponibilidade desce até o meio e sobe nas pontas: 49, 42, 35, 39, 48.

Por que as pontas sobram

A explicação é comercial, e ela é simples quando se olha dos dois lados.

No meio, a demanda drena o estoque. A faixa de 39 a 42 mm é o que quase todo comprador de pulso médio procura, então ela gira rápido e a prateleira fica vazia entre uma reposição e outra. Anúncio continua no ar, peça não.

Nas pontas, a demanda é menor que a oferta. Uma caixa de 34 mm ou de 47 mm atende um público específico, então ela senta na prateleira e fica disponível por muito mais tempo.

Ou seja: alta disponibilidade não é sinal de qualidade nem de bom negócio. É sinal de que menos gente quer aquilo.

Vale ler junto com o que já medimos sobre preço por canal em a mesma referência, 39% mais barata. Os dois achados dizem a mesma coisa por caminhos diferentes: o que aparece na busca não é o que está à venda.

E há um efeito de composição na ponta de cima. Boa parte do que passa de 46 mm é relógio de ferramenta e de mergulho, categoria explicada no texto técnico da Monochrome, onde a caixa grande é exigência de projeto e não escolha de moda.

Onde a leitura falha

Vale listar, porque a tabela não conta tudo.

Disponibilidade é uma foto. O campo muda toda semana, e a faixa mais apertada hoje pode respirar no mês que vem.

Nem todo anúncio declara a medida. São 16.002 dentro de um universo maior, e o que não declara fica fora da conta.

Diâmetro não é encaixe. A distância entre as alças decide mais que a medida publicada, e esse campo quase nunca existe.

Sob encomenda não é impossível. É prazo, e às vezes prazo longo. A peça existe, só não está na caixa hoje.

A ponta de baixo mistura públicos. Abaixo de 36 mm há muita peça pensada para pulso fino de qualquer pessoa, e a oferta parada não significa que a peça é ruim.

Tamanho é convenção de época. O verbete sobre o relógio de pulso mostra que a medida confortável mudou muito ao longo do último século, e a faixa apertada de hoje é a de hoje.

O mecanismo não entra aqui. Automático e quartzo aparecem nas duas pontas, e a diferença entre eles está no comparativo da Monochrome.

Até 36 mm a taxa é de 49%. De 39 a 42 mm, cai para 35%.
Até 36 mm a taxa é de 49%. De 39 a 42 mm, cai para 35%.

O que isso muda na sua busca

Se você usa de 39 a 42 mm, decida rápido. É a faixa mais disputada do país e a que menos tem peça pronta, com 35% de disponibilidade.

Não confunda anúncio com estoque. Dois de cada três resultados dessa faixa não estão prontos para envio, então filtre por disponibilidade antes de se apaixonar.

Se o seu pulso aceita 38 mm, você compra melhor. A disponibilidade sobe para 42%, e a oferta ainda é grande.

Se você tem pulso fino, o mercado trabalha a seu favor. Até 36 mm a taxa é de 49%, a melhor de todas.

Meça o pulso antes. O método está em como medir o pulso e evita comprar por número.

Não interprete estoque parado como pechincha. Peça disponível há meses costuma ser peça que pouca gente quer, e não oportunidade.

Se a peça exata não existe hoje, pergunte o prazo por escrito. Sob encomenda sem data é o pior dos mundos.

Perguntas frequentes

Por que é difícil achar relógio de 40 mm disponível?

Porque é a faixa mais procurada do Brasil. De 39 a 42 mm estão 51% dos anúncios e só 35% deles têm peça pronta para envio, a pior taxa de todas as faixas.

Qual tamanho de relógio tem mais peça em estoque?

As caixas de até 36 mm, com 49% de disponibilidade, e as de 46 mm ou mais, com 48%. As duas pontas do mercado giram menos e por isso ficam mais tempo na prateleira.

Relógio disponível é sinal de que ninguém quer?

Em geral sim, quando a disponibilidade é muito alta numa faixa inteira. Não diz nada sobre a qualidade da peça, diz que a demanda daquele tamanho é menor que a oferta.

Quantos relógios estão de fato disponíveis no Brasil?

Cerca de 38% dos anúncios. Entre os que declaram diâmetro, são 6.238 disponíveis em 16.002 anunciados.

Vale esperar por um 40 mm ou mudar de tamanho?

Se o pulso aceita 38 mm, a disponibilidade sobe de 35% para 42% e a espera cai. Se o número é inegociável, conte com prazo e pergunte a data por escrito.

A faixa de 43 a 45 mm é fácil de achar?

Um pouco mais que a central, com 39%, mas bem menos que as pontas. Ela ainda disputa público com a faixa de 39 a 42.

O que fica

Existe uma curva escondida no mercado brasileiro de relógio, e ela tem forma de U.

A faixa de 39 a 42 mm concentra 51% de tudo o que se anuncia e tem a pior disponibilidade medida, 35%. É o tamanho que a maioria procura e o que menos está pronto para sair.

Nas pontas acontece o oposto. Até 36 mm a taxa é de 49% e acima de 46 mm é de 48%, porque ali a oferta supera a procura e a peça fica parada.

A leitura prática inverte um instinto comum. Prateleira cheia não é bom sinal para quem vende, e é ótimo sinal para quem compra, desde que o tamanho sirva.

E a leitura estratégica é simples: se o seu número está no meio da curva, você está disputando metade do mercado com todo mundo. Decidir rápido, ou abrir a busca em um milímetro para baixo, muda mais a sua chance do que qualquer pesquisa de preço.

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