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Seiko Cocktail Time: a linha é vendida pelo mostrador, e o vidro não acompanha

Gustavo Grossi 7 min de leitura
Seiko Cocktail Time de mostrador azul texturizado apoiado em superfície clara

Existe uma linha da Seiko em que o argumento de venda inteiro está numa peça só do relógio. Ela cumpre esse argumento muito bem, e falha justamente na peça que fica por cima dele.

Os números vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que abastece o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não um censo do mercado.

O que a Cocktail Time é

A ficha da Seiko descreve uma casa japonesa de 1881 que fabrica praticamente tudo internamente, dos movimentos às molas, e que atende do relógio de cem reais ao de dezenas de milhares.

A Cocktail Time é uma linha de vestir dela, e a proposta é bem específica: mostradores trabalhados, com textura e brilho que mudam conforme a luz, batizados a partir de coquetéis.

Na nossa base ela aparece com 44 peças prontas para sair, com preço entre R$ 4.298 e R$ 5.649 e mediana em R$ 4.699.

Cocktail Time na nossa base
Peças prontas 44
Movimento automático em 41
Vidro cristal mineral em 40
Caixa 40,5 mm em 11, 38,5 mm em 10, 34 mm em 8
Pulseira aço em 27, couro em 15
Mostrador azul em 14, dourado em 8, verde em 6

Quarenta e quatro peças prontas é uma oferta grande para essa faixa, o que significa uma coisa concreta: a chance de a cor que você quer existir hoje é bem maior que a média do mercado.

O mostrador é o produto

Vale entender o que essa linha faz de diferente, porque é aí que está o dinheiro.

Na maioria dos relógios, o mostrador é uma superfície pintada e pronto. Aqui ele é o item principal, e recebe um trabalho de acabamento que normalmente aparece em peças bem mais caras.

O efeito mais comum é o que se chama de raios de sol. São ranhuras finíssimas, feitas em círculo a partir do centro, que fazem a luz correr pelo mostrador conforme você gira o pulso. A cor não fica igual em dois ângulos.

Somam-se a isso texturas em relevo e degradês, e o resultado é um mostrador que muda de aparência entre a luz da janela e a luz do restaurante. É por isso que a linha tem seguidores.

Os números mostram que a marca leva isso a sério. Entre as 44 peças prontas, o azul aparece em 14, o dourado em 8 e o verde em 6. Numa base em que o preto domina com folga, como levantamos em a cor de mostrador mais comum, essa distribuição é deliberada: a linha praticamente abre mão da cor mais vendida do mercado para vender as outras.

Ou seja, você não está comprando um relógio que por acaso tem um mostrador bonito. Está comprando o mostrador, e o relógio vem junto.

O mostrador recebe acabamento que muda de aparência conforme a luz.
O mostrador recebe acabamento que muda de aparência conforme a luz.

O vidro que não acompanha

E aqui está o problema, que é justamente a peça que fica por cima do produto.

Entre as 44 peças prontas, 40 declaram cristal mineral. Nenhuma declara safira.

Vale abrir o que isso significa, porque a diferença é a que mais aparece no uso diário e a que menos gente confere antes de comprar.

Safira, no vocabulário de relojoaria, é óxido de alumínio cristalizado em laboratório. Ela marca 9 na escala de dureza de Mohs, onde o diamante é 10, e na prática quase nada do cotidiano risca o vidro.

Cristal mineral é vidro comum endurecido por tratamento. Ele aguenta bem uma pancada seca, mas marca com areia, com a quina de uma mesa, com a fivela de um cinto e com a chave do carro, conforme o verbete da Monochrome. E risco em vidro não tem conserto barato: ou troca o cristal, ou fica.

Uma observação justa sobre a marca. A Seiko usa um vidro mineral endurecido próprio, com nome comercial de Hardlex, que é melhor que vidro mineral comum. Continua sendo mineral, e continua riscando mais fácil que safira, como abrimos em safira, mineral ou acrílico.

Agora o ponto que dói. Numa linha cujo argumento inteiro é o mostrador, o vidro é literalmente a janela por onde você olha esse argumento. Riscar essa janela é estragar a única coisa pela qual você pagou.

E o preço torna isso mais incômodo. A mediana de R$ 4.699 fica numa faixa em que boa parte do mercado que a gente acompanha já entrega safira.

Quatro tamanhos dentro do nome

O terceiro ponto é de proporção, e ele exige atenção porque o nome não avisa.

Entre as peças prontas aparecem caixas de 40,5 mm em 11 peças, 38,5 mm em 10, 34 mm em 8 e 30,3 mm em 4.

De 30,3 a 40,5 milímetros são dez milímetros de diferença dentro da mesma etiqueta. Isso não é variação de tamanho: são produtos para pulsos e para públicos diferentes.

Para dar referência, a medida central de tudo o que a gente acompanha é 40,5 mm, com metade do mercado entre 39 e 42 mm, conforme qual o tamanho de relógio mais comum. As versões de 34 mm e 30,3 mm ficam bem abaixo disso.

A consequência prática é simples e vale repetir. Não compre pela foto do anúncio. Confirme o diâmetro por escrito, porque a mesma busca devolve peças que diferem em um terço do tamanho.

Dentro do mesmo nome convivem caixas de 30,3 a 40,5 milímetros.
Dentro do mesmo nome convivem caixas de 30,3 a 40,5 milímetros.

Onde ela decepciona

O vidro é o ponto central, e ele vale mais que o resto somado numa linha que vende mostrador.

A ficha para aí. Espessura, reserva de marcha e resistência à água não aparecem de forma comparável nos anúncios que acompanhamos, que é o padrão medido em o que o anúncio não diz. Num automático, a reserva de marcha é o número que diz se o relógio sobrevive ao fim de semana parado, assunto de reserva de marcha, 40 ou 80 horas.

A mecânica cobra manutenção, com o custo levantado em revisão de relógio quanto custa, e isso entra na conta de qualquer relógio a mola.

E a faixa de preço é estreita, de R$ 4.298 a R$ 5.649, o que é bom para comparar e ruim para quem espera achar uma pechincha. Praticamente não existe entrada barata nesta linha.

Qual comprar

Se o mostrador é o que te trouxe aqui, e provavelmente é, escolha pela cor e não pelo preço, porque a faixa é estreita e a diferença entre as peças está quase toda no acabamento do mostrador e na pulseira.

Se o relógio vai ser usado todo dia, pense duas vezes. Numa peça de quatro mil e setecentos reais cujo valor está no mostrador, o cristal mineral chega marcado ao segundo ano, e é exatamente o que você vai olhar todos os dias.

Se o pulso é fino, ou se o relógio é presente para alguém de pulso fino, as versões de 34 mm e 30,3 mm existem e são fáceis de confundir com as maiores nas fotos. Confirme a medida antes.

E se a prioridade for ficha técnica em vez de aparência, essa mesma faixa de preço compra automático com safira em outras marcas, conta que abrimos em safira barata no Brasil.

Perguntas frequentes

O Seiko Cocktail Time vale a pena?

Vale pelo mostrador, que é o melhor acabamento que a faixa oferece, e pela oferta de 44 peças prontas. Não vale se a prioridade for ficha, porque nenhuma das peças prontas na nossa base declara vidro de safira.

Quanto custa um Seiko Cocktail Time?

De R$ 4.298 a R$ 5.649 entre as peças prontas que a gente acompanha, com mediana em R$ 4.699.

O Seiko Cocktail Time tem safira?

Não entre as peças prontas na nossa base. Quarenta delas declaram cristal mineral, que a Seiko chama de Hardlex, e que risca mais fácil que safira.

O Seiko Cocktail Time é automático?

Quarenta e uma das 44 peças prontas são. Não usam pilha, e param se ficarem alguns dias sem uso.

Qual o tamanho do Seiko Cocktail Time?

Varia muito. Entre as peças prontas aparecem 40,5 mm, 38,5 mm, 34 mm e 30,3 mm, então o nome sozinho não diz a proporção.

Qual a cor mais comum da Cocktail Time?

O azul, com 14 das 44 peças prontas, seguido de dourado com 8 e verde com 6. É uma linha que quase abre mão do preto, a cor mais vendida do mercado.

O que fica

A Cocktail Time faz uma coisa melhor que praticamente todo mundo na faixa dela. O mostrador, com acabamento que muda de aparência conforme a luz, é o produto, e a oferta de 44 peças prontas deixa escolher cor de verdade.

O incômodo está exatamente por cima desse produto. Quarenta das 44 peças declaram cristal mineral, e nenhuma declara safira, numa linha cuja mediana é R$ 4.699.

A Seiko usa um mineral endurecido próprio, melhor que o comum, e é justo reconhecer. Continua sendo o vidro que marca com areia e com quina de mesa, e a marca fica na janela pela qual você olha o motivo da compra.

E confira o tamanho antes de tudo. As caixas prontas vão de 30,3 a 40,5 mm dentro do mesmo nome, o que é um terço de diferença entre as pontas.

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