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Mido Belluna: automático suíço com safira por R$ 3.599, numa categoria de mediana R$ 9.597

Gustavo Grossi 7 min de leitura
Mido Belluna automático de mostrador prateado e bracelete de aço sobre mesa clara

Quando alguém quer entrar em relógio suíço mecânico, o caminho quase sempre passa por uma marca só. Existe uma segunda porta, e ela é bem menos procurada do que deveria.

Os números vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que abastece o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não um censo do mercado.

O que a Mido é

A ficha da Mido descreve uma casa suíça fundada em 1918, que pertence ao mesmo grupo de várias outras marcas conhecidas e que se posiciona na faixa acessível da relojoaria mecânica do país.

Isso importa por um motivo prático. Estar dentro de um grupo grande significa acesso aos mesmos movimentos e à mesma escala industrial das irmãs mais famosas, sem carregar o mesmo peso de marketing no preço.

O Belluna é a linha clássica da casa. Caixa redonda e limpa, mostrador simples, sem aro giratório e sem vocação esportiva. É relógio de vestir.

Onde ela entra na lista

Para dimensionar o que essa linha faz, vale montar a categoria inteira primeiro.

A gente separou, dentro de tudo o que acompanha, as peças que juntam três coisas ao mesmo tempo: marca suíça, movimento automático e vidro de safira. Deu 524 peças prontas.

A categoria inteira
Peças prontas na nossa base 524
Mediana R$ 9.597
Piso R$ 3.000
Belluna, peça mais barata R$ 3.599
Posição dela na lista 7ª de 524

Sete de quinhentas e vinte e quatro é um lugar alto na fila, e vale olhar quem está na frente. Seis das nove primeiras peças da lista são da mesma marca, a Tissot. Uma é Victorinox. A sétima é este Mido.

Ou seja, a Mido é a terceira marca a aparecer na entrada da categoria. Se você tirar a Tissot da conta, sobram pouquíssimos caminhos para comprar mecânica suíça com safira abaixo de quatro mil reais, e este é um deles.

Vale explicar por que esse conjunto de três características é tão caro, porque o número da mediana assusta sem contexto.

Um movimento automático tem dezenas de peças montadas e reguladas uma a uma, com um balanço que oscila várias vezes por segundo. Isso custa muito mais para fabricar do que um circuito de quartzo, conforme o comparativo da Monochrome. Somar a isso o vidro de safira, que é duro de cortar e de polir, e ainda a origem suíça, empurra o preço para cima com naturalidade.

Fechar as três coisas abaixo de quatro mil reais é, portanto, o limite inferior do que o mercado brasileiro entrega hoje.

Sete peças de quinhentas e vinte e quatro ocupam a entrada da categoria.
Sete peças de quinhentas e vinte e quatro ocupam a entrada da categoria.

O Belluna na nossa base

Agora a linha em si.

Na nossa base ela aparece com 4 peças prontas para sair, de 15 anunciadas, com preço entre R$ 3.599 e R$ 8.620 e mediana em R$ 6.515.

Belluna na nossa base
Peças prontas 4 de 15
Disponibilidade 27%
Safira nas 4
Movimento automático nas 4
Caixa de 32 a 41,8 mm
Pulseira couro em 2, aço em 2

Duas colunas absolutas numa linha só é incomum, e são justamente as duas que mais decidem o uso.

A safira é o material que praticamente não risca no dia a dia. Ela marca 9 na escala de dureza de Mohs, enquanto o cristal mineral, que é vidro endurecido comum, marca com areia, com quina de mesa e com a chave do carro, sem conserto depois.

O automático quer dizer que não existe pilha. Uma mola guarda a energia e um peso que gira com o movimento do braço enrola essa mola enquanto você usa o relógio. Em troca ele para se ficar dois dias na gaveta, e cobra revisão periódica de mecânica, com o custo em revisão de relógio quanto custa.

As quatro peças prontas trazem safira e movimento automático.
As quatro peças prontas trazem safira e movimento automático.

A disponibilidade de 27% é o ponto fraco. Quase três em cada quatro anúncios da linha não têm produto hoje, o que é o padrão de peça cara medido em relógio indisponível ou sob encomenda.

O salto de preço dentro da linha

Aqui está a parte que exige cuidado, e vale mostrar o raciocínio inteiro.

As quatro peças prontas se distribuem assim:

Peça pronta Caixa Pulseira
R$ 3.599 32 mm couro
R$ 4.409 40 mm couro
R$ 8.620 41,8 mm aço
R$ 8.620 41,5 mm aço

Entre a de R$ 4.409 e as de R$ 8.620 existe um salto de quase duas vezes e meia, dentro da mesma coleção, com o mesmo movimento e o mesmo vidro.

A tentação é atribuir o salto ao bracelete de aço, que realmente custa bem mais que uma correia de couro. Mas as duas coisas mudam ao mesmo tempo: as peças caras também têm caixa maior, e provavelmente acabamento diferente de caixa e mostrador.

Com quatro peças, não dá para separar uma variável da outra. Seria preciso encontrar a mesma caixa com as duas pulseiras para isolar o efeito, e isso não existe entre o que está pronto hoje.

O que a gente pode dizer com segurança é o que já mediu em escala. Quando comparamos pulseira dentro de coleções inteiras, em a pulseira quase não mexe no preço, o efeito isolado dela foi pequeno. Isso sugere que o salto aqui vem de outra coisa, mas sugerir não é medir.

A consequência prática para quem compra é direta. Não presuma que pagar o dobro traz mecânica melhor, porque o movimento e o vidro são os mesmos nas quatro peças. O que muda é proporção e acabamento, e isso é decisão de gosto.

Onde ela decepciona

A oferta é curta e cara. Quatro peças prontas de quinze anunciadas significa que a configuração exata que você quer provavelmente passa por encomenda, com prazo que precisa ser combinado por escrito antes de qualquer sinal.

A ficha para no vidro. Espessura, calibre e reserva de marcha não aparecem de forma comparável nos anúncios que acompanhamos, que é o padrão medido em o que o anúncio não diz. Num automático, a reserva de marcha é o número que diz se o relógio sobrevive ao fim de semana parado, como explicamos em reserva de marcha, 40 ou 80 horas.

O reconhecimento de marca é baixo por aqui, e isso tem custo real na revenda. Quem compra usado procura pelos nomes que conhece, e Mido aparece menos nas buscas do que as irmãs do mesmo grupo.

E a amplitude de tamanho é grande. De 32 a 41,8 mm dentro do mesmo nome quer dizer que o nome sozinho não diz o que você vai receber.

Qual comprar

Se o objetivo é entrar em mecânica suíça com safira gastando o mínimo, a peça de R$ 3.599 faz isso, com a ressalva de que ela tem caixa de 32 mm, bem abaixo da medida central de 40,5 mm que levantamos em qual o tamanho de relógio mais comum.

Se você quer a proporção comum masculina, a peça de R$ 4.409 em 40 mm é a conta mais equilibrada da linha. Mesmo movimento e mesmo vidro das caras, por metade do preço.

Se o bracelete de aço é inegociável, as duas peças de R$ 8.620 resolvem, mas entre no negócio sabendo que você está pagando por acabamento e proporção, e não por mecânica superior.

E se estiver comparando com a alternativa mais óbvia da categoria, a conta está em Tissot Carson vale a pena, que ocupa o primeiro lugar da mesma lista.

Perguntas frequentes

O Mido Belluna vale a pena?

Vale. As quatro peças prontas na nossa base são automáticas e trazem safira, com piso em R$ 3.599, numa categoria cuja mediana é R$ 9.597.

Quanto custa um Mido Belluna?

De R$ 3.599 a R$ 8.620 entre as peças prontas que a gente acompanha, com mediana em R$ 6.515.

A Mido é uma marca boa?

É uma casa suíça de 1918 que pertence a um grupo grande, o que dá acesso aos mesmos movimentos e à mesma escala das marcas irmãs. Na nossa base ela é a terceira marca a aparecer na entrada do automático suíço com safira.

O Mido Belluna tem safira?

Tem, nas quatro peças prontas. É o material que praticamente não risca no uso diário.

Qual o tamanho do Mido Belluna?

Varia bastante. Entre as peças prontas aparecem caixas de 32 mm, 40 mm, 41,5 mm e 41,8 mm, então o nome sozinho não diz a proporção.

Por que a mesma linha custa R$ 3.599 e R$ 8.620?

Porque caixa, pulseira e acabamento mudam juntos entre as versões. O movimento e o vidro são os mesmos nas quatro peças prontas, então o salto não é de mecânica.

O que fica

A Mido resolve um problema específico e pouca gente sabe disso. Ela é a terceira marca a aparecer na entrada do automático suíço com safira na nossa base, numa lista de 524 peças cuja mediana é R$ 9.597.

O Belluna entra nessa lista em sétimo lugar, com R$ 3.599, e as quatro peças prontas da linha trazem safira e movimento automático sem exceção.

O que atrapalha é oferta e proporção. São quatro peças prontas de quinze anunciadas, e as caixas vão de 32 a 41,8 mm dentro do mesmo nome.

E o salto de preço interno merece leitura fria. Dobrar o valor traz caixa maior e bracelete de aço, não mecânica melhor, porque movimento e vidro são iguais nas quatro. Com quatro peças não dá para isolar o que pesa mais, e é honesto dizer isso em vez de inventar uma explicação limpa.

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