Bulova Surveyor: o canto automático de uma marca que vive de quartzo
A Bulova é conhecida por relógio de quartzo, e é por isso que o Surveyor passa despercebido. Ele é justamente o contrário disso, e vem no tamanho que quase ninguém consegue achar.
Os números aqui vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que alimenta o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não o mercado inteiro do país.
Onde a Bulova costuma jogar
Para entender o Surveyor é preciso entender de onde ele sai.
A ficha da empresa mostra uma casa americana fundada em 1875, que hoje pertence à Citizen, e cuja identidade técnica moderna foi construída em cima de eletrônica. Foi ela que lançou o Accutron, com diapasão, e depois o Precisionist, com cristal de alta frequência. Nada disso é mecânica.
Isso se reflete no que chega ao Brasil. Na nossa base, o grosso do que a Bulova vende por aqui é quartzo, e a marca aparece com mediana em torno de cinco mil reais, conforme o levantamento de qual marca de relógio é mais barata.
O Surveyor é a exceção dentro dessa lógica, e é por isso que ele merece um texto próprio.
Sessenta e quatro automáticos
Na nossa base a linha aparece com 93 peças prontas para sair, de 177 anunciadas, e a composição delas é o achado.
| Surveyor na nossa base | |
|---|---|
| Peças prontas | 93 |
| Automáticas | 64 |
| Quartzo | 29 |
| Preço | R$ 2.100 a R$ 5.990 |
| Mediana | R$ 4.490 |
Sessenta e quatro das 93 peças prontas são automáticas, ou seja, quase sete em cada dez. Numa marca cuja reputação inteira foi construída sobre eletrônica, essa é a prateleira que contraria a fama.
Vale explicar o que isso significa no uso. Um automático não tem pilha: uma mola guarda a energia e um peso que gira com o movimento do braço enrola essa mola sozinho enquanto você usa o relógio. Se ele ficar dois dias fora do pulso, para, e você reacerta.
Em troca você tem um mecanismo que dá para ver pelo fundo, que não depende de troca de bateria e que carrega o tipo de trabalho que a relojoaria tradicional valoriza. Não melhora a precisão. Um quartzo simples continua medindo melhor, conforme o comparativo da Monochrome.
O piso de R$ 2.100 é o número que fecha o argumento. Quando levantamos por onde começa o automático de cada marca, em primeiro relógio automático, a entrada da Bulova ficou logo acima da japonesa e bem abaixo da suíça. O Surveyor é onde essa entrada mora.

Trinta e nove milímetros
Existe um segundo motivo para essa linha interessar, e ele é de proporção.
Quarenta e três das 93 peças prontas têm 39 mm.
Quando medimos o diâmetro de tudo o que a gente acompanha, em qual o tamanho de relógio mais comum, a medida central ficou em 40,5 mm e metade do mercado se concentrou entre 39 e 42 mm. Só que essa faixa central é justamente a mais disputada, e por isso a mais difícil de achar pronta, conforme mostramos em o tamanho mais vendido é o mais difícil.
Trinta e nove milímetros é o degrau de baixo dessa faixa. É a medida que serve para pulso médio sem ficar volumosa, que passa sob a manga da camisa e que acomoda tanto quem tem pulso fino quanto quem tem pulso largo. E ela é escassa.
Ter 43 peças prontas nessa medida, dentro de uma única linha, é incomum o bastante para ser o motivo da busca começar aqui.
O vidro divide a linha ao meio
Agora a parte que exige atenção antes de fechar, porque ela não é uniforme.
| Vidro do Surveyor | Peças |
|---|---|
| Safira | 62 |
| Cristal mineral | 31 |
Sessenta e duas peças com safira e trinta e uma com cristal mineral. Ou seja, um terço da linha vem com o vidro que risca.
A diferença entre os dois materiais é a que mais aparece no uso diário. Safira é óxido de alumínio cristalizado, marca 9 na escala de Mohs e praticamente nada do cotidiano risca ela. O cristal mineral é vidro endurecido e marca com areia de praia, com a quina de uma mesa e com a chave do carro, e essa marca não sai mais, conforme o verbete da Monochrome.
Duas peças da mesma linha, com o mesmo desenho e preço parecido, podem trazer materiais diferentes. O campo precisa ser conferido peça a peça, e não deduzido do nome da coleção.
Se a dúvida por trás da compra for onde a marca se posiciona de verdade, a conta está em a Bulova é marca de luxo.
Onde ele decepciona
A caixa não é só 39 mm. Quinze peças têm 23 mm e doze têm 41 mm, o que mostra que o nome cobre também uma família feminina bem menor. O número precisa ser confirmado no anúncio.
A ficha para no vidro. Água, espessura e calibre não aparecem de forma comparável, que é o padrão brasileiro medido em o que o anúncio não diz.
O automático cobra manutenção que o quartzo não cobra, e revisão de mecânica não é barata, com o custo em revisão de relógio quanto custa.
E a disponibilidade é de pouco mais da metade: 93 prontas de 177 anunciadas, o que significa que boa parte do que aparece na busca ainda depende de encomenda.

Qual comprar
Se você quer o primeiro automático sem entrar em marca japonesa, o piso de R$ 2.100 faz esse trabalho, e é dos caminhos mais curtos para ter mecânica de marca conhecida.
Se o pulso é médio, procure especificamente as 43 peças de 39 mm. Essa é a medida que resolve mais gente e a que costuma faltar no mercado.
Se o relógio vai ser usado todo dia, confirme o vidro antes de qualquer outra coisa, porque um terço da linha vem com mineral e a diferença aparece no primeiro ano.
E se o objetivo é precisão pura, as 29 peças de quartzo da mesma linha entregam mais por menos, com a contrapartida de não terem o mecanismo que se vê pelo fundo.
Perguntas frequentes
O Bulova Surveyor vale a pena?
Vale principalmente na versão automática, que responde por 64 das 93 peças prontas na nossa base e começa em R$ 2.100. O ponto de atenção é o vidro, porque um terço da linha usa cristal mineral.
Quanto custa um Bulova Surveyor?
De R$ 2.100 a R$ 5.990 entre as peças prontas que a gente acompanha, com mediana em R$ 4.490.
O Surveyor é automático?
A maioria é. São 64 automáticos e 29 de quartzo entre as 93 peças prontas.
O Bulova Surveyor tem safira?
Sessenta e duas das 93 peças prontas têm. As outras 31 usam cristal mineral, então o campo precisa ser confirmado anúncio a anúncio.
Qual o tamanho do Bulova Surveyor?
Quarenta e três das 93 peças prontas têm 39 mm, que é a medida mais útil da linha. Existem também versões de 41 mm e uma família menor, de 23 mm.
Bulova faz relógio automático?
Faz, e o Surveyor é onde isso se concentra no que chega ao Brasil, ainda que a identidade técnica moderna da marca tenha sido construída em cima de eletrônica.
O que fica
O Surveyor é a linha que contraria a fama da própria marca. Numa casa que construiu identidade em eletrônica, ele chega ao Brasil com 64 automáticos entre 93 peças prontas, e com piso em R$ 2.100.
O segundo motivo para olhar é a proporção. Quarenta e três dessas peças têm 39 mm, que é o degrau mais confortável da faixa central do mercado e justamente o que costuma estar em falta.
O que exige cuidado é o vidro. Sessenta e duas peças trazem safira e trinta e uma trazem cristal mineral, dentro do mesmo nome, então essa é a pergunta que precede a compra.
Feita essa conferência, é uma das entradas mais diretas que existem para quem quer mecânica de marca reconhecida sem passar de dois mil e cem reais.
