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Aço, couro ou borracha: a pulseira quase não mexe no preço

Gustavo Grossi 6 min de leitura
Três pulseiras de relógio soltas sobre linho claro, uma de aço, uma de couro e uma de borracha

Escolher entre aço, couro e borracha parece uma decisão de orçamento. Medimos dentro da mesma linha e, na maior parte das vezes, não é: é só uma decisão de gosto.

O que o mercado usa

A distribuição no varejo brasileiro é bem desigual:

Pulseira Anúncios
Aço 10.153
Couro 3.267
Borracha 2.081
NATO 640

O bracelete de aço é mais da metade do mercado e sozinho vale três vezes o couro. O panorama de materiais está em bracelete de aço, couro ou borracha, e a fita militar tem levantamento próprio em pulseira NATO vale a pena.

Este post responde outra coisa: escolher uma delas custa dinheiro?

Dentro da mesma linha

Comparar todos os relógios de aço com todos os de couro não serve, porque cada material se concentra em produtos diferentes. É a mesma armadilha desmontada em a cor do mostrador muda o preço.

Então fizemos o teste controlado: dentro de cada coleção com peças disponíveis em mais de um material.

Linha Aço Couro Borracha
Orient Bambino R$ 2.998 R$ 2.998
Orient 3 Estrelas R$ 1.598 R$ 1.658
Orient Solar Tech R$ 1.199 R$ 1.358 R$ 1.229
Seiko 5 Sports R$ 3.149 R$ 3.949 R$ 3.149
Seiko Prospex R$ 6.599 R$ 7.199 R$ 5.199
Seiko Presage R$ 5.199 R$ 4.399
Citizen Promaster R$ 4.995 R$ 4.690
Citizen Eco-Drive R$ 3.990 R$ 3.290 R$ 3.495
Bulova Marine Star R$ 5.790 R$ 4.990 R$ 5.990
Bulova Sutton R$ 4.290 R$ 3.990
Timex Marlin R$ 2.398 R$ 2.200
Mido Multifort R$ 10.670 R$ 11.305 R$ 11.220

Leia linha a linha e o padrão salta: as três colunas ficam perto umas das outras, e a diferença muda de sinal de coleção para coleção.

No Orient Bambino os dois materiais custam exatamente o mesmo. No Seiko 5 Sports aço e borracha empatam no centavo. No Presage o couro é mais barato que o aço, e na Prospex é mais caro.

Isso não é um efeito fraco: é a ausência de efeito. A pulseira, dentro da linha que você já escolheu, não é uma alavanca de preço.

Dentro da mesma coleção, aço, couro e borracha ficam quase no mesmo preço.
Dentro da mesma coleção, aço, couro e borracha ficam quase no mesmo preço.

As duas exceções

Duas linhas fogem muito, e as duas têm a mesma explicação.

Tissot PRX: aço a R$ 5.000 e borracha a R$ 8.140, 63% acima.

TAG Heuer Formula 1: aço a R$ 18.805 e borracha a R$ 46.410, 147% acima.

Em nenhum dos dois casos a fita de borracha custa isso. O que acontece é que a versão de borracha dessas linhas é outro produto: nos dois casos ela aparece nas variantes mais caras da coleção, com cronógrafo ou automático, enquanto o aço cobre também a versão simples.

É o mesmo fenômeno que inverte o preço do automático em Prospex e Promaster, explicado em quanto custa a mais um automático: o nome da coleção junta produtos que não são comparáveis.

Existe uma terceira exceção, ao contrário: na Timex Expedition a borracha sai muito abaixo do aço, porque ali ela cobre a versão de campo mais simples.

A regra prática que sobra: quando a diferença de pulseira passar de 30%, você não está comparando pulseiras. Está comparando modelos.

Tissot PRX e TAG Heuer Formula 1 fogem porque a versão de borracha é outro produto.
Tissot PRX e TAG Heuer Formula 1 fogem porque a versão de borracha é outro produto.

O que cada material entrega

Já que o preço não decide, decide o uso.

O verbete sobre pulseiras de relógio cobre a história dos materiais, e o resumo prático é este:

Aço. Dura mais que o relógio, aguenta água sem pensar e pode ser ajustado por elos. Pesa mais e esquenta no sol.

Couro. Confortável desde o primeiro dia e o mais discreto sob a manga. Odeia água e suor, e é consumível: troca a cada um ou dois anos.

Borracha. É a certa para mar, piscina e academia. Não segura cheiro como o couro e não pesa como o aço. Envelhece com o sol e não é peça de traje. É o material padrão do relógio de mergulho, categoria explicada no texto técnico da Monochrome.

NATO. Fita de náilon de uma peça, com segurança contra falha de barra de mola, detalhada em pulseira NATO vale a pena.

E vale a nota que muda a conta toda: a pulseira é a parte mais barata e mais fácil de trocar de um relógio. Uma troca custa uma fração da peça e leva minutos.

Onde a leitura falha

Coleção não é referência. É o melhor controle disponível e ainda junta produtos diferentes, como PRX e Formula 1 mostram.

Amostra pequena em algumas células. Marine Star tem 10 peças de couro e PRX tem 9 de borracha.

Qualidade não entra na conta. Dois braceletes de aço podem ter fecho e acabamento muito diferentes pelo mesmo preço, e o verbete sobre o relógio de pulso lembra que o bracelete integrado é um projeto de caixa, não um acessório.

Não medimos a largura entre alças. É o dado que decide se a troca é fácil, e ele quase nunca é publicado, conta em o que o anúncio não diz.

São 2.071 anúncios sem o campo. Eles ficam fora do levantamento.

É preço de anúncio. Desconto e negociação não aparecem.

Como escolher

Escolha pelo uso, não pelo preço. Dentro da linha que você já quer, a pulseira é praticamente de graça.

Aço se o relógio é único. Aguenta tudo e não vira consumível.

Couro se o uso é social e seco. É o mais confortável e o mais discreto.

Borracha se tem água na rotina. Mar, piscina e treino.

Se a diferença passar de 30%, compare de novo. Você provavelmente está olhando dois modelos diferentes, e não duas pulseiras.

Confira a largura entre alças antes de planejar troca. É o número que decide, e ele não vem no anúncio.

Não deixe a pulseira decidir a compra. Ela troca em minutos, a caixa e o vidro não trocam nunca.

Perguntas frequentes

Pulseira de aço ou couro muda o preço do relógio?

Quase não, dentro da mesma coleção. No Orient Bambino as duas custam exatamente o mesmo, e nas demais linhas a diferença é pequena e muda de sinal.

Por que o Tissot PRX de borracha custa mais que o de aço?

Porque a versão de borracha da linha é outro produto, com variantes mais caras. A diferença de 63% é de modelo, não de pulseira.

Qual pulseira dura mais?

O aço, com folga. Couro é consumível e costuma pedir troca a cada um ou dois anos, e a borracha envelhece com sol.

Qual pulseira é mais comum no Brasil?

O bracelete de aço, com 10.153 anúncios, contra 3.267 de couro, 2.081 de borracha e 640 de NATO.

Vale trocar a pulseira depois?

Vale, e é a modificação mais barata que existe num relógio. O único cuidado é conferir a largura entre as alças, que o anúncio quase nunca informa.

Pulseira de borracha é de relógio barato?

Não. Ela aparece do Orient Solar Tech de mil reais ao Mido Multifort de onze mil, e nas linhas esportivas costuma ser a versão mais cara.

O que fica

A escolha entre aço, couro e borracha parece uma decisão de bolso e não é.

Dentro da mesma coleção, os três materiais ficam praticamente no mesmo preço. No Orient Bambino eles empatam no centavo, no Seiko 5 Sports aço e borracha também, e nas outras linhas a diferença é pequena e troca de sinal.

As duas exceções confirmam a regra por outro caminho. Tissot PRX com 63% e TAG Heuer Formula 1 com 147% não medem pulseira: medem que a versão de borracha dessas linhas é um produto mais caro.

Daí sai a régua útil: acima de 30% de diferença, você está comparando modelos e não materiais.

O que sobra é a decisão certa, que é de uso. Aço para durar, couro para o social e o seco, borracha para o que tem água. E a lembrança que economiza dinheiro: a pulseira é a única parte do relógio que troca em minutos, então ela é a última coisa que deveria decidir a compra.

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