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Mido 8 Two Crowns: a segunda coroa move um anel que fica embaixo do vidro

Gustavo Grossi 8 min de leitura
Mido Multifort automático de mostrador azul e correia azul, com duas coroas do lado direito

Quase todo relógio tem uma coroa só. Quando aparece uma segunda, ela existe para mover alguma coisa que a primeira não move, e nesse caso é uma solução de engenharia com um motivo prático bem concreto.

Os números vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que abastece o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não um censo do mercado.

Para que serve a segunda coroa

Comece pelo que a coroa comum faz, porque o contraste explica tudo.

A coroa é aquele botão canelado na lateral da caixa. Puxada, ela acerta hora e data. Girada na posição de repouso, ela dá corda na mola. É uma peça só, com duas ou três funções empilhadas.

Numa peça de duas coroas, a de baixo faz esse trabalho de sempre. A de cima faz outra coisa: ela gira um anel que fica dentro do relógio, entre o mostrador e o vidro.

Nesta linha da Mido dá para ver o anel com clareza. É a régua numerada de 10 a 50 que corre por dentro do mostrador, com um triângulo marcando o zero. Você gira a coroa de cima, o anel roda, e o triângulo vai para onde você quiser.

O uso é o mesmo de um aro giratório comum de mergulhador: medir tempo decorrido. Você alinha o triângulo com o ponteiro de minutos quando começa alguma coisa, e a partir dali lê no anel quantos minutos se passaram, sem fazer conta e sem cronômetro.

Serve para mergulho, e serve igualmente para estacionamento, forno, reunião e qualquer coisa que tenha começo.

Por que o aro fica embaixo do vidro

Aqui está a parte de engenharia, e ela é o argumento real dessa construção.

Num mergulhador convencional, o aro giratório fica por fora, em volta do vidro. Isso funciona bem e é fácil de operar com luva, mas tem dois problemas.

O primeiro é que ele se move sozinho. Um esbarrão em batente de porta ou no volante do carro gira o aro, e a sua marcação some. Os aros modernos giram só num sentido, justamente para que um acidente desses faça você superestimar o tempo em vez de subestimar, o que é a falha segura no mergulho, conforme o texto técnico da Monochrome sobre relógios de mergulho.

O segundo é que ele fica exposto. O aro é a parte do relógio que mais bate em coisa, e aro riscado ou com o inserto descascado envelhece a peça inteira.

A solução das duas coroas resolve os dois de uma vez. O anel está selado dentro da caixa, protegido do impacto e do atrito, e só se move quando você deliberadamente gira a coroa de cima. Nenhum esbarrão desalinha nada.

A contrapartida é que operar exige duas mãos e um gesto mais fino, em vez do polegar empurrando o aro. Em mergulho com luva, o aro externo continua sendo mais prático. Fora d’água, o interno é melhor em todo o resto.

E existe uma terceira consequência, estética. Sem o aro externo, a caixa fica mais limpa e o relógio se parece menos com um mergulhador, o que amplia bastante onde ele pode ser usado.

A segunda coroa, na parte de cima da caixa, gira o anel numerado que fica sob o vidro.
A segunda coroa, na parte de cima da caixa, gira o anel numerado que fica sob o vidro.

As três peças prontas

Na nossa base a linha aparece com 3 peças prontas para sair, de 8 anunciadas, com preço entre R$ 11.570 e R$ 11.910.

8 Two Crowns na nossa base
Peças prontas 3 de 8
Vidro safira nas 3
Movimento automático nas 3
Caixa 40 mm nas 3
Mostrador azul em 2, cinza em 1
Preço R$ 11.570 a R$ 11.910

Três linhas absolutas e uma faixa de preço de trezentos e quarenta reais entre o piso e o teto. Para quem compara, isso é confortável: não existe armadilha de ficha aqui, e o que sobra para escolher é a cor.

Os 40 mm ficam praticamente em cima da medida central do mercado, que é de 40,5 mm, como levantamos em qual o tamanho de relógio mais comum. Isso é incomum numa peça com vocação técnica, que normalmente passa dos 42.

A safira é o material que marca 9 na escala de dureza de Mohs, e na prática quase nada do cotidiano risca o vidro. Aqui ela importa um pouco mais que o normal, porque o vidro é o que protege o anel interno.

O que atrapalha é a oferta e o preço. Três peças prontas de oito anunciadas é 38%, e quase doze mil reais coloca a linha bem acima da entrada da marca.

Onde ela se encaixa na marca

Vale contexto de casa, porque ele explica o posicionamento.

A ficha da Mido descreve uma casa suíça fundada em 1918, dentro de um grupo grande, o que dá acesso aos mesmos movimentos e à mesma escala industrial das irmãs mais famosas.

E a Mido é, entre as marcas que a gente acompanha, uma das mais mecânicas que existem: 92% do que ela tem pronto no Brasil é relógio a mola, conforme medimos em mecânica, luz ou pilha por marca. Ela praticamente não vende quartzo.

Dentro da casa, esta peça pertence à família Multifort, que é a linha esportiva de maior volume e está descrita em Mido Multifort vale a pena. A entrada mecânica da marca fica bem mais abaixo, a partir de R$ 3.599, conta que está em Mido Belluna vale a pena.

Ou seja: esta não é a porta de entrada da Mido. É a peça de construção mais elaborada dela nessa faixa, e o que você paga a mais em relação ao Belluna é o segundo sistema de coroa e a caixa esportiva, não um motor melhor.

As três peças prontas trazem safira, automático e quarenta milímetros.
As três peças prontas trazem safira, automático e quarenta milímetros.

Onde ela decepciona

A ficha para no vidro e no movimento. Espessura, resistência à água e reserva de marcha não aparecem de forma comparável nos anúncios que acompanhamos, que é o padrão brasileiro medido em o que o anúncio não diz. Numa peça com anel interno, a espessura é justamente o número que mais muda, porque o mecanismo do anel ocupa altura.

A oferta é curta e cara. Três peças prontas significa que a cor exata que você quer pode não existir hoje, e quase doze mil reais é bastante dinheiro para uma marca de reconhecimento médio no Brasil.

A revenda é o ponto fraco de longo prazo. Marca suíça de segundo escalão tem mercado usado mais estreito que as casas de nome forte, lógica que abrimos em relógio é investimento.

E o anel interno pede aprendizado. Quem nunca usou vai levar algumas semanas para lembrar que a coroa de cima existe.

Qual comprar

Se a construção é o que te atrai, qualquer uma das três entrega o mesmo: automático, safira e 40 mm, e a escolha é de cor.

Se o relógio é de uso diário com camisa, o anel interno é justamente a vantagem, porque a caixa fica limpa e não parece um mergulhador.

Se o objetivo é entrar em mecânica suíça gastando menos, esta não é a peça. O piso da marca fica em R$ 3.599 e o piso do automático suíço com safira em toda a nossa base fica em R$ 3.000, conta completa em o piso de cada ficha.

E se você vai mergulhar de verdade, com luva, o aro externo de um mergulhador convencional continua sendo mais prático de operar embaixo d’água.

Perguntas frequentes

Para que serve a segunda coroa de um relógio?

Ela gira um anel numerado que fica dentro da caixa, entre o mostrador e o vidro. Esse anel serve para marcar tempo decorrido, como o aro giratório de um mergulhador, só que protegido do impacto.

O Mido 8 Two Crowns vale a pena?

Vale pela construção e pela ficha: as três peças prontas na nossa base trazem automático, safira e 40 mm. O ponto de atenção é o preço, entre R$ 11.570 e R$ 11.910.

Quanto custa um Mido 8 Two Crowns?

De R$ 11.570 a R$ 11.910 entre as peças prontas que a gente acompanha. A faixa é estreita, com trezentos e quarenta reais entre o piso e o teto.

Qual a vantagem do aro interno sobre o externo?

Ele não se desalinha com esbarrão, não risca e não descasca, porque fica selado sob o vidro. E deixa a caixa mais limpa, o que amplia onde o relógio pode ser usado.

Qual a desvantagem do aro interno?

Operar exige duas mãos e um gesto mais fino. Em mergulho com luva, o aro externo continua mais prático.

O Mido 8 Two Crowns tem safira?

Tem, nas três peças prontas na nossa base, junto com movimento automático e caixa de 40 mm.

O que fica

O nome da linha descreve uma decisão de engenharia, e ela é fácil de entender quando se olha o relógio. A coroa de baixo acerta a hora. A de cima gira um anel numerado que fica sob o vidro, e esse anel mede tempo decorrido.

A vantagem sobre o aro giratório comum é concreta: nenhum esbarrão desalinha a marcação, e a peça não risca nem descasca na parte que mais bate em coisa.

A ficha acompanha sem exceção. Automático, safira e 40 mm nas três peças prontas, numa faixa de apenas trezentos e quarenta reais entre o piso e o teto, o que torna a comparação simples.

O que pesa é o preço e a oferta. Quase doze mil reais, com três peças prontas de oito anunciadas. Se o objetivo for entrar em mecânica suíça, o caminho é outro. Se o objetivo for essa construção específica, ela é das poucas que entregam isso com uma caixa de tamanho normal.

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