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Citizen Rolan: safira nas quatro a partir de R$ 2.290, e a mesma tecnologia com dois nomes

Gustavo Grossi 7 min de leitura
Citizen Rolan de mostrador azul e correia de couro sobre superfície clara

Esta é uma linha pequena e fácil de perder de vista, e ela entrega numa faixa de preço em que quase metade do mercado não entrega. O problema é achar, e o motivo é o nome.

Os números vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que abastece o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não o mercado inteiro.

O que o Rolan é

A ficha da Citizen descreve uma casa japonesa de 1918 que se tornou uma das maiores fabricantes de relógio do mundo, com movimento próprio e produção verticalizada.

O Rolan é uma linha de vestir da casa, de caixa lisa e mostrador limpo, sem aro giratório e sem pretensão esportiva. É relógio de trabalho e de camisa.

Na nossa base ele aparece com 4 peças prontas para sair, de 6 anunciadas, com preço entre R$ 2.290 e R$ 3.790 e mediana em R$ 3.640.

Quatro de seis é uma disponibilidade de 67%, que é alta. A maior parte do que você encontra numa busca dessa linha existe de verdade na prateleira, o que não é o padrão do mercado que medimos em relógio indisponível ou sob encomenda.

Rolan na nossa base
Peças prontas 4 de 6
Disponibilidade 67%
Safira nas 4
Movimento carga por luz nas 4
Caixa 40 mm em 3, 37 mm em 1
Preço R$ 2.290 a R$ 3.790

Safira nas quatro

Aqui está o dado que faz a linha valer um texto.

As quatro peças prontas trazem vidro de safira, e a mais barata delas custa R$ 2.290.

Vale explicar o que essa linha da ficha significa, porque ela é a que mais aparece no uso e a que menos gente confere antes de comprar.

Safira, no vocabulário de relojoaria, é óxido de alumínio cristalizado em laboratório. Ela marca 9 na escala de dureza de Mohs, onde o diamante é 10, e a consequência prática é que quase nada que você encontra no cotidiano consegue riscar o vidro.

Cristal mineral, que é o outro material comum, é vidro endurecido por tratamento. Ele aguenta bem uma pancada, mas risca com areia de praia, com a quina de uma mesa, com a fivela de um cinto e com a chave do carro. E risco em vidro não tem conserto barato, conforme o verbete da Monochrome. Ou você troca o cristal, ou ele fica.

Agora o contexto que dá tamanho ao achado. Entre tudo o que a gente vê pronto na faixa de R$ 2.000 a R$ 2.500, que é onde o piso do Rolan cai, a safira aparece em menos da metade dos anúncios. Na base inteira, considerando todas as faixas, ela fica em 51,3%.

Ou seja, comprar safira por dois mil e trezentos reais é ganhar uma moeda que sai cara ou barata dependendo de onde você olha. Aqui ela sai barata.

As quatro peças prontas trazem vidro de safira, com piso em dois mil duzentos e noventa reais.
As quatro peças prontas trazem vidro de safira, com piso em dois mil duzentos e noventa reais.

A mesma tecnologia com dois nomes

Agora o detalhe que motivou este texto, e ele é sobre como comprar.

As quatro peças prontas usam a mesma tecnologia de energia. Uma célula fotovoltaica fica escondida atrás do mostrador, converte luz em eletricidade e carrega uma bateria recarregável dentro da caixa, conforme o verbete do sistema. Não precisa de sol direto: a luz do escritório já alimenta o relógio, e você nunca troca pilha.

Só que nos anúncios essa mesma tecnologia aparece com dois nomes diferentes. Três das quatro peças prontas são anunciadas como Eco-Drive, e a quarta é anunciada como solar, em outra loja.

As duas palavras descrevem exatamente a mesma coisa. Eco-Drive é o nome comercial que a Citizen deu ao sistema de carga por luz. Solar é o termo genérico da indústria para o mesmo princípio.

Isso não é erro de ninguém, e sim vocabulário de vitrine. Mas tem uma consequência prática desagradável para quem compara.

Se você filtra uma busca por Eco-Drive, some a peça anunciada como solar. Se filtra por solar, somem as três anunciadas como Eco-Drive. Nos dois casos você perde parte da oferta sem perceber, e conclui que a linha tem menos opção do que tem de verdade.

O tamanho disso na nossa base é fácil de ver. Entre tudo o que está pronto da Citizen, 421 peças aparecem como Eco-Drive e 35 como solar. São a mesma tecnologia em duas gavetas, e a gaveta menor some de quase toda busca.

A instrução que sai daqui é simples. Ao procurar relógio movido a luz, procure pelos dois termos, sempre. E, ao comparar dois anúncios, não presuma que um sistema é melhor que o outro só porque o nome é diferente.

Onde o nome atrapalha a busca

O problema de nome não para no movimento. Ele continua na própria coleção.

Parte das lojas que a gente acompanha vende essas mesmas referências como Corso Rolan, e não como Rolan. O Corso é outra linha da casa, com referências completamente diferentes das quatro daqui, e mesmo assim os dois nomes aparecem grudados em alguns anúncios.

Para quem compara preço isso é ruim, porque a mesma peça pode estar listada em duas categorias distintas e nunca aparecer lado a lado numa busca.

O jeito de contornar é o mesmo de sempre, e vale para o catálogo inteiro. Compare pelo código de referência, aquele conjunto de letras e números que a marca usa para identificar a versão exata. Ele não muda de loja para loja, e o nome comercial muda.

Se quiser ver a linha vizinha antes de decidir, ela está em Citizen Corso vale a pena.

A mesma peça é anunciada como Eco-Drive numa loja e como solar em outra.
A mesma peça é anunciada como Eco-Drive numa loja e como solar em outra.

Onde ele decepciona

A oferta é minúscula. São 4 peças prontas de 6 anunciadas, e por mais que o percentual seja bom, o número absoluto é baixo. A cor exata que você quer provavelmente não existe hoje.

A ficha para no vidro. Espessura, resistência à água e o código do calibre não aparecem de forma comparável nos anúncios, que é o padrão medido em o que o anúncio não diz. No caso de um relógio movido a luz, o calibre é o campo que diria quantos meses a carga rende no escuro.

A cor concentra. Três das quatro peças prontas têm mostrador azul, e a quarta é champagne, que é um dourado claro.

E a bateria recarregável não é eterna. Ela dura muitos anos, bem mais que uma pilha comum, mas um dia precisa ser substituída numa assistência, e esse é um custo que quase nenhum anúncio menciona.

Qual comprar

Se o vidro é o critério, e ele deveria ser em relógio de uso diário, a peça de R$ 2.290 é a melhor conta da linha. É o menor preço das quatro e vem com safira, o que é pouco comum nessa faixa.

Se o pulso é médio ou largo, as versões de 40 mm são a maioria, com três das quatro prontas. A de 37 mm é justamente a mais barata, então vale conferir a medida antes de decidir só pelo preço.

Se você nunca quer pensar em pilha de novo, qualquer uma das quatro resolve, porque a linha inteira é movida a luz.

E se estiver comparando anúncios, procure pelos dois nomes, Eco-Drive e solar, e compare pelo código de referência. Vai aparecer mais oferta do que a busca mostra à primeira vista.

Perguntas frequentes

O Citizen Rolan vale a pena?

Vale. As quatro peças prontas na nossa base trazem vidro de safira, com piso em R$ 2.290, numa faixa em que menos da metade do mercado que acompanhamos entrega esse material.

Quanto custa um Citizen Rolan?

De R$ 2.290 a R$ 3.790 entre as peças prontas que a gente acompanha, com mediana em R$ 3.640.

O Citizen Rolan tem safira?

Tem, nas quatro peças prontas. É o material que praticamente não risca no uso diário.

Eco-Drive e solar são a mesma coisa?

São. Eco-Drive é o nome comercial que a Citizen deu ao sistema de carga por luz, e solar é o termo genérico da indústria. Dentro desta mesma linha, três peças aparecem com um nome e uma com o outro.

O Citizen Rolan precisa de troca de pilha?

Não. A luz carrega uma bateria interna recarregável. Essa bateria dura muitos anos, mas um dia precisa ser substituída em assistência.

Qual o tamanho do Citizen Rolan?

Quarenta milímetros em três das quatro peças prontas, e 37 mm na outra, que é também a mais barata.

O que fica

O Rolan é uma linha pequena que acerta a coisa mais importante da ficha. Safira nas quatro peças prontas, com piso em R$ 2.290, numa faixa de preço em que menos da metade do mercado que acompanhamos entrega esse vidro.

A disponibilidade também ajuda. Quatro de seis anúncios têm produto, o que é bem acima do padrão que medimos.

O problema não é o relógio, é encontrá-lo. A mesma tecnologia de carga por luz aparece como Eco-Drive em três anúncios e como solar no quarto, e parte do varejo ainda vende a linha sob o nome de outra coleção da casa.

Então a regra prática vale para além desta página. Procure pelos dois termos, Eco-Drive e solar, e compare sempre pelo código de referência. O nome comercial muda de vitrine para vitrine, e o código não.

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