Radar Watch Abrir o radar

Citizen Calendrier: o tamanho da caixa decide o vidro, e a diferença é de mil reais

Gustavo Grossi 8 min de leitura
Citizen Calendrier de mostrador azul apoiado em superfície clara

Dentro desta coleção existe uma regra que nenhuma loja explica, mas que aparece limpa quando você põe as sete peças prontas lado a lado. O tamanho da caixa prevê o vidro, e prevê também o preço.

Os números vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que abastece o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não um censo do mercado.

O que o Calendrier é

A ficha da Citizen descreve uma casa japonesa de 1918 que se tornou uma das maiores fabricantes de relógio do mundo, com movimento próprio e integração vertical alta.

O Calendrier é a linha de calendário dela, de proposta clássica e mostrador carregado de indicações, com dia da semana, data e, em parte das peças, um anel de fuso horário em volta. O nome é a palavra francesa para calendário, e ele descreve exatamente o que a peça faz.

Na nossa base a coleção aparece com 7 peças prontas para sair, de 12 anunciadas, com preço entre R$ 4.990 e R$ 5.990 e mediana em R$ 5.990.

Essa faixa é estreita de um jeito incomum. Mil reais separam o piso do teto, e cinco das sete peças prontas custam exatamente o mesmo valor.

Calendrier na nossa base
Peças prontas 7 de 12
Movimento Eco-Drive nas 7
Vidro safira em 5, mineral em 2
Caixa 41 mm em 5, 36 e 37 mm nas outras
Pulseira aço em 4, couro em 3
Preço R$ 4.990 a R$ 5.990

A luz que substitui a pilha

Todas as sete peças prontas usam Eco-Drive, e vale explicar o que isso significa, porque é a tecnologia que define a marca e ela costuma ser mal entendida.

Uma célula fotovoltaica fica escondida atrás do mostrador e converte luz em eletricidade, que carrega uma bateria recarregável dentro da caixa, conforme o verbete do sistema. Não precisa de sol direto. A luz do escritório e a da sala já alimentam o relógio.

A consequência prática é o que interessa. Você nunca troca pilha. Uma carga cheia costuma durar meses no escuro total, então o relógio sobrevive à gaveta e à mala sem parar.

Duas observações honestas sobre isso. A bateria recarregável tem vida útil longa, de muitos anos, mas não é eterna, e um dia ela precisa ser substituída numa assistência. E o mostrador precisa receber luz, então relógio guardado por anos numa caixa fechada acaba descarregando.

Vale dizer também que solar e Eco-Drive são a mesma tecnologia. Eco-Drive é o nome comercial que a Citizen deu ao sistema dela. Quando outra marca anuncia solar, está falando do mesmo princípio, o que confunde bastante na hora de comparar anúncio com anúncio.

Dentro da Citizen, o Eco-Drive é o padrão e não a exceção. Entre tudo o que a gente vê pronto da marca, 428 peças são Eco-Drive, contra 112 automáticas e 35 de quartzo comum.

As sete peças prontas usam Eco-Drive, que converte luz em eletricidade.
As sete peças prontas usam Eco-Drive, que converte luz em eletricidade.

O tamanho decide o vidro

Aqui está o achado que organiza a compra, e ele é limpo porque não sobra nenhuma exceção entre as sete peças prontas.

Dentro da mesma coleção 41 mm 36 e 37 mm
Peças prontas 5 2
Vidro safira nas 5 mineral nas 2
Preço R$ 5.990 R$ 4.990
Mostrador champagne, azul, salmão madrepérola

As cinco peças de 41 mm trazem safira e custam R$ 5.990. As duas menores, de 36 e 37 mm, trazem cristal mineral e custam R$ 4.990.

A diferença de vidro é a que mais aparece no uso. Safira marca 9 na escala de dureza de Mohs e quase nada do cotidiano risca ela. Cristal mineral é vidro comum endurecido, e ele marca com areia, com quina de mesa e com a chave do carro, sem conserto depois, conforme o verbete da Monochrome.

Então o que a coleção faz é cobrar mil reais a mais pela caixa maior e entregar junto o vidro melhor. As duas coisas vêm no mesmo pacote, e você não consegue separar uma da outra dentro desta linha.

Isso importa porque quem procura a caixa menor, por preferência ou por pulso, não está apenas escolhendo proporção. Está abrindo mão do vidro que não risca, e economizando mil reais por isso.

Uma ressalva necessária sobre o alcance desse achado. São sete peças, o que é pouco para virar regra geral da marca. O padrão vale para o que está pronto nesta coleção hoje, e por isso o campo do vidro ainda merece ser confirmado no anúncio antes de fechar.

Mostradores que quase não existem

A outra coisa que separa esta linha do resto do catálogo é a cor, e ela é bastante rara.

Das sete peças prontas, três têm mostrador champagne, duas têm madrepérola, uma tem azul e uma tem salmão.

Vale dimensionar isso. Quando contamos a cor de mostrador de tudo o que acompanhamos, em a cor de mostrador mais comum, preto e azul juntos respondem por mais da metade do mercado. Champagne aparece em 1,2% das peças e madrepérola em 1,6%.

Ou seja, cinco das sete peças prontas desta coleção usam acabamentos que somam menos de 3% de tudo o que a gente vê.

Champagne é um dourado claro e acinzentado, mais discreto que o dourado cheio, e que muda bastante conforme a luz bate. Madrepérola é outra coisa completamente: é a camada interna da concha, cortada em lâminas muito finas e aplicada sobre o mostrador, com um desenho que nunca se repete de peça para peça, como explicamos em mostrador de madrepérola.

Salmão é ainda mais incomum. São 33 peças em toda a nossa base. É um tom rosado-alaranjado que a relojoaria usa desde os anos trinta e que voltou a aparecer há pouco tempo.

Para quem compra, o efeito é de reconhecimento. Esta é uma linha que não se confunde com as outras em cima de uma mesa, e isso é raro numa faixa de preço dominada por mostrador preto.

O preço não muda de loja para loja

Um detalhe que vale registrar, porque contraria o que a gente costuma encontrar.

A referência mais comum da linha aparece em três lojas diferentes da nossa varredura, e as três pedem exatamente R$ 5.990. Sem centavo de diferença.

Isso é o oposto do que medimos na maior parte do catálogo. Em mesma referência, preço diferente, vimos dispersões grandes para o mesmo código de fábrica, e em alguns casos a diferença passa de 80% entre o anúncio mais barato e o mais caro.

Aqui não há espaço de negociação por busca. Se o preço é o seu critério, ele não vai melhorar trocando de vitrine dentro do que a gente enxerga, e o caminho é outro: olhar a peça de 36 ou 37 mm, que sai mil reais mais barata.

A mesma referência aparece em três lojas diferentes pelo mesmo preço.
A mesma referência aparece em três lojas diferentes pelo mesmo preço.

Onde ele decepciona

A ficha para cedo. Espessura, resistência à água e o código do calibre não aparecem de forma comparável nos anúncios, que é o padrão brasileiro medido em o que o anúncio não diz. No caso do Eco-Drive, o calibre é o campo que diria quantos meses de reserva a carga rende, e ele quase nunca está lá.

A oferta é curta. São 7 peças prontas de 12 anunciadas, então a cor exata que você quer pode simplesmente não existir hoje entre as vinte lojas que a gente acompanha.

O preço é firme e a linha é cara para a marca. Quase seis mil reais coloca esta coleção bem acima da mediana da Citizen no Brasil, levantada em qual marca de relógio é mais barata.

E as duas peças menores ficam numa posição desconfortável. Elas custam R$ 4.990 e entregam o vidro mais simples, o que é bastante dinheiro para cristal mineral.

Qual comprar

Se o vidro é o critério, e ele deveria ser em relógio de uso diário, as peças de 41 mm a R$ 5.990 são a escolha certa dentro da linha. Safira nessa faixa é o mínimo esperado, e aqui ela só vem na caixa maior.

Se o pulso é fino e a caixa de 41 mm é grande demais, as versões de 36 e 37 mm a R$ 4.990 resolvem a proporção e economizam mil reais, com a contrapartida clara do cristal mineral.

Se o que atrai é o acabamento, o champagne é o mais fácil de achar pronto, com três peças, e o salmão é o mais raro de todos, com 33 exemplares em toda a nossa base.

E se a ideia é nunca mais trocar pilha, a linha inteira resolve, porque as sete peças prontas são Eco-Drive.

Perguntas frequentes

O Citizen Calendrier vale a pena?

Vale nas versões de 41 mm, que trazem safira e Eco-Drive por R$ 5.990. As versões menores custam R$ 4.990 e trazem cristal mineral, o que é bastante dinheiro para esse vidro.

Quanto custa um Citizen Calendrier?

De R$ 4.990 a R$ 5.990 entre as peças prontas que a gente acompanha. Cinco das sete custam exatamente R$ 5.990.

O Citizen Calendrier tem safira?

Cinco das sete peças prontas têm, e são justamente as de 41 mm. As duas menores, de 36 e 37 mm, usam cristal mineral.

O Eco-Drive precisa de troca de pilha?

Não. Uma célula atrás do mostrador converte luz em eletricidade e carrega uma bateria interna recarregável. Essa bateria dura muitos anos, mas um dia precisa ser substituída em assistência.

Qual o tamanho do Citizen Calendrier?

Quarenta e um milímetros em cinco das sete peças prontas. As outras duas medem 36 e 37 mm.

Eco-Drive e solar são a mesma coisa?

São. Eco-Drive é o nome comercial que a Citizen deu ao sistema de carga por luz. Outras marcas chamam a mesma tecnologia de solar, o que atrapalha na hora de comparar anúncios.

O que fica

O Calendrier é uma linha coerente, e a coerência dela está numa regra que nenhuma loja escreve. As cinco peças de 41 mm trazem safira e custam R$ 5.990. As duas de 36 e 37 mm trazem cristal mineral e custam R$ 4.990.

Tamanho e vidro vêm amarrados, então escolher a caixa menor é também escolher o vidro que risca. Vale saber disso antes, porque mil reais de economia numa peça de uso diário se pagam em poucos anos de mostrador marcado.

O que a linha entrega de melhor é a soma de duas coisas raras. Eco-Drive nas sete peças, ou seja, nenhuma troca de pilha, e mostradores de champagne, madrepérola e salmão, que juntos somam menos de 3% de tudo o que a gente acompanha.

E o preço é firme. A referência principal aparece em três lojas da nossa varredura pelo mesmo valor, sem variação nenhuma, o que é raro num catálogo onde o mesmo código costuma oscilar bastante.

Continue lendo