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Orient Kanno: o mergulhador maior da casa, e o que ele troca pelo tamanho

Gustavo Grossi 7 min de leitura
Orient Kanno de mostrador azul e bracelete de aço sobre pedra escura

Dentro da Orient existem dois mergulhadores de preço parecido que parecem a mesma proposta. Eles não são, e a diferença está numa linha da ficha que quase ninguém confere antes de comprar.

Antes de qualquer número, de onde eles vêm: tudo aqui saiu da nossa varredura, que acompanha vinte lojas brasileiras e abastece o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não um retrato do país inteiro.

O que o Kanno é

A Orient ocupa uma posição específica na relojoaria japonesa. Ela fabrica o próprio movimento, o que é raro para uma marca dessa faixa de preço, e vende em volume alto na entrada do mercado, segundo a ficha da empresa. Quem está conhecendo a marca agora encontra o panorama dela, linha por linha, em a Orient vale a pena.

Dentro dela, o Kanno é um dos mergulhadores. Na nossa base ele aparece com 17 peças prontas para sair, de 29 anunciadas, com preço entre R$ 2.998 e R$ 3.398 e mediana em R$ 3.198.

A faixa é estreita de propósito. Oitocentos reais separam a peça mais barata da mais cara, o que significa que aqui você não escolhe patamar: escolhe cor.

E a ficha é uniforme de um jeito que ajuda a decidir.

Kanno na nossa base
Peças prontas 17
Movimento automático nas 17
Caixa 43,6 mm em 15 delas
Pulseira aço em 13, borracha em 4
Mostrador preto, azul e vermelho

As dezessete são automáticas, o que quer dizer que nenhuma usa pilha: uma mola guarda a energia e o movimento do seu braço a enrola de volta enquanto você usa o relógio. Se ele passar dois dias na gaveta, para, e você reacerta.

O vidro, que é onde ele perde

Agora o dado que muda a decisão, e ele é absoluto.

Nenhuma das 17 peças prontas traz vidro de safira. As dezessete usam cristal mineral.

Vale entender o que essa diferença faz, porque ela é a que mais aparece no uso diário e a que menos gente confere antes de comprar.

Safira é óxido de alumínio cristalizado e marca 9 na escala de dureza de Mohs, o que na prática significa que quase nada do cotidiano risca ela. Cristal mineral é vidro comum endurecido por tratamento: ele marca com areia de praia, com a quina de uma porta e com a chave do carro, e essa marca não sai mais, conforme o verbete da Monochrome.

Num relógio de mergulho isso pesa mais que na média, porque mergulhador é justamente o tipo de peça que vai para a praia, bate em equipamento e encosta em areia. É o uso que mais risca vidro.

Quando cruzamos vidro com faixa de preço, em safira ou mineral, a faixa entre R$ 3.000 e R$ 6.000 entrega safira na maioria dos anúncios. O Kanno fica abaixo do padrão da própria faixa em que vende.

As dezessete peças prontas usam cristal mineral.
As dezessete peças prontas usam cristal mineral.

Kanno ou Mako

Essa comparação é a razão de este texto existir, porque as duas peças convivem no mesmo catálogo, custam quase o mesmo e resolvem coisas diferentes.

Kanno Mako
Peças prontas 17 90
Mediana R$ 3.198 R$ 3.599
Safira nenhuma 93% delas
Caixa 43,6 mm de 39,9 a 42,8 mm
Movimento automático automático

O Kanno é quatrocentos reais mais barato e vem com o vidro que risca. O Mako custa um pouco mais e traz safira em nove de cada dez peças prontas.

Essa é uma troca clara, e ela não tem resposta única. Se o relógio vai para a praia e para o mar com frequência, a diferença de quatrocentos reais se paga na primeira temporada, porque cristal riscado não tem conserto e desvaloriza a peça. Se o relógio é de uso urbano e a caixa grande é o que você procura, o Kanno entrega isso por menos.

A outra diferença é de proporção, e ela é grande: quase quatro milímetros separam os dois.

O tamanho é o argumento dele

Quarenta e três milímetros e seis décimos é bastante relógio.

Quando medimos o diâmetro de tudo o que a gente acompanha, em qual o tamanho de relógio mais comum, a medida central ficou em 40,5 mm, e metade de tudo se concentrou entre 39 e 42 mm. O Kanno está acima dessa faixa inteira.

Só que em mergulhador o número engana para os dois lados. O texto técnico da Monochrome sobre relógios de mergulho lembra o motivo: aro giratório, caixa reforçada e vedação empurram o volume para fora, então um mergulhador de 43 mm ocupa mais pulso que um social do mesmo diâmetro.

Para quem tem pulso largo, isso é exatamente o que se procura, e a oferta de mergulhador realmente grande é menor do que parece. Para pulso médio ou fino, é o tipo de peça que avança sobre o osso e incomoda depois de algumas horas.

É o único ponto do Kanno que não dá para resolver com informação: precisa provar.

Onde ele decepciona

O vidro é o problema central, e ele vale mais que o resto somado.

A ficha para aí. Espessura e calibre não aparecem de forma comparável nos anúncios que a gente acompanha, o que é o padrão brasileiro medido em o que o anúncio não diz.

A água é um caso à parte, e vale a precisão. O próprio mostrador do Kanno traz 20 bar impresso, que equivale a duzentos metros, então o dado existe na peça. O que não existe é um campo padronizado no anúncio, e por isso ele não dá para comparar de uma loja para outra sem abrir foto por foto.

A oferta é curta. São 17 peças prontas, então a cor exata que você quer pode simplesmente não existir hoje entre as vinte lojas que acompanhamos.

E a revenda de mergulhador de entrada é lenta, porque quem procura essa categoria no usado costuma subir de faixa em vez de comprar a porta de entrada, lógica em relógio é investimento.

Quase quatro milímetros separam o Kanno do Mako.
Quase quatro milímetros separam o Kanno do Mako.

Qual comprar

Se o pulso é largo e o orçamento manda, o Kanno entrega mergulhador automático grande a partir de R$ 2.998, e é difícil achar essa combinação por menos.

Se o relógio vai encostar em areia com frequência, pague os quatrocentos reais de diferença e leve o Mako, porque safira nessa rotina se paga rápido.

Se a cor é o critério, o Kanno tem preto, azul e vermelho entre as peças prontas, e o vermelho é o que menos aparece em concorrente da faixa.

E se você está comparando com um mergulhador suíço, entenda que a conversa muda de patamar: a entrada suíça automática começa perto de três vezes esse valor, conforme levantamos em primeiro relógio automático.

Perguntas frequentes

O Orient Kanno vale a pena?

Vale se o que você procura é mergulhador automático grande por menos de três mil e quinhentos reais. Não vale se o relógio vai encostar em areia com frequência, porque nenhuma das 17 peças prontas na nossa base traz vidro de safira.

Quanto custa um Orient Kanno?

De R$ 2.998 a R$ 3.398 entre as peças prontas que a gente acompanha, com mediana em R$ 3.198.

O Orient Kanno tem safira?

Não. As dezessete peças prontas na nossa base usam cristal mineral.

Kanno ou Mako?

O Kanno é cerca de quatrocentos reais mais barato e tem caixa maior, de 43,6 mm. O Mako vem em várias caixas, de 39,9 a 42,8 mm, e traz safira em mais de nove de cada dez peças prontas. Para uso de praia, o Mako compensa a diferença.

Qual o tamanho do Orient Kanno?

Quarenta e três milímetros e seis décimos em quinze das dezessete peças prontas, acima da medida central de 40,5 mm do mercado que acompanhamos.

O Orient Kanno é automático?

É, nas dezessete peças prontas. Nenhuma usa pilha, e a marca fabrica o próprio movimento.

O que fica

O Kanno resolve uma coisa específica e resolve bem: ele é o mergulhador automático grande da Orient, com 17 peças prontas na nossa base, caixa de 43,6 mm e preço entre R$ 2.998 e R$ 3.398.

O que ele cobra por isso está numa linha só da ficha. Nenhuma das dezessete peças traz safira, e mergulhador é justamente a categoria que mais encontra areia.

A comparação interna deixa a escolha clara. O Mako custa cerca de quatrocentos reais a mais, é quase quatro milímetros menor e traz safira em 93% das peças prontas. Um é maior e mais barato, o outro é melhor de vidro.

Se o relógio vai para o mar, essa diferença se paga na primeira temporada. Se ele é de cidade e o pulso pede caixa grande, o Kanno é a resposta mais direta que a marca tem.

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