Citizen Aqualand: o relógio que mede a profundidade, e o vidro que ele não tem
A maioria dos relógios de mergulho não mede nada. Eles marcam tempo e você deduz o resto. Esta linha da Citizen faz outra coisa, e é por isso que ela custa o que custa.
Os números vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que abastece o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não um censo do mercado.
O que o Aqualand é
A ficha da Citizen descreve uma casa japonesa de 1918 que se tornou uma das maiores fabricantes de relógio do mundo, com movimento próprio e integração vertical alta.
O Aqualand é a linha de mergulho técnico dela, e ela não é um relógio de mergulho comum. A diferença está num sensor, e é ela que organiza este texto inteiro.
Na nossa base a linha aparece com 4 peças prontas para sair, de 34 anunciadas, com preço entre R$ 2.250 e R$ 7.490 e mediana em R$ 5.995.
| Aqualand na nossa base | |
|---|---|
| Peças prontas | 4 de 34 |
| Disponibilidade | 12% |
| Vidro | cristal mineral nas 4 |
| Movimento | Eco-Drive em 2, quartzo em 2 |
| Caixa | de 44 a 50,7 mm |
| Preço | R$ 2.250 a R$ 7.490 |
Repare na terceira linha antes de continuar, porque ela é o contraponto de tudo o que vem depois. Voltamos nela na metade do texto.
O sensor que mede profundidade
Vale começar explicando o que um relógio de mergulho comum faz, porque quase ninguém para para pensar nisso.
Um mergulhador convencional tem um aro giratório em volta do mostrador. Antes de entrar na água, você gira esse aro até alinhar o marcador com o ponteiro de minutos. A partir dali, o aro mostra quanto tempo se passou, e é só isso que ele faz, conforme descreve o verbete de relógio de mergulho.
Ou seja, ele mede tempo. Profundidade, ele não sabe. Quem calcula a profundidade é o mergulhador, com tabela e treino, ou um aparelho separado.
O Aqualand faz a segunda coisa. Ele tem uma porta de sensor no corpo da caixa, aquela peça que parece um segundo botão e que na verdade é uma entrada de pressão. A água entra ali, pressiona uma membrana, e a eletrônica converte essa pressão em metros.
Isso coloca a peça numa categoria diferente, mais perto do que se chama computador de mergulho, que é o instrumento que acompanha profundidade e tempo juntos, conforme o verbete de computador de mergulho.
Na prática, o que muda para quem usa é bem concreto. O relógio liga sozinho ao entrar na água, mostra a profundidade atual enquanto você desce, e guarda a profundidade máxima daquele mergulho para você conferir depois de sair.
Duas ressalvas honestas. Primeira, isso não substitui um computador de mergulho completo, que calcula descompressão e limites de tempo em profundidade. Segunda, e mais importante para a maioria de quem lê este texto, se você não mergulha, esse sensor não faz nada por você. É peso, volume e preço a mais numa função que vai ficar parada.

Cristal mineral até no mais caro
Agora a linha da tabela que pedi para você guardar.
As quatro peças prontas usam cristal mineral. Nenhuma traz safira, e isso inclui a de R$ 7.490.
Vale explicar bem o que essa diferença faz, porque ela é abstrata no anúncio e muito concreta no pulso.
Safira é óxido de alumínio cristalizado e marca 9 na escala de dureza de Mohs, onde o diamante é 10. A consequência prática é que quase nada do cotidiano risca o vidro. Cristal mineral é vidro comum endurecido por tratamento: ele marca com areia de praia, com a quina de uma porta e com a chave do carro, e essa marca não sai mais, conforme o verbete da Monochrome.
Num mergulhador isso pesa mais do que na média, porque mergulhador é justamente o tipo de relógio que encosta em areia, em equipamento e em costado de barco.
E existe um argumento técnico do outro lado, que é justo mencionar. Safira é mais dura, mas é também mais quebradiça. Cristal mineral absorve melhor uma pancada seca, e num instrumento que desce a dezenas de metros e leva pressão de verdade, resistência a impacto não é detalhe.
Só que esse argumento explica a escolha, não o preço. Na faixa em que a peça mais cara da linha vende, a maior parte do mercado que a gente acompanha entrega safira. Aqui você paga R$ 7.490 e leva o vidro que risca, e isso precisa entrar na conta antes da compra, e não depois.
Quatro peças de trinta e quatro
O outro número que atrapalha é a oferta.
Das 34 peças anunciadas na nossa base, apenas 4 têm produto pronto para sair. São 12%, que coloca a linha no quartil mais baixo de disponibilidade entre as coleções que acompanhamos.
Na prática, quase nove em cada dez buscas por essa linha terminam numa página que não vende hoje. E isso não é acaso: quando cruzamos preço com estoque, em relógio indisponível ou sob encomenda, a encomenda cresce junto com o valor da peça, porque estoque caro é dinheiro parado para a loja.
A dispersão também é enorme. De R$ 2.250 a R$ 7.490 é mais de três vezes, e as caixas vão de 44 a 50,7 mm. Não é uma linha com variações: são gerações e propostas diferentes de instrumento dividindo o mesmo nome.
Cinquenta vírgula sete milímetros, aliás, merece um parágrafo. É muito acima da medida central de 40,5 mm que levantamos em qual o tamanho de relógio mais comum, e num instrumento isso tem razão de ser, porque sensor, bateria e display ocupam espaço. Mas é o tipo de peça que não passa sob punho de camisa nenhuma.

Onde ele decepciona
Além do vidro e da oferta, a ficha para cedo. Espessura, autonomia da carga e a profundidade máxima que o sensor lê não aparecem de forma comparável nos anúncios que acompanhamos, que é o padrão medido em o que o anúncio não diz. Num relógio vendido pelo sensor, o alcance do sensor deveria ser a primeira linha do anúncio.
E vale separar dois números que vivem sendo confundidos. A metragem impressa no mostrador, aquele 200 m que aparece em tantos mergulhadores, é a resistência à água: até onde a caixa aguenta ficar vedada. Ela não diz até onde o sensor consegue ler profundidade, que é outro limite, definido pela eletrônica. Os dois costumam ser diferentes, e só o primeiro aparece escrito na peça.
A eletrônica envelhece diferente da mecânica. Um módulo com display e sensor tem mais pontos de falha que um movimento a mola, e assistência para peça antiga dessa categoria é mais difícil de achar do que para um mergulhador comum.
E a revenda é estreita. O público que quer medir profundidade de verdade compra computador de mergulho, e o público que quer um relógio bonito não precisa do sensor. Sobra pouca gente no meio.
Qual comprar
Se você mergulha e quer a função no pulso em vez de mais um aparelho na mochila, a linha entrega isso, e é uma das poucas que entrega. Comece perguntando qual é a profundidade máxima que aquele modelo específico lê, porque isso varia entre gerações e não aparece no anúncio.
Se o que te atraiu foi a aparência de instrumento, e não o mergulho, vale olhar a peça de R$ 2.250, que é a mais acessível das quatro prontas e tem caixa de 44 mm, bem mais vestível que a de 50,7 mm.
Se o relógio é de uso diário e você quer a Citizen com vidro que não risca, esta não é a linha. A comparação com o mergulhador da casa que segue norma está em Citizen Promaster Diver vale a pena.
E se a referência exata importa, conte com espera. Com 12% de disponibilidade, a compra provavelmente passa por encomenda, e o prazo precisa ser combinado por escrito antes de qualquer sinal.
Perguntas frequentes
O Citizen Aqualand vale a pena?
Vale para quem mergulha e quer o sensor de profundidade no pulso. Não vale como relógio de uso diário, porque as quatro peças prontas na nossa base usam cristal mineral, inclusive a de R$ 7.490.
Quanto custa um Citizen Aqualand?
De R$ 2.250 a R$ 7.490 entre as peças prontas que a gente acompanha, com mediana em R$ 5.995.
O Aqualand mede profundidade mesmo?
Mede. Uma porta de sensor na caixa recebe a pressão da água e a eletrônica converte em metros, mostrando a profundidade atual e guardando a máxima do mergulho.
O Citizen Aqualand tem safira?
Não entre as quatro peças prontas na nossa base. Todas usam cristal mineral, que resiste melhor a impacto e pior a risco.
Qual o tamanho do Citizen Aqualand?
Varia muito. Entre as peças prontas aparecem caixas de 44 mm, 46 mm e 50,7 mm, todas acima da medida central de 40,5 mm do mercado que acompanhamos.
O Aqualand substitui um computador de mergulho?
Não. Ele mostra profundidade e tempo, mas não faz os cálculos de descompressão que um computador de mergulho completo faz.
O que fica
O Aqualand resolve uma coisa que quase nenhum relógio resolve. Ele mede profundidade, com um sensor de pressão na caixa, enquanto um mergulhador comum apenas marca tempo num aro giratório e deixa o resto com você.
Isso é o que justifica o preço, e é honesto reconhecer. Também é o que torna a peça grande, com caixas de 44 a 50,7 mm entre as quatro prontas na nossa base.
O incômodo está no vidro. As quatro usam cristal mineral, e a mais cara delas custa R$ 7.490. Existe um argumento de resistência a impacto por trás disso, mas ele não muda o fato de que o vidro vai marcar com areia.
E achar uma é difícil. De 34 anúncios, 4 têm produto, então a pergunta a fazer antes do preço é o prazo. Se você não mergulha, provavelmente está pagando por uma função que nunca vai usar, e existem caminhos melhores dentro da própria Citizen.
