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Quanto custa um relógio no Brasil? A mediana do que está à venda é R$ 2.599

Gustavo Grossi 6 min de leitura
Vários relógios de aço e couro espalhados sobre uma bancada clara de madeira

Toda conversa sobre orçamento de relógio começa no escuro. Ninguém sabe se cinco mil reais é pouco ou muito, porque ninguém publica onde fica o meio do mercado. Publicamos.

Levantamos o preço de 6.963 relógios disponíveis de fato no varejo brasileiro. Não o catálogo inteiro: só o que está pronto para sair hoje, porque preço de peça indisponível não é preço, é intenção.

A mediana do que está à venda

O número central, e ele é mais baixo do que a conversa sugere:

Relógio disponível no Brasil
Mediana R$ 2.599
Piso R$ 146
Teto R$ 64.250
Anúncios medidos 6.963

Dois mil quinhentos e noventa e nove reais. Metade de tudo o que está à venda custa menos que isso.

Se você estava com receio de que o seu orçamento fosse pequeno, ele provavelmente não é. O mercado brasileiro de relógio mora bem abaixo do que a vitrine de shopping sugere.

Onde o seu orçamento te coloca

Faixa de preço engana, porque faixas têm larguras diferentes e a comparação sai torta. O corte honesto é por percentil, que responde direto: de cada cem relógios à venda, quantos custam menos que o seu número.

Se você tem Você alcança
R$ 599 10% do mercado
R$ 1.059 25%
R$ 2.599 50%
R$ 4.588 75%
R$ 6.890 90%
R$ 19.699 99%

Duas linhas dessa tabela mudam a forma de pensar orçamento.

Com R$ 6.890 você alcança nove de cada dez relógios à venda no país. Não é uma faixa de luxo, é o ponto em que o catálogo praticamente inteiro se abre.

E com R$ 1.059 você já alcança um quarto do mercado. A entrada é mais larga do que parece, e o que existe ali não é lixo, conforme o levantamento de safira abaixo de R$ 1.500.

Com R$ 6.890 você alcança nove de cada dez relógios à venda no Brasil.
Com R$ 6.890 você alcança nove de cada dez relógios à venda no Brasil.

O topo é mais estreito do que parece

Vale olhar a ponta de cima, porque ela ocupa muito mais espaço na conversa do que na prateleira.

Acima de Anúncios Fatia
R$ 6.000 892 12,8%
R$ 12.000 160 2,3%
R$ 19.699 70 1%

Só 2,3% do que está disponível no Brasil passa de R$ 12.000. São 160 peças num mercado de quase sete mil.

Isso tem duas consequências práticas.

A primeira é de expectativa. O relógio que domina o Instagram não é o relógio que domina a loja. Comparar o seu orçamento com o que aparece na internet é comparar com 2% do mercado.

A segunda é de disponibilidade. Quanto mais alto o preço, menor a chance de a peça existir hoje, e a régua completa está em só 40% do relógio anunciado está disponível.

O que o preço compra

Subir de faixa compra coisas concretas, e a mais mensurável é o vidro.

A escada de safira que medimos em safira ou mineral mostra o que cada degrau entrega:

Faixa Anúncios com safira
Até R$ 1.500 18%
R$ 1.500 a R$ 3.000 41%
R$ 3.000 a R$ 6.000 59%
R$ 6.000 a R$ 12.000 94%
Acima de R$ 12.000 99%

A virada mora entre R$ 3.000 e R$ 6.000, que é justamente onde fica o terceiro quartil do mercado. Ali a safira deixa de ser exceção e vira padrão, e o verbete da Monochrome explica por que isso importa no uso diário.

O que o preço não compra é precisão. Quartzo mede melhor que qualquer mecânica, e ele mora na parte de baixo da tabela. Subir de faixa compra material, acabamento e mecânica, não exatidão.

Onde a conta falha

Vale listar, porque um número desses vira citação e precisa ser bem entendido.

É preço de anúncio, não de compra. Desconto e negociação não aparecem aqui.

É o que está disponível hoje. O catálogo cheio, com o que está sob encomenda, tem outro desenho e outra mediana.

O mesmo relógio tem mais de um preço. Medimos diferenças de até 68% na mesma referência entre canais, conta em a mesma referência, 39% mais barata.

O nome desse segundo caminho é mercado paralelo, descrito no verbete sobre mercado cinza, e ele explica boa parte da variação que sobra.

O varejo brasileiro não é o mundo. Imposto e distribuição empurram tudo para cima, então comparar com preço de fora não é comparar a mesma coisa.

Marca de luxo quase não entra. As casas de altíssimo padrão têm presença pequena no varejo aberto brasileiro, e isso puxa o teto da amostra para baixo.

Mediana não é recomendação. Ela diz onde está o meio do mercado, não onde está o seu relógio.

Só 2,3% do que está à venda no Brasil passa de R$ 12.000.
Só 2,3% do que está à venda no Brasil passa de R$ 12.000.

Como usar isso

Não julgue o seu orçamento pela internet. Ele provavelmente alcança mais da metade do mercado real.

Se você tem até R$ 1.500, procure safira. É 18% da faixa e é o que separa uma compra boa de uma comum.

Entre R$ 3.000 e R$ 6.000, exija safira. São 59% da faixa, então não há por que aceitar mineral sem um motivo claro.

Acima de R$ 6.000, mineral é sinal de alerta. Só 5% da faixa usa, e a exceção precisa de explicação.

Compare pelo código, não pelo nome. É o único jeito de saber se dois preços são do mesmo objeto.

Filtre por disponibilidade antes do preço. Preço de peça que não existe é ruído, e são seis de cada dez anúncios.

Se o alvo passa de R$ 12.000, conte com espera. São 2,3% do mercado e a oferta pronta é rara.

Perguntas frequentes

Quanto custa um relógio no Brasil?

A mediana do que está disponível de fato no varejo é R$ 2.599. O piso medido foi R$ 146 e nove de cada dez peças custam menos de R$ 6.890.

Quanto devo gastar em um bom relógio?

Depende do que você chama de bom, mas a faixa de R$ 3.000 a R$ 6.000 é onde o vidro de safira passa de minoria a maioria, com 59% dos anúncios.

R$ 5.000 é muito para um relógio?

Com R$ 5.000 você alcança 80% de tudo o que está à venda no país. Não é uma faixa de luxo, é a parte alta do mercado comum.

Quantos relógios custam mais de R$ 12.000 no Brasil?

Apenas 2,3% dos disponíveis, ou 160 anúncios em 6.963. O topo do mercado é bem mais estreito do que a conversa sugere.

Relógio mais caro é mais preciso?

Não. Quartzo mede melhor que mecânica com folga, e o quartzo está concentrado na parte baixa da tabela de preço. O que sobe com o preço é material, acabamento e mecânica.

Vale esperar promoção para comprar relógio?

Entre lojas tradicionais quase não há diferença de preço na mesma referência. A diferença real aparece entre canais distintos, e não entre vitrines do mesmo canal.

O que fica

Orçamento de relógio se discute no escuro porque ninguém publica onde fica o meio do mercado. Ele fica em R$ 2.599.

Essa é a mediana de 6.963 peças disponíveis de fato no varejo brasileiro, e ela é mais baixa do que quase todo mundo imagina.

Os percentis contam o resto. Com R$ 1.059 você alcança um quarto do mercado, e com R$ 6.890 você alcança nove décimos dele. O ponto em que o catálogo se abre quase inteiro não é uma cifra de luxo.

E o topo é estreito. Só 2,3% do que está à venda passa de R$ 12.000, então a régua que a internet usa mede 2% da realidade.

O que o dinheiro compra de fato é material, e o vidro é o marcador mais limpo: 18% de safira até R$ 1.500 e 94% acima de R$ 6.000. Precisão ele não compra, porque essa o quartzo barato já entrega.

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