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Tissot Visodate: seis peças, e as seis são exatamente a mesma coisa certa

Gustavo Grossi 7 min de leitura
Tissot Visodate de mostrador prateado e correia de couro sobre linho claro

Quase toda linha de relógio esconde uma versão pior: a de vidro mais barato, a de quartzo, a de caixa grande demais. Esta não tem nenhuma das três, e isso é mais raro do que soa.

Os números saíram da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a mesma que abastece o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não um censo do país.

Uma linha sem versão pior

Na nossa base o Visodate aparece com apenas 6 peças prontas para sair, de 9 anunciadas. É pouquíssimo, e por isso o que elas têm em comum chama atenção:

Visodate na nossa base
Peças prontas 6
Safira nas 6
Automático nas 6
Caixa 39 mm nas 6
Pulseira aço em 3, couro em 3

Três campos absolutos numa linha só.

Vale entender por que isso importa, porque a maioria das linhas não é assim. O padrão do mercado é a marca criar um nome, construir reputação em cima dele e depois estender esse nome para versões mais baratas, com cristal mineral ou quartzo, para alcançar mais gente. Foi o que encontramos no Bulova Surveyor, onde um terço das peças vem com o vidro que risca, e no Citizen Garrison, onde a divisão é quase meio a meio.

Quando isso acontece, o nome deixa de ser garantia. Você precisa conferir peça a peça, porque duas unidades da mesma coleção podem entregar coisas diferentes.

E o campo que mais pesa nessa conferência é o vidro. Safira marca 9 na escala de dureza de Mohs e praticamente nada do cotidiano risca ela, enquanto cristal mineral marca com areia e com a quina de uma mesa, e esse risco não sai mais, conforme o verbete da Monochrome.

No Visodate isso não existe. O nome basta: qualquer peça da linha que estiver pronta traz safira, mecânica e 39 mm.

Trinta e nove milímetros em todas

O tamanho merece seção própria, porque ele é o que mais falta no mercado.

Quando medimos o diâmetro de tudo o que a gente acompanha, em qual o tamanho de relógio mais comum, a medida central ficou em 40,5 mm e metade de tudo se concentrou entre 39 e 42 mm. Só que essa faixa central é justamente a mais procurada, e por isso a mais difícil de encontrar pronta, conforme mostramos em o tamanho mais vendido é o mais difícil.

Trinta e nove milímetros é o degrau de baixo dessa faixa, e é uma medida particularmente útil: ela serve pulso médio sem volume, passa sob a manga da camisa e não fica pequena em pulso largo. É a medida que mais gente consegue usar bem.

Uma linha inteira nessa medida, sem exceção, resolve a busca. Você não precisa filtrar, comparar e torcer: escolhe a cor e o tipo de pulseira, e o resto já está decidido.

As seis peças prontas têm safira, movimento automático e caixa de 39 mm.
As seis peças prontas têm safira, movimento automático e caixa de 39 mm.

O Powermatic 80 e as 80 horas

O movimento das seis peças tem nome próprio, e o nome diz o que ele faz.

A ficha da ETA, que o fabrica, registra que o Powermatic 80 foi anunciado em 2012 e que a característica dele é ter 80 horas de reserva de marcha.

Reserva de marcha é o tempo que um relógio mecânico continua funcionando depois de sair do pulso. A maioria dos automáticos dessa faixa oferece 38 ou 42 horas, e a diferença entre esse número e 80 muda a rotina de quem usa.

Com 42 horas, você tira o relógio na sexta à noite e encontra ele parado no domingo de manhã, com hora e data para reacertar. Com 80, ele atravessa o fim de semana inteiro guardado e ainda está andando na segunda, marcando certo.

Vale a ressalva de sempre sobre mecânica: ela não mede melhor. Um quartzo simples continua mais preciso, com folga, conforme o comparativo da Monochrome. O que a mecânica entrega é o mecanismo e a ausência de pilha.

Quem usa um relógio só e não tira nunca não sente essa diferença. Quem alterna entre duas ou três peças sente toda semana, e é para essa pessoa que as 80 horas foram feitas. A régua completa está em reserva de marcha de 40 ou 80 horas.

Trinta e nove milímetros em todas as peças prontas da linha.
Trinta e nove milímetros em todas as peças prontas da linha.

O preço dessa coerência

A linha é cara para o que a Tissot costuma cobrar, e vale ser direto sobre isso.

O preço vai de R$ 5.099 a R$ 10.050, com mediana em R$ 9.200. Para comparar dentro da própria marca, o Classic Dream, que é a linha de entrada, tem mediana de R$ 3.910, conforme Tissot Classic Dream vale a pena.

Ou seja, o Visodate custa mais que o dobro da entrada da casa. Parte disso é o movimento, que é mais caro que um quartzo, e parte é acabamento de caixa e mostrador.

A safira explica outra parte. Quando cruzamos vidro com faixa de preço em safira ou mineral, a faixa acima de R$ 6.000 entrega safira em quase todos os anúncios, então aqui ela é o esperado e não um bônus. O que é bônus é não existir uma única exceção.

Onde ele decepciona

A oferta é minúscula. Seis peças prontas no total significa que cor e pulseira podem simplesmente não existir hoje entre as vinte lojas que acompanhamos. Se você quer uma configuração específica, conte com espera.

A ficha para no vidro, como em quase todo o mercado brasileiro. Água, espessura e calibre exato não aparecem de forma comparável, conforme o que o anúncio não diz.

O desenho é discreto ao ponto de ser invisível. É um relógio clássico de três ponteiros com data, sem nada que chame atenção, o que é virtude para uns e desinteresse para outros.

E automático cobra manutenção que quartzo não cobra, com o custo em revisão de relógio quanto custa.

Qual comprar

Se você quer um relógio para usar por muitos anos sem pensar, esta linha entrega as três coisas que decidem isso e não pede conferência de ficha. O piso está em R$ 5.099.

Se você alterna entre peças, as 80 horas de reserva são o motivo concreto para escolher esta e não outra automática da mesma faixa.

Se a dúvida é aço ou couro, a oferta está dividida ao meio, com três peças de cada, então a decisão é de uso e não de disponibilidade.

E se o orçamento não chega aos cinco mil, a saída dentro da mesma marca é o Classic Dream, que também entrega safira em toda a linha, mas com caixa que varia e com a maior parte em quartzo.

Perguntas frequentes

O Tissot Visodate vale a pena?

Vale para quem quer resolver a compra sem conferir ficha peça a peça: as seis unidades prontas na nossa base trazem safira, movimento automático e caixa de 39 mm, sem exceção.

Quanto custa um Tissot Visodate?

De R$ 5.099 a R$ 10.050 entre as peças prontas que a gente acompanha, com mediana em R$ 9.200.

Qual o tamanho do Tissot Visodate?

Trinta e nove milímetros nas seis peças prontas, que é o degrau mais confortável da faixa central do mercado.

O que é o Powermatic 80?

É o calibre automático fabricado pela ETA com 80 horas de reserva de marcha, contra as 38 ou 42 horas da maioria dos automáticos dessa faixa. Na prática, o relógio atravessa o fim de semana fora do pulso e continua andando.

O Visodate tem safira?

Tem, nas seis peças prontas na nossa base.

Por que existem tão poucos disponíveis?

São seis peças prontas de nove anunciadas. É uma linha curta por natureza, então a configuração exata que você quer pode depender de encomenda.

O que fica

O Visodate é uma linha pequena que acerta as três decisões que mais importam, e acerta em todas as unidades.

As seis peças prontas na nossa base trazem safira, movimento automático e caixa de 39 mm. Não existe a versão de vidro mais barato nem a de quartzo que quase toda linha grande acaba tendo, então o nome sozinho já é garantia.

O motivo técnico para escolher esta e não outra automática da faixa está no Powermatic 80, com 80 horas de reserva contra as 42 do padrão. Para quem reveza relógios, isso é a diferença entre reacertar toda segunda e não reacertar.

O que se paga por essa coerência é preço e escassez. A mediana de R$ 9.200 fica acima do dobro da entrada da própria Tissot, e são só seis peças prontas, então a cor exata pode exigir espera.

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