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Tissot PRC 200: sete peças, safira em todas, e um preço que quase não varia

Gustavo Grossi 6 min de leitura
Tissot PRC 200 de mostrador azul e bracelete de aço sobre pedra clara

Escolher relógio normalmente é escolher entre degraus de preço dentro da mesma linha. Nesta aqui isso não existe: da peça mais barata para a mais cara vão menos de quinhentos reais, e a decisão vira outra.

Os números vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a mesma que abastece o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não o mercado inteiro do país.

A Tissot é a marca de volume do grupo Swatch, aquela que precisa vender muito e por isso mantém linhas em várias faixas ao mesmo tempo. Na entrada está o Classic Dream, com mediana perto de quatro mil reais, conforme Tissot Classic Dream vale a pena. No topo do que chega por aqui estão coleções bem mais caras.

O PRC 200 fica no meio, e com uma proposta específica: é a linha esportiva de quartzo da casa, feita para uso de rotina com resistência à água maior que a de um social.

Na nossa base ela aparece com 7 peças prontas para sair, de 16 anunciadas. É uma linha curta.

Uma faixa de preço que não é faixa

Este é o dado mais incomum da coleção, e ele muda como a compra acontece.

PRC 200 na nossa base
Peças prontas 7
Piso R$ 5.550
Teto R$ 6.030
Mediana R$ 6.030
Distância do piso ao teto 8,6%

Quatrocentos e oitenta reais separam a peça mais barata da mais cara.

Para entender o quanto isso é atípico, vale comparar com o que a gente mede em outras linhas. No TAG Heuer Formula 1 a distância entre as pontas passa de cinco vezes, conforme TAG Heuer Formula 1 vale a pena, e no Bulova Oceanographer é de quase três vezes. O normal é o nome cobrir produtos muito diferentes.

Aqui não. Todas as sete peças custam praticamente o mesmo, o que significa que você não escolhe patamar, escolhe cor e pulseira. A decisão de compra deixa de ser financeira e vira estética, o que é bem mais confortável.

Isso costuma indicar uma linha coerente, sem versão de entrada empobrecida esperando para decepcionar. E a ficha confirma.

Menos de quinhentos reais separam a peça mais barata da mais cara.
Menos de quinhentos reais separam a peça mais barata da mais cara.

Quartzo em todas, e por quê

As sete peças prontas são de quartzo, e as sete trazem vidro de safira.

Vale começar pelo vidro, porque é o que mais aparece no uso. Safira marca 9 na escala de dureza de Mohs e praticamente nada do cotidiano risca ela, enquanto cristal mineral marca com areia de praia e com a quina de uma mesa, e esse risco não sai mais, conforme o verbete da Monochrome. Numa peça esportiva, que por definição vai apanhar mais, é a linha da ficha que decide quanto tempo o relógio continua apresentável.

Agora o motor, que é onde muita gente hesita. Pagar quase seis mil reais num relógio a pilha parece contraintuitivo, e a razão é cultural: associa-se preço alto a mecânica.

Tecnicamente o raciocínio é o contrário. O quartzo mede melhor que qualquer mecânica, com margem larga, conforme o comparativo da Monochrome, e num relógio esportivo isso importa: ele também é mais resistente a choque, porque não tem um balanço delicado oscilando lá dentro, e não cobra revisão de mecânica periódica.

Quando medimos quanto custa a versão automática dentro de uma mesma linha, em quanto custa a mais um automático, a mediana ficou em 32% a mais. O PRC 200 simplesmente não oferece essa escolha: ele assume o quartzo como projeto, e cobra por material e acabamento em vez de mecanismo.

Quarenta e três milímetros

As sete peças prontas têm 43 mm, e esse número precisa de contexto.

Quando medimos o diâmetro de tudo o que a gente acompanha, em qual o tamanho de relógio mais comum, a medida central ficou em 40,5 mm e metade de tudo se concentrou entre 39 e 42 mm. Quarenta e três está acima dessa faixa inteira.

Em relógio esportivo isso é escolha de projeto: mostrador maior lê melhor em movimento, e caixa maior acomoda vedação mais robusta. Mas o efeito no pulso é real, e num pulso fino uma caixa de 43 mm avança sobre o osso e incomoda depois de algumas horas.

Como todas as sete peças têm a mesma medida, não existe a saída de escolher uma versão menor dentro da linha. Ou esse tamanho serve, ou a coleção inteira está fora.

As sete peças prontas têm 43 mm, acima da faixa central do mercado.
As sete peças prontas têm 43 mm, acima da faixa central do mercado.

Onde ela decepciona

Não existe opção de mecânica. Quem quer ver o mecanismo tem que procurar outra linha da marca.

A ficha para no vidro. Água, espessura e calibre não aparecem de forma comparável nos anúncios que acompanhamos, conforme o que o anúncio não diz. Numa linha cujo nome sugere resistência à água, não publicar o número de metros é a ausência mais irritante, e ela precisa ser perguntada.

A oferta é curta, com sete peças prontas de dezesseis anunciadas. Cor e pulseira ficam limitadas ao que existe hoje.

E a caixa única de 43 mm exclui quem tem pulso fino, sem alternativa interna.

Qual comprar

Se o tamanho serve e você quer um esportivo suíço que não pede manutenção de mecânica, a linha entrega isso com safira em todas as peças, a partir de R$ 5.550.

Como o preço praticamente não varia, escolha pela cor e pela pulseira, que é a parte que muda o uso. Entre as prontas há preto e azul de mostrador, e aço e borracha de pulseira.

Se você hesita por ser quartzo, considere que num esportivo essa é tecnicamente a escolha mais robusta: mede melhor, aguenta mais choque e não vai a revisão.

E se o pulso é fino, esta coleção não tem saída, porque as sete peças têm a mesma medida. O caminho dentro da própria marca seria o Classic Dream, que tem versões menores.

Perguntas frequentes

O Tissot PRC 200 vale a pena?

Vale para quem quer um esportivo suíço de baixa manutenção: as sete peças prontas na nossa base trazem safira e quartzo, a partir de R$ 5.550. Não vale para quem quer mecânica ou caixa menor.

Quanto custa um Tissot PRC 200?

De R$ 5.550 a R$ 6.030 entre as peças prontas que a gente acompanha. Menos de quinhentos reais separam a mais barata da mais cara.

O PRC 200 é automático?

Não. As sete peças prontas na nossa base são de quartzo, e a linha não oferece versão mecânica entre o que está disponível.

O PRC 200 tem safira?

Tem, nas sete peças prontas.

Qual o tamanho do Tissot PRC 200?

Quarenta e três milímetros nas sete peças prontas, acima da faixa central do mercado que acompanhamos, que vai de 39 a 42 mm.

Vale pagar quase seis mil num relógio de quartzo?

Tecnicamente o quartzo mede melhor que mecânica, aguenta mais choque e não pede revisão. Numa peça esportiva isso é vantagem, e o que você paga aqui é material e acabamento, não mecanismo.

O que fica

O PRC 200 é uma linha curta e coerente, e as duas coisas andam juntas.

As sete peças prontas na nossa base trazem safira e quartzo, sem versão empobrecida escondida no catálogo, e a distância entre a mais barata e a mais cara é de 8,6%, quando o normal em linha de relógio é o nome cobrir produtos que variam três ou cinco vezes de preço.

Na prática isso muda a natureza da compra: você não escolhe quanto gastar, escolhe como o relógio vai ser. A decisão vira de cor e pulseira.

O que fecha ou abre a porta é o tamanho. As sete têm 43 mm, acima da faixa central do mercado, e não existe versão menor dentro da linha. Se esse número serve no seu pulso, é das propostas mais diretas que a Tissot tem por aqui.

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