Seiko Speedtimer: um cronógrafo que nunca troca pilha, e o irmão que custa três vezes mais
Cronógrafo costuma vir com uma escolha ruim embutida: ou você troca pilha, ou paga muito caro pela mecânica. Esta linha oferece uma terceira saída, e ela é a menos conhecida das três.
Os números vêm da nossa varredura de vinte lojas brasileiras, a que abastece o radar. É o que a gente enxerga hoje, e não um censo do mercado.
O que o Speedtimer é
A ficha da Seiko descreve uma casa japonesa de 1881 que fabrica praticamente tudo internamente, dos movimentos às molas.
O Speedtimer é a linha de cronógrafo esportivo dela. Antes de qualquer número, vale lembrar o que um cronógrafo faz, porque muita gente compra o primeiro sem saber.
Cronógrafo é um cronômetro embutido no relógio. Dois botões ao lado da coroa iniciam, param e zeram uma contagem, e os mostradores pequenos dentro do mostrador principal são os contadores dessa contagem, conforme o verbete da Monochrome.
Numa peça assim, o ponteiro grande de segundos normalmente fica parado, porque ele é o ponteiro do cronômetro. Os segundos correntes ficam num dos contadores pequenos. Não é defeito, é o desenho da função.
Na nossa base a linha aparece com 50 peças prontas para sair, com preço entre R$ 5.742 e R$ 23.999 e mediana em R$ 6.599.
| Speedtimer na nossa base | |
|---|---|
| Peças prontas | 50 |
| Safira | 49 das 50 |
| Movimento | solar em 41, automático em 8 |
| Caixa | 39 mm em 20, 41,4 mm em 16 |
| Pulseira | aço em 42 |
| Mostrador | verde em 10, preto em 9 |
Safira em quarenta e nove de cinquenta é um número forte, e ele significa uma coisa prática: o vidro praticamente não risca no uso diário, ao contrário do cristal mineral, que marca com areia e com quina de mesa sem conserto depois, conforme o verbete da Monochrome.
Um cronógrafo que não troca pilha
Aqui está a parte que torna a linha interessante, e ela resolve um problema real.
Cronógrafo de quartzo é o caminho barato, e funciona muito bem. A contrapartida é a pilha, e num cronógrafo essa contrapartida é maior do que parece: usar a função consome bem mais energia que só marcar a hora, então a pilha acaba mais rápido quando você realmente cronometra.
Quarenta e uma das cinquenta peças prontas são solares, e isso muda a rotina.
Uma célula fotovoltaica fica escondida atrás do mostrador, converte luz em eletricidade e carrega uma bateria recarregável dentro da caixa, que é o princípio descrito no verbete de relógio solar. Não precisa de sol direto: a luz de um escritório já alimenta o relógio.
O efeito prático é direto. Você tem a função de cronógrafo, tem a precisão de quartzo, que é bem melhor que a de qualquer mecânico, e nunca abre o relógio para trocar pilha. Numa peça que vai para a assistência só de tempos em tempos, isso também protege a vedação, porque cada abertura é uma chance de a peça perder estanqueidade.
Duas ressalvas honestas. A bateria recarregável tem vida longa, de muitos anos, mas não é eterna, e um dia precisa ser substituída numa assistência. E o mostrador precisa receber luz, então relógio guardado por anos numa caixa fechada acaba descarregando.

O mesmo nome, dois produtos
Agora o número que assusta quem procura essa linha pela primeira vez.
A faixa de preço vai de R$ 5.742 a R$ 23.999. São mais de quatro vezes dentro da mesma etiqueta, e a explicação não é acabamento.
| Dentro do Speedtimer | Solar | Mecânico |
|---|---|---|
| Peças prontas | 41 | 8 |
| Mediana | R$ 6.599 | R$ 22.498 |
| Faixa | R$ 5.742 a R$ 7.799 | R$ 7.400 a R$ 23.999 |
A mediana do mecânico é três vezes e meia a do solar. E é importante dizer com clareza o que essa tabela é e o que ela não é.
Ela não mostra o mesmo relógio com dois motores. São produtos diferentes, de propostas diferentes, que dividem um nome de família. O lado mecânico da linha é o topo esportivo da marca, com construção e acabamento de outro patamar.
Ainda assim, vale entender por que a mecânica encarece tanto num cronógrafo, porque isso explica a distância. Um cronógrafo mecânico é uma das construções mais complexas da relojoaria: são dezenas de peças extras, embreagens e rodas que precisam engatar e desengatar sem perturbar a marcha do relógio. Isso multiplica o custo de fabricação e de revisão.
Para quem compra, a leitura prática é esta. Se a busca por Speedtimer devolver um preço perto de vinte mil reais, você não está olhando a mesma coisa que o comprador que pagou seis mil e seiscentos. Confirme o movimento antes de comparar qualquer preço.
O verde lidera
Um detalhe de identidade que separa a linha da vizinhança.
Entre as 50 peças prontas, o mostrador mais frequente é o verde, com dez, seguido de preto com nove, branco com seis e azul com seis.
Vale dimensionar. Quando contamos a cor de mostrador de tudo o que a gente acompanha, em a cor de mostrador mais comum, o preto lidera com folga e o verde responde por cerca de um décimo do mercado. Uma linha esportiva em que o verde passa o preto está fazendo escolha deliberada.
Para quem compra, o efeito é de reconhecimento, e numa categoria em que quase todo cronógrafo é preto ou azul, isso conta.
Os tamanhos também ajudam. Vinte das cinquenta peças prontas têm 39 mm, o que é abaixo da medida central de 40,5 mm que levantamos em qual o tamanho de relógio mais comum. Cronógrafo costuma ser grande para caber os contadores, então uma opção de 39 mm é mais rara do que parece.

Onde ele decepciona
A ficha para no vidro e no movimento. Espessura, resistência à água e o código do calibre não aparecem de forma comparável nos anúncios que acompanhamos, que é o padrão medido em o que o anúncio não diz. No caso de um relógio solar, o calibre é o campo que diria quantos meses a carga rende no escuro.
O nome confunde preço. Com a mesma busca devolvendo peças de seis mil e de vinte e quatro mil reais, comparar por nome não funciona, e é preciso comparar por referência.
A entrada não é barata. O piso de R$ 5.742 coloca a linha acima da mediana da própria Seiko no Brasil, levantada em qual marca de relógio é mais barata.
E a revenda de cronógrafo solar é mais lenta que a de mecânico, porque o público que procura a categoria no usado tende a buscar mecânica.
Qual comprar
Se a função de cronógrafo é o que você quer, e não a mecânica dela, a versão solar entrega isso a partir de R$ 5.742, com safira e sem nunca pedir troca de pilha. É a conta mais eficiente da linha inteira.
Se o pulso é médio ou fino, procure especificamente as peças de 39 mm, que são vinte das cinquenta prontas. Cronógrafo pequeno é difícil de achar.
Se a cor conta, o verde é a assinatura da linha, com dez peças prontas, e ele é bem menos comum no resto do mercado.
E se o que você quer é o cronógrafo mecânico, entenda que é outro produto, com mediana de R$ 22.498 na nossa base. A comparação de mecânica contra quartzo está em quanto custa a mais um automático.
Perguntas frequentes
O Seiko Speedtimer vale a pena?
Vale na versão solar, que entrega cronógrafo com safira a partir de R$ 5.742 sem nunca precisar de troca de pilha. A versão mecânica é outro produto, com mediana de R$ 22.498 na nossa base.
Quanto custa um Seiko Speedtimer?
De R$ 5.742 a R$ 23.999 entre as peças prontas que a gente acompanha, com mediana em R$ 6.599. A diferença entre as pontas é de movimento, não de acabamento.
O Seiko Speedtimer solar precisa de pilha?
Não. Uma célula atrás do mostrador converte luz em eletricidade e carrega uma bateria interna recarregável, que dura muitos anos antes de precisar de troca em assistência.
O Seiko Speedtimer tem safira?
Quarenta e nove das 50 peças prontas na nossa base têm. É o material que praticamente não risca no uso diário.
Qual o tamanho do Seiko Speedtimer?
Trinta e nove milímetros em vinte das cinquenta peças prontas, e 41,4 mm em outras dezesseis. O de 39 mm fica abaixo da medida central do mercado que acompanhamos.
Por que o Speedtimer mecânico custa tanto?
Porque cronógrafo mecânico é uma das construções mais complexas da relojoaria, com dezenas de peças extras que precisam engatar e desengatar sem perturbar a marcha. Isso multiplica custo de fabricação e de revisão.
O que fica
O Speedtimer resolve uma escolha ruim que a categoria costuma impor. Em vez de trocar pilha ou pagar por mecânica cara, 41 das 50 peças prontas são solares: função de cronógrafo, precisão de quartzo e nenhuma troca de pilha.
A ficha acompanha. Safira em 49 das 50, o que é o vidro que praticamente não risca, numa categoria que encosta em mesa o tempo todo.
O cuidado é com o nome. A mesma etiqueta cobre um solar de mediana R$ 6.599 e um mecânico de mediana R$ 22.498, e eles não são o mesmo relógio com motores diferentes. São produtos distintos, e comparar preço sem confirmar o movimento não leva a lugar nenhum.
E há um bônus de proporção. Vinte peças de 39 mm numa categoria que quase sempre passa dos 42 é coisa rara, e resolve o pulso de muita gente que desistiu de cronógrafo por tamanho.
