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TAG Heuer Formula 1: o mesmo nome cobre um relógio de dez mil e um de cinquenta

Gustavo Grossi 8 min de leitura
TAG Heuer Formula 1 de mostrador azul e bracelete de aço sobre pedra clara

Quem decide entrar na TAG Heuer quase sempre chega pelo Formula 1, porque é ele que segura o preço mais baixo da marca. O problema é que esse nome não descreve um relógio, e sim três.

Antes dos números, uma palavra sobre de onde eles vêm. Tudo o que está aqui saiu da nossa própria varredura, que acompanha o preço de vinte lojas brasileiras e alimenta o radar. Não é um censo do país: é o que a gente enxerga, e é bem diferente de dizer que é o mercado inteiro.

Por que ele é a porta de entrada

A TAG Heuer é uma casa suíça antiga. Ela foi fundada por Edouard Heuer em 1860, em Saint-Imier, e hoje pertence ao grupo LVMH, segundo a ficha da empresa. Dentro do catálogo dela convivem linhas muito diferentes, e o Formula 1 é a mais barata de todas.

Na nossa base, a marca aparece hoje com 116 peças disponíveis, e a mediana delas está em R$ 35.610. Esse número assusta, e é justamente por isso que o Formula 1 importa: o piso da marca inteira, R$ 10.699, é um Formula 1 de quartzo. Ele é o degrau que existe para você entrar sem pagar trinta e cinco mil.

O nome vem do automobilismo, que é a relação mais antiga da marca. A Heuer cronometrava corrida muito antes de virar TAG Heuer, e a linha herdou essa história junto com o desenho: aro giratório, mostrador limpo e cores fortes.

Só que herdar a história não significa herdar a mecânica, e é aí que a conversa fica interessante.

Os três relógios que moram no mesmo nome

Quando separamos as 40 peças de Formula 1 disponíveis na nossa base pelo tipo de motor, aparecem três grupos que quase não conversam entre si.

O que está dentro Peças Preço Mediana
Quartzo 24 R$ 10.699 a R$ 24.030 R$ 18.455
Solar 5 R$ 13.499 a R$ 16.730 R$ 16.520
Automático 10 R$ 23.590 a R$ 52.710 R$ 46.410

O primeiro grupo é o maior e o mais barato. Vinte e quatro das quarenta peças são de quartzo, o motor eletrônico movido a pilha, e é dele que sai o piso de R$ 10.699.

O segundo grupo é pequeno e pouca gente sabe que existe. São cinco peças movidas a luz, a versão Solargraph, que funciona como um quartzo mas carrega pelo mostrador em vez de gastar pilha.

O terceiro grupo é onde o preço muda de patamar. São dez automáticos, com mediana de R$ 46.410, ou seja, duas vezes e meia o quartzo da mesma linha.

Essa distância é o dado que muda a compra, porque quem procura “o TAG Heuer mais barato” e encontra R$ 10.699 está olhando um relógio, e quem chega na loja pedindo “um Formula 1” pode acabar diante de outro, que custa quase cinquenta mil reais.

Vinte e quatro quartzos, cinco solares e dez automáticos dentro do mesmo nome.
Vinte e quatro quartzos, cinco solares e dez automáticos dentro do mesmo nome.

O que separa o quartzo do automático

A diferença de preço é grande demais para ser só uma questão de gosto, então vale entrar no detalhe do que muda de um para o outro.

No quartzo, um cristal vibra sob corrente elétrica e um motor de passo empurra os ponteiros. É um mecanismo simples, barato de produzir e muito preciso: ele erra poucos segundos por mês, enquanto uma mecânica boa erra alguns por dia. A comparação técnica está no texto da Monochrome sobre os dois sistemas, e a régua do que é aceitável em cada um está em quantos segundos um relógio pode errar.

No automático, uma mola guarda energia e um peso que gira com o movimento do pulso enrola essa mola sozinho. São dezenas de peças a mais, montagem mais demorada e regulagem manual, e nada disso melhora a precisão. O que melhora é outra coisa: o relógio funciona sem pilha, tem um mecanismo visível pelo fundo e carrega o tipo de acabamento que justifica uma casa suíça cobrar por ele.

Quando a gente mediu esse mesmo salto em catorze linhas diferentes, a mediana ficou em 32% a mais pelo automático, conforme quanto custa a mais um automático. No Formula 1 o salto é de 151%, muito acima do normal, e a razão é que o automático da linha não é a mesma peça com outro motor: ele vem em versão cronógrafo, com caixa e acabamento diferentes.

O vidro, pelo menos, não separa os grupos. Das peças que declaram o material na nossa base, 26 usam safira, que é o material que praticamente não risca, conforme o verbete da Monochrome. Nessa faixa de preço seria constrangedor se fosse diferente.

A parte que ninguém avisa: achar um

Existe um número que costuma passar despercebido e que atrapalha mais a compra do que o preço.

Das 127 peças de Formula 1 que aparecem anunciadas na nossa base, apenas 40 têm produto pronto para sair. As outras 87 estão sob encomenda ou simplesmente indisponíveis, o que significa que duas em cada três buscas terminam numa página que não vende nada hoje.

Isso não é exclusividade da linha. Peça cara fica parada no estoque custando dinheiro para a loja, então o varejo anuncia o catálogo do distribuidor e compra quando alguém fecha. Foi exatamente esse comportamento que medimos em relógio indisponível ou sob encomenda, onde a encomenda sobe junto com o preço até chegar a 85% acima de doze mil reais.

Na prática, se você quer um Formula 1 específico, com a cor e o motor que escolheu, o caminho provável é encomenda com prazo. E prazo é a informação que o anúncio quase nunca traz, então ela precisa ser perguntada por escrito antes de qualquer sinal.

Onde ele decepciona

A caixa é grande. Vinte das quarenta peças disponíveis têm 43 mm, o que é bastante para o pulso médio brasileiro, cuja referência a gente mediu em qual o tamanho de relógio mais comum. Em pulso fino o relógio avança sobre o osso e fica desconfortável.

O quartzo incomoda parte do público. Pagar dez mil reais num relógio a pilha é uma decisão que muita gente não consegue tomar, ainda que tecnicamente ele meça melhor que o automático que custa quatro vezes mais.

A revenda de peça de entrada de marca de luxo costuma ser dura, porque o comprador de usado que tem quinze mil reais prefere subir de linha a comprar a porta de entrada. A lógica está em relógio é investimento.

E catorze das quarenta peças não declaram o vidro na nossa base, o que obriga a perguntar antes de fechar, mesmo numa faixa em que safira deveria ser automática.

Das 127 peças anunciadas, só 40 têm produto pronto para sair.
Das 127 peças anunciadas, só 40 têm produto pronto para sair.

Qual comprar

Se o objetivo é entrar na marca gastando o mínimo, o caminho é o quartzo de R$ 10.699. Ele é o piso da TAG Heuer inteira na nossa base e entrega o desenho, o nome e a precisão. O que ele não entrega é mecânica.

Se trocar pilha te incomoda, os cinco Solargraph resolvem isso a partir de R$ 13.499, carregando pela luz do ambiente sem abrir a caixa. É pouca peça, então a escolha de cor fica limitada.

Se o motivo da compra é o mecanismo girando, o automático começa em R$ 23.590 e a mediana está em R$ 46.410. Antes de assinar, vale comparar com o que outras casas suíças oferecem nessa mesma faixa, porque ali você já não está comprando a porta de entrada de ninguém.

Se o pulso é fino, procure as sete peças de 41 mm em vez das vinte de 43 mm.

E se a pressa é grande, aceite que a lista de opções prontas é curta: são quarenta peças, e a cor exata que você quer pode não estar entre elas.

Perguntas frequentes

O TAG Heuer Formula 1 vale a pena?

Vale como porta de entrada da marca, principalmente na versão de quartzo, que começa em R$ 10.699 na nossa base e é o piso da TAG Heuer inteira. Como compra de mecânica, a conta fica mais difícil, porque o automático da linha pede mediana de R$ 46.410.

Qual o TAG Heuer mais barato?

Entre as peças com produto pronto na nossa base, um Formula 1 de quartzo a R$ 10.699.

Qual a diferença entre o Formula 1 de quartzo e o automático?

O quartzo funciona a pilha, é mais preciso e custa a partir de R$ 10.699. O automático se move pela energia do seu pulso, tem mecanismo visível e mediana de R$ 46.410, porque vem em versão cronógrafo com outro acabamento.

O Formula 1 tem safira?

As peças que declaram o material usam safira, mas catorze das quarenta disponíveis não declaram nada, então o campo precisa ser confirmado antes de fechar.

Por que é difícil achar um Formula 1 disponível?

Porque das 127 peças anunciadas na nossa base, apenas 40 têm produto pronto. Relógio caro fica parado no estoque, então a loja costuma anunciar primeiro e comprar depois que alguém fecha.

O Formula 1 é grande demais?

Vinte das quarenta peças disponíveis têm 43 mm, que é acima da medida mais comum no mercado que acompanhamos. Existem sete peças de 41 mm para quem precisa descer.

O que fica

O Formula 1 cumpre o papel que a TAG Heuer deu a ele, que é abrir a marca para quem não tem trinta e cinco mil reais. O piso de R$ 10.699 é real e é dele.

O que confunde é o nome cobrir três produtos ao mesmo tempo. Na nossa base moram 24 quartzos, 5 solares e 10 automáticos sob a mesma etiqueta, e a distância entre as pontas chega a 151%, muito acima dos 32% que medimos como salto típico entre motores.

Antes de decidir, então, a pergunta não é se o Formula 1 vale a pena. É qual dos três Formula 1 você está olhando, porque a resposta muda completamente conforme o motor.

E vale contar com espera. De 127 peças anunciadas, 40 estão prontas, e a cor com o motor certo pode simplesmente não existir hoje entre as lojas que a gente acompanha.

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